domingo, 26 de julho de 2015

Matou a sogra e mandou matar o sogro.



SÓ DUAS PERGUNTAS
Tomislav R. Femenick (www.tomislav.com.br)


O Padre Jahannes Simon Vondel tinha terminado de rezar as vésperas, a oração do final da tarde e começo da noite, quando o telefone da sacristia da pequena igreja, da pequena cidade do interior, tocou estridentemente. Era a enfermeira de Dona Lucrecia, viúva de Pedro Correia Fernandes, rico proprietário e chefe político, recentemente falecido. Queria que ele fosse urgente ao casarão, pois a doente tinha piorado muito nas últimas horas e pedido para se confessar, mas só com o Padre Vondel.
Mesmo com quase setenta anos, o padre holandês cultivava o hábito de andar de bicicleta, até porque as parcas receitas da paróquia não lhe permitiam o luxo de um carro. Pedalando pelas ruas mal iluminadas, ele ia reavivando suas lembranças sobre Dona Lucrecia. Há trinta anos, quando ele chegou na cidade, Lucrecia era a grande dama local. Promovia as melhores festas, era patronesse de obras beneméritas e mãe de somente uma filha pequena. Hoje a filha era a Dra. Amélia Fernandes Oliveira, casada com o Dr. Paulo Dutra Oliveira, ambos médicos e donos do hospital local.  Seu Pedro Correia tinha morrido misteriosamente e a viúva, embora tratada permanentemente pelo genro, vivia em uma cama e tinha uma enfermeira e uma empregada como únicas companhias, naquela residência tão grande.  
Quando o padre chegou ao sobrado, a porta estava aberta e as luzes da escada acesas. Pensando que estavam a sua espera, subiu em direção ao quarto da dona da casa e encontrou uma cena surpreendente e horripilante. O recinto estava iluminado apenas por duas grandes velas, mas dava para se ver um pentagrama desenhado na parede, atrás e acima da cabeceira da cama, e uma grande quantidade de sangue esparramado pelo chão. O corpo da enfermeira estava aos pés da cama, com a garganta cortada, e o cabo de uma faca de prata se projetava do abdome de Dona Lucrecia. Tudo levava a crer que teria havido um ritual macabro, no qual as duas teriam sido sacrificadas. Foi ainda meio desorientado que o reverendo ligou para a polícia.
O delegado da cidade era um advogado que não mais exercia a profissão e devia a sua nomeação a Pedro Correia Fernandes. Talvez o delegado tenha sido o maior amigo do casal. Era o padrinho de Amélia; padrinho de batismo, de formatura e de casamento. Até brincavam: se ele não fosse o único tri-padrinho do mundo, com certeza era o único da cidade. Pouco depois de o delegado chegar ao casarão, a cidade toda já sabia da notícia e para lá se dirigia. A filha, desesperada, estava sendo consolada nos braços do Padre. Dr. Paulo, seu marido, esbravejava contra “esses fanáticos” e dizia que o crime somente poderia ser obra do Sebastião das Cebolas, o Pai de Santo local. Sebastião foi preso e transferido para uma delegacia da capital, pois se ficasse na cidade seria linchado.
Pelos outros presos, o Pai de Santo ficou sabendo que o escrivão da delegacia era o Pereira, aquele que já tinha resolvido alguns casos desconcertantes. Conseguiu falar com ele e expor seu problema: estava preso, porém não era o autor do crime. Pereira conhecia o Padre Vondel e Dona Lucrecia, pois era de um lugarejo próximo, e resolveu investigar. Foi rever o reverendo holandês e a cidade. Por cortesia foi fazer uma visita ao delegado, oportunidade em que se inteirou dos detalhes e do andamento das investigações. A enfermeira era de fora e tinha sido indicada pelo genro da doente. O delegado já tinha certeza que Sebastião das Cebolas não tinha nada a haver com o caso; só o mantinha preso para evitar que o povo o linchasse.
Foi ver a cena do crime e visitar o Padre Vondel, quando soube que Dona Lucrecia nunca havia sido muito religiosa, mas, à medida que a doença progredia, ela rezava mais e mais e, às vezes, ia assistir missa, mesmo que para isso fosse preciso ir de cadeira de roda. Porém nunca tinha se confessado. O Padre também achava que o Pai de Santo não tinha nada com a história. Conversando com outras pessoas, soube que o inventário de Pedro Correia Fernandes ainda não tinha sido realizado e que a saúde financeira do hospital da filha e do genro ia muito mal. Conversando com a velha Manuela, empregada do casarão dos Fernandes há mais de quarenta anos, inteirou-se de um segredo: Dona Lucrecia, logo que se casou, teve um caso com um advogado que tinha chegado na cidade e que hoje é o delegado. Desse caso nasceu Amélia. Sentindo a aproximação da morte, talvez tenha sentido a necessidade de confessar o pecado.
Daí, foi relativamente fácil resolver o caso. Foi só responder duas perguntas. Quem ganhava com a morte da senhora? Sua filha e seu genro, que estavam praticamente quebrados, com as dívidas do hospital.  Quem perderia se fosse provado que ela não era filha do velho Pedro? Os mesmo, pois Pedro e Lucrecia eram casados em separação de bens. Foi só apertar o genro. No começo negou, depois confessou tudo. Tinha mandado fazer exame de DNA da mulher e do delegado (atestaram pai e filha), tinha mandado matar o sogro e, ele mesmo, matou a sogra e a enfermeira. Primeiro a sogra e depois a enfermeira, após forçá-la a ligar para o padre. 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Academia lança campanha pró elevador,

quinta-feira, 2 de julho de 2015

UM ELEVADOR PARA A VETUSTA ANRL

Nas vésperas de completar os seus 80 anos de vida, a ACADEMINA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS - ANRL trabalha para colocar um elevador ou plataforma elevatória para permitir o acesso de alguns dos seus Acadêmicos e ao público de maior idade ou portadores de deficiência motora.
O Presidente Diógenes da Cunha Lima resolveu encetar campanha para, ainda este ano, a vetusta Casa de Cultura do Rio Grande do Norte, afinal, garanta esse benefício aos seus membros e aos frequentadores, à qual nos filiamos com total empenho.
Na posse do saudoso jornalista Agnelo Alves a solenidade foi realizada no salão de festas, quebrando uma tradição de solenidade no seu auditório, porquanto aquele imortal acadêmico era usuário de cadeira de rodas.
Em minha posse no dia 12 de junho último, muitos dos meus amigos não puderam assistir o evento à falta desse equipamento e alguns ficaram no salão de festas aguardando o término da sessão solene.
Os empresários natalenses investem tanto em certos eventos de menor importância para a vida cultural do Estado, patrocinam esporte, espetáculos isolados e eventuais, mas pouco se sensibilizam para uma providência permanente e essencial para o bom funcionamento do Templo Maior das Letras Potiguares.
Aproveito o ensejo para conclamar os nossos conterrâneos e amigos que aqui residem, empresários, rede bancária, parlamentares, supermercados a assinarem o "livro de ouro" que Diógenes irá disponibilizar, para que Dezembro próximo seja o momento da superação desse obstáculo.

quinta-feira, 25 de junho de 2015



Editora da UFRN lança em Natal 
obra memorialista de Tarcísio Gurgel

(Sirleide Pereira – Ascom-reitoria/UFRN)

Inventário do Possível, obra memorialista do escritor, jornalista e cronista mossoroense Tarcísio Gurgel, será lançado em Natal no próximo dia 30, às 17h no átrio do auditório da reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), instituição da qual é professor aposentado do Curso de Comunicação Social.

Ao falar da “invenção da memória”, Tarcísio Gurgel revela que se descobriu memorialista muito recente, já depois do ano 2004, quando convidado para ser o entrevistador do programa de televisão “Memória Viva”. Isso o levou a encarar esse projeto que estava engavetado em sua memória.  

Nas 268 páginas de sua mais recente obra, o autor detalha fatos e histórias que envolvem familiares. Assim, reconstituindo um passado, Tarcísio Gurgel traz para o presente  aspectos culturais, hábitos e um linguajar de um tempo distante, e que revelados, se revestem de novos sentidos.

A enigmática capa em cor sépia, de Rafael Sordi Campos, simbolizando algo trancado a partir da foto de um molho de chaves, da fotógrafa Cecília Baker, cria um clima de intimidade com esse passado. É como se convidasse o leitor a entrar vagarosamente numa sala desses casarões antigos, onde se imagina que se vai deparar com segredos e algumas surpresas.

Publicado em co-edição pela Editora da UFRN e a Sarau de letras, de Mossoró, Inventário do Possível está à venda nas livrarias da Natal e de Mossoró. O livro pode ser adquirido, também, diretamente na Editora Universitária (EDUFRN), ou nas livrarias do campus central, no Centro de Convivência da UFRN.  




Tarcisio Gurgel(pro-retiror estudantil)91.jpg
1069K 
Tarcisio Gurgel_07Mai15_Cicero Oliveira


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Uma poesia para meu bisavô
João Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com)
Matemático, sócio do IHGRN e do INRG
Escreveu Aluízio Alves em “Angicos”: Manoel Geminiano Teixeira de Souza foi outro poeta humilde, em que a poesia era menos rasgo de inteligência e mais alegria íntima, suprindo uma vocação infelizmente perdida. Filho de José Vitaliano Teixeira de Souza e D. Urbana Martins de Souza, teve, apenas, as letras minguadas de uma escola rudimentar. Nascido em 1848, em Angicos, viveu sempre na penumbra, entre os afazeres suaves de sacristão, e, por algumas vezes, promotor interino da capela.
No livro, Aluízio apresenta algumas poesias do poeta Manoel Geminiano. Aqui, eu apresento uma poesia que ele mandou para o jornal “Brado Conservador”, que foi publicada em 7 de dezembro de 1877, e que tinha o título “Ao prematuro passamento de meu amigo, o tenente Francisco Martins Ferreira”.
O tenente-cirurgião, Francisco Martins Ferreira, meu bisavô, faleceu jovem, de hidropisia, faltando dois dias para completar 36 anos. Com essa morte abrupta, minha avó ficou totalmente órfã, faltando alguns meses para completar 7 anos de idade. Foi, por isso, criada por sua tia Maria Ignácia Alves de Souza (Maria Ignácia Teixeira do Carmo, nome de solteira).
Nessa poesia, feita pelo seu amigo, temos a oportunidade de conhecer melhor como era meu bisavô.
Ontem...qual astro de fulgor brilhante
Hoje...na campa esquecido jaz!
Não dos amigos, que chorando o lembram
Porém da glória, quando do mundo  apraz.

A parca ingrata, por demais cruel,
Sempre insensível, e sem ter clemência,
Roubou aos filhos extremoso pai,
E à sociedade uma inteligência.

Tranquilo dorme o funerário sono,
Tendo por leito a regelada lousa,
E o seu espirito de fiel cristão,
Junto ao Deus Trino lá no céu repousa

Banhada a face do sentido pranto,
Opresso o peito de pungente dor...
Prantear venho do amigo a perda,
Pois do meu pranto é merecedor.

Afável sempre conquistou estima,
De Deus cumprindo o salutar preceito, 
Entregando seu espirito ao mesmo.
Viu por amigos rodeado o leito.

E da terra mesquinha desprendeu-se,
e voou à celeste eternidade,
É justo, pois verter sobre o seu túmulo
Uma lágrima de dor e de saudade.



Abraços 
João Felipe da Trindade
Natal, Rio Grande do Norte

visite: 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Professor Carlos Gomes na ANL


(Sirleide Pereira – Ascom-reitoria/UFRN)

O presidente da Comissão da Verdade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Professor e escritor Carlos Gomes, assume na próxima sexta-feira, 12, uma das cadeiras na Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL). A posse será às 20h, na sede da Academia, situada à rua Mipibu, Bairro do Tirol. Além de professor aposentado do Curso de Direito da UFRN, Carlos Gomes integra a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Rio Grande do Norte (OAB/RN), entidade a qual presidiu.
Professor Carlos Roberto de Miranda Gomes
quando autografava um dos seus livros na ANL.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Raios que o partam, não os da cabeça de Dona Rosa.

Dona Rosa e o para-raios

Ciduca Barros(**)

Quando nós a conhecemos ela já era uma mulher de meia-idade, viúva, baixinha, gordinha, muito agitada, irritadiça e nervosa, apesar de tratar a todos nós de “meus filhos”. A sua mercearia ficava localizada nas imediações do nosso colégio (GDS) e nós, alunos, comprávamos ali. Ela nos tratava sempre com carinho, mas com medo de ser engabelada nas vendas ficava mais nervosa e muito mais irritada.

Como é do conhecimento de todos, no nosso Seridó, por ocasião do tempo chuvoso, são comuns os raios, relâmpagos e trovões. Assim como estudamos em Física, o raio é a descarga elétrica entre uma nuvem e a terra, acompanhada de relâmpago e trovão. E os raios já fizeram muitas vítimas, não só no Seridó, como no resto do mundo. Portanto, o raio é uma manifestação da natureza muito perigosa.

Certa ocasião, justamente quando a mercearia de Dona Rosa estava cheia de estudantes, com alguns deles querendo uma distração dela para lhe dar um calote, apareceu um cidadão de pasta na mão, aparentando, claramente, no seu aspecto exterior, ser um vendedor, aliás, um caixeiro-viajante, como se dizia naquela época.

Aquele homem era vendedor de para-raios e desejava vender um deles para Dona Rosa, que nunca tinha ouvido falar sobre aquele equipamento. Para-raios é um sistema de condutores metálicos colocados nos pontos mais elevados de edificações e ligados à terra, com o fim de proporcionar um caminho mais fácil às descargas elétricas atmosféricas e evitar danos, inclusive perdas de vidas humanas.

Agora me responda você, caro leitor: como a pobre de Dona Rosa iria entender esta complicada explicação sobre para-raios que o sisudo vendedor tentava lhe dar, com o balcão cheio de jovens clientes duvidosos? Cada um daqueles pequenos era um devedor inadimplente em potencial.

Então, a coisa estava nesse pé: o cara, num canto do balcão, tentava explicar o que era o seu produto e Dona Rosa correndo de um lado para o outro atendendo a sua “perigosa” clientela.

Depois de vários minutos nessa agonia, Dona Rosa parou, encarou o vendedor e disse:
– Meu filho, seja simples e direto. O que realmente o diabo desse equipamento faz?
E foi a desgraça do vendedor, pois com a expressão “simples e direto” na cabeça, querendo demonstrar a grande área de ação do seu produto, ele sintetizou:
– É o seguinte, Dona Rosa! A senhora compra um e instala aqui em seu estabelecimento e se um raio for cair lá no Açude Itans (*) o seu para-raios o atrai.
Esta explicação “simples e direta” foi uma dose muito forte para a ansiosa Dona Rosa. Ela parou, colocou as mãos nos quadris e mostrando a sua ampla e trabalhosa clientela, perguntou:
– Meu filho, você acha que eu vou gastar o meu suado dinheirinho pra trazer raios lá do Açude Itans pra dentro da minha casa?

(*) O Açude Itans é um reservatório artificial construído no leito do Rio Barra Nova, em Caicó, com a finalidade de abastecer aquela localidade

(**) Com post no Blog Bar de Ferreirinha

JBAnota  Dona Rosa era a mãe de Jessé, um rapaz que nessa época era proprietário de uma lambreta, novinha e craque no volante, a dirigia em alta velocidade pelas ruas da cidade


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/25/2015 08:51:00 AM

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um vialejo soprado pela inocência varonil

Por João Bosco de Araújo
Jornalista  boscoaraujo@assessorn.com

Sair assoprando àquela gaita foi uma alegria fascinante, uma experiência ainda não vivida. A não ser em sonho. “Ei, ei, menino, traga isso de volta”. Eu já estava perto de dobrar a esquina da bodega de Abraão, no cruzamento da Seridó com a Augusto Monteiro. O grito do vendedor ambulante não me alcançava, esforço que ele fez saindo ligeiro de seu ponto comercial, em frente ao consultório dentário de Dr. José Dantas, perto do açougue.

O som mágico extraído do pequeno instrumento me deixava flutuando em imaginações, só percebendo sua presença ao ser segurado pelo braço: “Garoto, me devolva esse vialejo”, repetia com voz áspera,  surpresa que me constrangia e me embaraçava, ainda entrelaçado pelo som do instrumento na boca.

Sem negócio, ele retorna empunhando a gaitinha que sumiu em sua mão. Eu sigo no caminho de casa, pertinho dali, sem compreender àquela cena inusitada, do impulso imediato de pegar aquele vialejo dentro do balaio e sair, livremente, a tocar, naquele dia de feira livre em Caicó.

O preço foi a decepção de perder a liberdade daquela conquista e saber que aquilo tudo tinha um valor a pagar; além da norma mercadológica, inocência estampada ao pegar o vialejo e sair tocando, em alto som, rua afora, para espanto daquele pobre comerciante de bugigangas.

Santa inocência, justiça seja feita, mas aqueles poucos segundos de instrumentação executados no pequenino vialejo foram de muita felicidade, sensação de puro êxtase musical.

Quer apostar?

©2015 www.AssessoRN.com | Jornalista Bosco Araújo


Vídeo com Bernardo Prata:

terça-feira, 21 de abril de 2015

UBE/RN quer a criação do Dia Potiguar da Literatura Infanto Juvenil. Eduardo Gosson pede o apoio da Assembléa Legislativa.

DOCUMENTO 01 -
Excelentíssimo Senhor
DEPUTADO EZEQUIEL FERREIRA
DD. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte



Senhor Presidente:


A União Brasileira de Escritores – UBE-RN, fundada em 14 de agosto de 1959, vem localmente e nacionalmente, desde o seu primeiro presidente Raimundo Nonato da Silva, desenvolvendo CAMPANHAS em defesa do LIVRO, da LEITURA, da LITERATURA e das BIBLIOTECAS com a convicção de que o Estado do Rio Grande deve se tornar um estado leitor e, dessa forma, dar a sua contribuição para que o Brasil também se torne um país de leitores. A última Campanha foi desenvolvida faz dois anos através da colocação de banners em pontos estratégicos da cidade e contou com a participação de diversas entidades, tendo sido, inclusive, apoiada pelo Tribunal de Justiça do RN. Na época, o slogan utilizado foi o seguinte: “Presentear com livros é muito bom. De autor potiguar, melhor ainda”.
Decorrido algum tempo daquela iniciativa, precisamos fazer um balanço do reflexo daquelas ações, corrigir rumos, incorporar novos parceiros e avançar em direção aos objetivos propostos, reeditando campanhas que possam dar continuidade a esse ideal. Dentre outros posicionamentos, por exemplo, pensamos que o ideal seria que um dia, no Brasil, o preço do livro venha a ser igual ao de um litro de leite e que as edições cheguem a um milhão de exemplares, como na velha Rússia.
Então, o livro precisa ser valorizado e ter o seu acesso democratizado a uma quantidade cada vez maior de leitores.
De suma importância é que o livro infantil e juvenil possa estar cada vez mais presente no recesso do lar das pessoas e que seja muito mais valorizado nas escolas das redes de ensino do estado.
Pensando nisso, observamos que hoje existem duas datas para se comemorar o livro infantil: o dia 02 de abril, eleito como o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTOJUVENIL (natalício do escrito dinamarquês Hans Christian Andersen) ; e o dia 18 de abril, considerado como o DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTOJUVENIL (natalício do escritor brasileiro Monteiro Lobato).
Dessa forma, a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, pretende encaminhar aos nobres deputados estaduais do RN (ao tempo em que pede o apoio aos vereadores de Natal) um projeto de lei no sentido de que o dia 08 DE SETEMBRO seja consagrado no calendário do Rio Grande do Norte como sendo o DIA POTIGUAR DO LIVRO INFANTOJUVENIL (ou como sendo o DIA DA LITERATURA INFANTOJUVENIL POTIGUAR..... decidir qual dos dois...)
A proposta desta data se prende ao fato de que essa é o dia do natalício da escritora potiguar Nati Cortez (08/09/1914-1989), pela sua grande contribuição ao gênero. Ela foi a primeira escritora potiguar que se dedicou a escrever para crianças e para os jovens.
Exatamente por essa razão, e no intuito desse reconhecimento, a UBE/RN criou dentro do seu plano editorial a Coleção Nati Cortez (infantojuvenil), tendo já inaugurado essa coleção com a publicação de sua peça “O maribondo amoroso”. Além dessa peça, a autora escreveu várias obras destinadas a esse público, de forma pioneira no estado. Por isso, ela pode ser considerada como “a mãe da nossa literatura infantojuvenil”, o que a credencia a ser a patrona da data de 08 de setembro como o DIA POTIGUAR DA LITERATURA INFANTOJUVENIL.
Por tudo o que foi exposto, a UBE/RN convida Vossa Excelência a ser o padrinho desta ideia junto ao Poder Legislativo, o que enobrece e valoriza o livro infantojuvenil produzido aqui no estado, e também se reveste de grande significação cultural para a nossa literatura, ao tempo em que homenageia e reconhece o trabalho de uma de nossas mais diletas autoras.

Na certeza de sua atenção e sensibilidade para a presente proposta, desde já apresentamos os nossos agradecimentos.
Natal/RN, 22 de Abril de 2015
Eduardo Antonio Gosson
Vice-Presidente no exercício da presidência da UBE-RN

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Ambientalistas lançam documentário sobre o rio Potengi.

O filme será lançado dia 24 em duas sessões abertas ao público e aborda a relação das pessoas com o rio e esclarece o desastre que matou 40 toneladas de peixes em 2007

Fotos por assessoria: divulgação
No dia 24 deste mês acontece a pré-estreia do documentário Rio Contado, dos analistas ambientais Airton De Grande e Alvamar Queiroz. O evento, que será realizado no auditório do Ibama, conta com duas sessões abertas ao público: às 14h e 19h. Na véspera, no dia 23 às 14h30, haverá uma exibição exclusiva para a imprensa. O filme, de 1h40, mostra a relação das pessoas com um dos principais rios do Rio Grande do Norte, o que dá nome ao estado, o Rio Potengi. Segundo Alvamar Queiroz, para quem o rio faz parte da própria vida, “O poder público ainda não deu a atenção que o Potengi precisa. Rio Contado é um recado claro para as autoridades."

Resultado de uma produção independente, o filme é dirigido pelo documentarista Airton De Grande, mestre em Multimeios pela Unicamp. "Logo percebemos que abordar apenas a temática ambiental deixaria o filme triste e entediante. O que dá vida ao rio e, consequentemente, ao documentário, são as
pessoas que moram em suas margens", aponta De Grande. A equipe percorreu, durante dois anos e meio, cerca de 1,5 mil km e ouviu mais de 100 pessoas desde a sua nascente em Cerro Corá, passando por São Tomé, Barcelona, São Paulo do Potengi, São Pedro, Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante até chegar à sua foz, em Natal.

No decorrer do percurso do Potengi, cerca de 180 Km, eles registraram as diferentes visões e a memória dos ribeirinhos, que recriam a vida do Potengi através de histórias inusitadas, lembranças de infância, melodias saudosas e até relatos fantásticos, como casos de assombração e de um navio fantasma. O filme mostra também a importância das águas do Potengi para a população e como a urbanização e o progresso o agridem, retirando sua areia, jogando lixo e esgoto em seu leito - todas as cidades, da nascente à foz, lançam esgotos no Potengi. Em Ielmo Marinho, por exemplo, a retirada descontrolada de areia do rio provocou o rebaixamento do lençol freático, deixando os agricultores sem água em suas terras.

A narrativa é estruturada em 17 blocos que permitem ao espectador acompanhar tanto o deslocamento do rio pelo estado quanto as temáticas que abrange, como economia, cultura, religião, lendas, etc. Além de populares, foram entrevistados também intelectuais e acadêmicos, como os jornalistas Vicente Serejo e Woden Madruga, o fotógrafo Giovanni Sérgio, o artista plástico Dorian Gray Caldas, a historiadora Fátima Martins Lopes, que alternam saborosos depoimentos pessoais com registros históricos.


O filme traz à tona também um caso que ainda permanece envolto numa espécie de mistério: o desastre ambiental do estuário do Potengi, em 2007, quando morreram 40 toneladas de peixes. Com base em depoimentos e documentos inéditos disponibilizados pela Polícia Federal e Ibama, o documentário reconstrói o episódio, que está entre os maiores acidentes ambientais do Brasil. Na ocasião, a culpa recaiu sobre a fazenda de camarões do grupo Veríssimo & Filhos. Porém, as informações agora reveladas pelo filme mostram que os responsáveis foram outros. E que até o momento permanecem incólumes. "O rio tem muitas histórias bem contadas, mas esta estava mal contada. A população precisava conhecer o desfecho dessa história, que tinha detalhes até hoje escondidos", esclarece De Grande. [por assessoria de imprensa]


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 4/16/2015 08:25:00 P

segunda-feira, 13 de abril de 2015


bárbara heliodora, quem diria, tinha uma frustração relativa ao rio grande do norte.
nos anos 40, câmara cascudo deu ao pai dela uma coleção de textos de peças, algumas em italiano, integrantes do repertório teatral que, até os anos 60, os circos que perambulavam pelo interior do nordeste apresentavam como segunda parte do espetáculo diário.
a coleção representava um tipo de "elo perdido" entre a tradição teatral européia e os circos brasileiros. muitos deles nasceram pelas mãos de ciganos europeus, ou migrantes italianos, como o famoso Nerino,
quem viveu em alguma cidade do interior do brasil até os anos 60 deve lembrar-se de A louca do jardim, ou da Paixão de Cristo, peças icônicas do teatro circense.
eram de peças como essas a coleção doada por cascudo à mais importante crítica teatral brasileira. foi vendo-a que bárbara heliodora cresceu.
só que, em algum maldito momento, talvez em meio a alguma mudança, a coleção se perdeu, para tristeza e frustração de bárbara que, de sobrepeso, ainda se lamentava de não ter conhecido cascudo pessoalmente.
bom, essa história quem contou foi a própria bárbara heliodora, a mim e à repórter Sheyla Azevedo, em 2000, quando participávamos de um seminário em são paulo. mal tomamos uma mesa para o café, e aproximou-se aquela senhora alta e magra, com ar distinto e marcante.
- posso sentar com vocês? não gosto de tomar café sozinha.
perguntou os nossos nomes e nos apresentamos, muito prazer, somos de natal.
ela apresentou-se, sou bárbara heliodora, e uma alegria me percorreu a alma: estava diante da jornalista cujos textos n´o globo tanto apreciava, mais pelo estilo, pois talvez nunca tenha assistido a sequer uma das peças de que ela fazia a crítica. e nem tinha tanto interesse assim pelo teatro, lia pelo estilo e riqueza dos escritos.
e agora ela estava ali, bárbara heliodora.
e ao saber que éramos de natal, tomou o fato como uma madeleine e nos contou essa história.
Fonte: Facebook.com

segunda-feira, 16 de março de 2015

Carta ao Rei Salomão*

Majestade, quanta sabedoria!
Não sei por que, mas ontem à noite, resolvi ler, mais uma vez, as suas sábias lições no Eclesiastes. E a cada nova leitura, fico impressionado como ela é precisa, completa e, principalmente, atual...
Ah! Vossa majestade tem razão: vaidade de vaidades, tudo é vaidade!... E por pura vaidade, não conseguimos enxergar que o tempo é algo fantástico. Tão fantástico que há tempo de tudo debaixo do sol: há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de derrubar, tempo de edificar; tempo de guardar, e tempo de lançar fora...
Há tempo de ser criticado, caluniado, injustiçado; mas há também tempo de perceber, após 720 horas, que as nossas convicções - que foram defendidas de forma séria, correta, sem câmeras e luzes, sem alardes (afinal, “o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade”) -,  tinham razão:  era inútil correr atrás do vento!
Aprendi isso, Majestade, com um poeta de pequenas frases, mas de um profundo ensinamento chamado Mário Quintana-, que certa vez percebeu que era inútil correr atrás das borboletas; cuidar do jardim é que faz com que elas venham até nós...
Pois é Majestade! Há pessoas que fazem um esforço enorme, preferem ir à França para assistirem o pôr-do-sol, quando bastariam recuar um pouco a cadeira, aqui em Natal, para contemplarem o crepúsculo todas as vezes que assim o desejassem... Mas, eu sei: o difícil é ser simples!
Simplicidade, que muitas vezes tem que estar associada à coragem... Coragem de enfrentar os cartéis, os feudos, a desumanidade, a desonestidade, a falta de ética, a impunidade... Coragem de assumir o comando e determinar que fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos pela vida verdadeira...
Coragem, de tomar decisões impopulares, que desagradem a gregos e troianos, e que se for necessário: “Cortem o bebê ao meio e dê um pedaço a cada uma”. Pois só assim, seremos capazes de separarmos o joio do trigo; os farsantes dos verdadeiros; os mercenários dos verdadeiros sacerdotes...
Coragem de entender que o sábio é aquele que procura aprender, mas os tolos são aqueles que estão satisfeitos com a sua própria ignorância. Afinal, majestade, “se você deixar o machado perder o corte e não o afia, terá que trabalhar muito mais. É mais inteligente planejar antes de agir”...
                Coragem, para perceber que se alguém discorda de mim, não é meu inimigo. Essa pessoa, na verdade, me completa, pois me fez enxergar além do copo meio-cheio ou meio-vazio. Fez-me enxergar uma oportunidade de enchê-lo, de esvaziá-lo ou ainda melhor: de oferecer a quem tem sede...
Coragem, Majestade, para enxergar a nossa própria cegueira e ver que o amigo fiel é uma proteção poderosa: quem o encontra, encontra um tesouro de valor incalculável... Afinal, porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas aí do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante...
Coragem, Vossa majestade, de fazer e responder a seguinte pergunta: “ainda há possibilidade de reconciliação?” É claro que há. Embora, as cicatrizes da alma - que são piores do que as cicatrizes queloidianas do corpo-, demorem a desaparecerem, existe um grande antídoto - que não é a Betaterapia, nem muito menos a Corticoterapia, mas sim um simples e maduro pedido de desculpas! Desculpas pela imaturidade; desculpas por não ter-nos escutado... Desculpas! Desculpas!
Afinal, há tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras; há tempo de guerra, e tempo de paz! É preciso saber que o “Ontem já passou, o amanhã ainda não veio, vamos vivenciar o presente”!
Um forte abraço, Majestade, e até a próxima...
*Texto do livro SÍSIFO APAIXONADO, que será lançado pela Editora Sarau das Letras, no dia 26/03/2015, às 18:00h, na livraria Saraiva do Midway Mall, Natal-RN.
Francisco Edilson Leite Pinto Junior– Professor, médico e escritor.

domingo, 15 de março de 2015

DO COTIDIANO EU FAÇO CRÔNICAS - III
SILVIO CALDAS E EU
Por Eduardo Gosson (*)
O amigo Silvio Caldas esta semana que passou resolveu partir para  outra galáxia mais amena. Agora repousa no azul celeste, livre de qualquer entrave.
O meu conhecimento com ele deu-se através  da Poesia. Explico melhor: faz uns 10 anos que prestei uma assessoria à Associação de Magistrados, então presidida pelo então juiz VIRGÍLIO FERNANDES DE MACEDO, hoje desembargador do Egrégio Tribunal de Justiça. Foram criados dois prêmios literários: Prêmio Des. Wilson Dantas (Poesia) e Prêmio  Des. Manoel Onofre (Prosa). Silvio escreveu  os seus poemas, tendo sido o vencedor. Fizeram  parte da Comissão Julgadora os poetas Diógenes da Cunha Lima, Horácio  Paiva e um terceiro que não lembro agora. Fizemos então o comunicado oficial marcando o dia, a hora e o lugar. Foi aí que começou a nossa amizade. Percebi de imediato  que ele tinha o pavio curto: como bom sertanejo não tinha arrodeio. Era direto. Certa vez fui ao seu gabinete no Tribunal  Regional do Trabalho na ala dos desembargadores e na sua porta tinha: Juiz Convocado. Vim saber depois que ele só veio a ser nomeado Desembargador na véspera de se aposentar, pela presidenta Dilma. O motivo: colunista em diversos jornais escreveu um artigo Alibabá e os quarenta ladrões, fazendo comparação com o governo do PT.
Silvio Caldas como todo ser humano tinha o seu lado ameno: a música e a poesia. Tocava piano e poetava. O nosso último contato foi através da poesia: Horácio Paiva me mandou um poema matinal e eu respondi com outro poema que depois teve outro de Silvio, fazendo um diálogo poético. Em homenagem ao amigo que parte reproduzo aqui o seu poema, que está num novo livro meu Poemas e Crônicas (eu não sabia que doía tanto!):
“Poeta é homem de Deus
A  luz não lhe faltará,
Pode até faltar o pão,
Mas a fome passará.
Em cada verso inventado
O poeta se inventa,
Em cada rima ele tenta
Criar um mundo encantado
Ser poeta é dom de Deus,
E o pão de cada dia
Se transmuda em poesia,
Daí esses versos meus”
Descanse em paz meu poeta e escrevas muitos poemas, agora que entrastes no mundo encantado de Deus. Quando o Criador estiver triste, console-o com a sua poesia e o seu piano. O céu então será uma festa sem fim!
Silvio, eu não sabia que doía tanto!
(*) é Poeta.