- 6 março 2015
Espaço para as publicações de Maria Natividade Cortez Gomes e da cidade onde nasceu e faleceu, além de notícias e artigos sobre os bairros da Ribeira, Rocas e do seu entorno.
sábado, 30 de maio de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
Raios que o partam, não os da cabeça de Dona Rosa.
Dona Rosa e o para-raios
Ciduca Barros(**)
Quando nós a conhecemos ela já era uma mulher de meia-idade, viúva, baixinha, gordinha, muito agitada, irritadiça e nervosa, apesar de tratar a todos nós de “meus filhos”. A sua mercearia ficava localizada nas imediações do nosso colégio (GDS) e nós, alunos, comprávamos ali. Ela nos tratava sempre com carinho, mas com medo de ser engabelada nas vendas ficava mais nervosa e muito mais irritada.
Como é do conhecimento de todos, no nosso Seridó, por ocasião do tempo chuvoso, são comuns os raios, relâmpagos e trovões. Assim como estudamos em Física, o raio é a descarga elétrica entre uma nuvem e a terra, acompanhada de relâmpago e trovão. E os raios já fizeram muitas vítimas, não só no Seridó, como no resto do mundo. Portanto, o raio é uma manifestação da natureza muito perigosa.
Certa ocasião, justamente quando a mercearia de Dona Rosa estava cheia de estudantes, com alguns deles querendo uma distração dela para lhe dar um calote, apareceu um cidadão de pasta na mão, aparentando, claramente, no seu aspecto exterior, ser um vendedor, aliás, um caixeiro-viajante, como se dizia naquela época.
Aquele homem era vendedor de para-raios e desejava vender um deles para Dona Rosa, que nunca tinha ouvido falar sobre aquele equipamento. Para-raios é um sistema de condutores metálicos colocados nos pontos mais elevados de edificações e ligados à terra, com o fim de proporcionar um caminho mais fácil às descargas elétricas atmosféricas e evitar danos, inclusive perdas de vidas humanas.
Agora me responda você, caro leitor: como a pobre de Dona Rosa iria entender esta complicada explicação sobre para-raios que o sisudo vendedor tentava lhe dar, com o balcão cheio de jovens clientes duvidosos? Cada um daqueles pequenos era um devedor inadimplente em potencial.
Então, a coisa estava nesse pé: o cara, num canto do balcão, tentava explicar o que era o seu produto e Dona Rosa correndo de um lado para o outro atendendo a sua “perigosa” clientela.
Depois de vários minutos nessa agonia, Dona Rosa parou, encarou o vendedor e disse:
– Meu filho, seja simples e direto. O que realmente o diabo desse equipamento faz?
E foi a desgraça do vendedor, pois com a expressão “simples e direto” na cabeça, querendo demonstrar a grande área de ação do seu produto, ele sintetizou:
– É o seguinte, Dona Rosa! A senhora compra um e instala aqui em seu estabelecimento e se um raio for cair lá no Açude Itans (*) o seu para-raios o atrai.
Esta explicação “simples e direta” foi uma dose muito forte para a ansiosa Dona Rosa. Ela parou, colocou as mãos nos quadris e mostrando a sua ampla e trabalhosa clientela, perguntou:
– Meu filho, você acha que eu vou gastar o meu suado dinheirinho pra trazer raios lá do Açude Itans pra dentro da minha casa?
(*) O Açude Itans é um reservatório artificial construído no leito do Rio Barra Nova, em Caicó, com a finalidade de abastecer aquela localidade
(**) Com post no Blog Bar de Ferreirinha
JBAnota – Dona Rosa era a mãe de Jessé, um rapaz que nessa época era proprietário de uma lambreta, novinha e craque no volante, a dirigia em alta velocidade pelas ruas da cidade.
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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/25/2015 08:51:00 AM
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Um vialejo soprado pela inocência varonil
Por João Bosco de Araújo
Sair assoprando àquela gaita foi uma alegria fascinante, uma experiência ainda não vivida. A não ser em sonho. “Ei, ei, menino, traga isso de volta”. Eu já estava perto de dobrar a esquina da bodega de Abraão, no cruzamento da Seridó com a Augusto Monteiro. O grito do vendedor ambulante não me alcançava, esforço que ele fez saindo ligeiro de seu ponto comercial, em frente ao consultório dentário de Dr. José Dantas, perto do açougue.
O som mágico extraído do pequeno instrumento me deixava flutuando em imaginações, só percebendo sua presença ao ser segurado pelo braço: “Garoto, me devolva esse vialejo”, repetia com voz áspera, surpresa que me constrangia e me embaraçava, ainda entrelaçado pelo som do instrumento na boca.
Sem negócio, ele retorna empunhando a gaitinha que sumiu em sua mão. Eu sigo no caminho de casa, pertinho dali, sem compreender àquela cena inusitada, do impulso imediato de pegar aquele vialejo dentro do balaio e sair, livremente, a tocar, naquele dia de feira livre em Caicó.
O preço foi a decepção de perder a liberdade daquela conquista e saber que aquilo tudo tinha um valor a pagar; além da norma mercadológica, inocência estampada ao pegar o vialejo e sair tocando, em alto som, rua afora, para espanto daquele pobre comerciante de bugigangas.
Santa inocência, justiça seja feita, mas aqueles poucos segundos de instrumentação executados no pequenino vialejo foram de muita felicidade, sensação de puro êxtase musical.
Quer apostar?
Vídeo com Bernardo Prata:
terça-feira, 21 de abril de 2015
UBE/RN quer a criação do Dia Potiguar da Literatura Infanto Juvenil. Eduardo Gosson pede o apoio da Assembléa Legislativa.
DOCUMENTO 01 -
Excelentíssimo Senhor
DEPUTADO EZEQUIEL FERREIRA
DD. Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte
Senhor Presidente:
A União Brasileira de Escritores – UBE-RN, fundada em 14 de agosto de 1959, vem localmente e nacionalmente, desde o seu primeiro presidente Raimundo Nonato da Silva, desenvolvendo CAMPANHAS em defesa do LIVRO, da LEITURA, da LITERATURA e das BIBLIOTECAS com a convicção de que o Estado do Rio Grande deve se tornar um estado leitor e, dessa forma, dar a sua contribuição para que o Brasil também se torne um país de leitores. A última Campanha foi desenvolvida faz dois anos através da colocação de banners em pontos estratégicos da cidade e contou com a participação de diversas entidades, tendo sido, inclusive, apoiada pelo Tribunal de Justiça do RN. Na época, o slogan utilizado foi o seguinte: “Presentear com livros é muito bom. De autor potiguar, melhor ainda”.
Decorrido algum tempo daquela iniciativa, precisamos fazer um balanço do reflexo daquelas ações, corrigir rumos, incorporar novos parceiros e avançar em direção aos objetivos propostos, reeditando campanhas que possam dar continuidade a esse ideal. Dentre outros posicionamentos, por exemplo, pensamos que o ideal seria que um dia, no Brasil, o preço do livro venha a ser igual ao de um litro de leite e que as edições cheguem a um milhão de exemplares, como na velha Rússia.
Então, o livro precisa ser valorizado e ter o seu acesso democratizado a uma quantidade cada vez maior de leitores.
De suma importância é que o livro infantil e juvenil possa estar cada vez mais presente no recesso do lar das pessoas e que seja muito mais valorizado nas escolas das redes de ensino do estado.
Pensando nisso, observamos que hoje existem duas datas para se comemorar o livro infantil: o dia 02 de abril, eleito como o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO INFANTOJUVENIL (natalício do escrito dinamarquês Hans Christian Andersen) ; e o dia 18 de abril, considerado como o DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTOJUVENIL (natalício do escritor brasileiro Monteiro Lobato).
Dessa forma, a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, pretende encaminhar aos nobres deputados estaduais do RN (ao tempo em que pede o apoio aos vereadores de Natal) um projeto de lei no sentido de que o dia 08 DE SETEMBRO seja consagrado no calendário do Rio Grande do Norte como sendo o DIA POTIGUAR DO LIVRO INFANTOJUVENIL (ou como sendo o DIA DA LITERATURA INFANTOJUVENIL POTIGUAR..... decidir qual dos dois...)
A proposta desta data se prende ao fato de que essa é o dia do natalício da escritora potiguar Nati Cortez (08/09/1914-1989), pela sua grande contribuição ao gênero. Ela foi a primeira escritora potiguar que se dedicou a escrever para crianças e para os jovens.
Exatamente por essa razão, e no intuito desse reconhecimento, a UBE/RN criou dentro do seu plano editorial a Coleção Nati Cortez (infantojuvenil), tendo já inaugurado essa coleção com a publicação de sua peça “O maribondo amoroso”. Além dessa peça, a autora escreveu várias obras destinadas a esse público, de forma pioneira no estado. Por isso, ela pode ser considerada como “a mãe da nossa literatura infantojuvenil”, o que a credencia a ser a patrona da data de 08 de setembro como o DIA POTIGUAR DA LITERATURA INFANTOJUVENIL.
Por tudo o que foi exposto, a UBE/RN convida Vossa Excelência a ser o padrinho desta ideia junto ao Poder Legislativo, o que enobrece e valoriza o livro infantojuvenil produzido aqui no estado, e também se reveste de grande significação cultural para a nossa literatura, ao tempo em que homenageia e reconhece o trabalho de uma de nossas mais diletas autoras.
Na certeza de sua atenção e sensibilidade para a presente proposta, desde já apresentamos os nossos agradecimentos.
Natal/RN, 22 de Abril de 2015
Eduardo Antonio Gosson
Vice-Presidente no exercício da presidência da UBE-RN
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Ambientalistas lançam documentário sobre o rio Potengi.
O filme será lançado dia 24 em duas sessões abertas ao público e aborda a relação das pessoas com o rio e esclarece o desastre que matou 40 toneladas de peixes em 2007
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Fotos por assessoria: divulgação
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No dia 24 deste mês acontece a pré-estreia do documentário Rio Contado, dos analistas ambientais Airton De Grande e Alvamar Queiroz. O evento, que será realizado no auditório do Ibama, conta com duas sessões abertas ao público: às 14h e 19h. Na véspera, no dia 23 às 14h30, haverá uma exibição exclusiva para a imprensa. O filme, de 1h40, mostra a relação das pessoas com um dos principais rios do Rio Grande do Norte, o que dá nome ao estado, o Rio Potengi. Segundo Alvamar Queiroz, para quem o rio faz parte da própria vida, “O poder público ainda não deu a atenção que o Potengi precisa. Rio Contado é um recado claro para as autoridades."
Resultado de uma produção independente, o filme é dirigido pelo documentarista Airton De Grande, mestre em Multimeios pela Unicamp. "Logo percebemos que abordar apenas a temática ambiental deixaria o filme triste e entediante. O que dá vida ao rio e, consequentemente, ao documentário, são as
pessoas que moram em suas margens", aponta De Grande. A equipe percorreu, durante dois anos e meio, cerca de 1,5 mil km e ouviu mais de 100 pessoas desde a sua nascente em Cerro Corá, passando por São Tomé, Barcelona, São Paulo do Potengi, São Pedro, Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante até chegar à sua foz, em Natal.
No decorrer do percurso do Potengi, cerca de 180 Km, eles registraram as diferentes visões e a memória dos ribeirinhos, que recriam a vida do Potengi através de histórias inusitadas, lembranças de infância, melodias saudosas e até relatos fantásticos, como casos de assombração e de um navio fantasma. O filme mostra também a importância das águas do Potengi para a população e como a urbanização e o progresso o agridem, retirando sua areia, jogando lixo e esgoto em seu leito - todas as cidades, da nascente à foz, lançam esgotos no Potengi. Em Ielmo Marinho, por exemplo, a retirada descontrolada de areia do rio provocou o rebaixamento do lençol freático, deixando os agricultores sem água em suas terras.
A narrativa é estruturada em 17 blocos que permitem ao espectador acompanhar tanto o deslocamento do rio pelo estado quanto as temáticas que abrange, como economia, cultura, religião, lendas, etc. Além de populares, foram entrevistados também intelectuais e acadêmicos, como os jornalistas Vicente Serejo e Woden Madruga, o fotógrafo Giovanni Sérgio, o artista plástico Dorian Gray Caldas, a historiadora Fátima Martins Lopes, que alternam saborosos depoimentos pessoais com registros históricos.
O filme traz à tona também um caso que ainda permanece envolto numa espécie de mistério: o desastre ambiental do estuário do Potengi, em 2007, quando morreram 40 toneladas de peixes. Com base em depoimentos e documentos inéditos disponibilizados pela Polícia Federal e Ibama, o documentário reconstrói o episódio, que está entre os maiores acidentes ambientais do Brasil. Na ocasião, a culpa recaiu sobre a fazenda de camarões do grupo Veríssimo & Filhos. Porém, as informações agora reveladas pelo filme mostram que os responsáveis foram outros. E que até o momento permanecem incólumes. "O rio tem muitas histórias bem contadas, mas esta estava mal contada. A população precisava conhecer o desfecho dessa história, que tinha detalhes até hoje escondidos", esclarece De Grande. [por assessoria de imprensa]
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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 4/16/2015 08:25:00 P
segunda-feira, 13 de abril de 2015
bárbara heliodora, quem diria, tinha uma frustração relativa ao rio grande do norte.
nos anos 40, câmara cascudo deu ao pai dela uma coleção de textos de peças, algumas em italiano, integrantes do repertório teatral que, até os anos 60, os circos que perambulavam pelo interior do nordeste apresentavam como segunda parte do espetáculo diário.
a coleção representava um tipo de "elo perdido" entre a tradição teatral européia e os circos brasileiros. muitos deles nasceram pelas mãos de ciganos europeus, ou migrantes italianos, como o famoso Nerino,
quem viveu em alguma cidade do interior do brasil até os anos 60 deve lembrar-se de A louca do jardim, ou da Paixão de Cristo, peças icônicas do teatro circense.
eram de peças como essas a coleção doada por cascudo à mais importante crítica teatral brasileira. foi vendo-a que bárbara heliodora cresceu.
só que, em algum maldito momento, talvez em meio a alguma mudança, a coleção se perdeu, para tristeza e frustração de bárbara que, de sobrepeso, ainda se lamentava de não ter conhecido cascudo pessoalmente.
bom, essa história quem contou foi a própria bárbara heliodora, a mim e à repórter Sheyla Azevedo, em 2000, quando participávamos de um seminário em são paulo. mal tomamos uma mesa para o café, e aproximou-se aquela senhora alta e magra, com ar distinto e marcante.
- posso sentar com vocês? não gosto de tomar café sozinha.
- posso sentar com vocês? não gosto de tomar café sozinha.
perguntou os nossos nomes e nos apresentamos, muito prazer, somos de natal.
ela apresentou-se, sou bárbara heliodora, e uma alegria me percorreu a alma: estava diante da jornalista cujos textos n´o globo tanto apreciava, mais pelo estilo, pois talvez nunca tenha assistido a sequer uma das peças de que ela fazia a crítica. e nem tinha tanto interesse assim pelo teatro, lia pelo estilo e riqueza dos escritos.
ela apresentou-se, sou bárbara heliodora, e uma alegria me percorreu a alma: estava diante da jornalista cujos textos n´o globo tanto apreciava, mais pelo estilo, pois talvez nunca tenha assistido a sequer uma das peças de que ela fazia a crítica. e nem tinha tanto interesse assim pelo teatro, lia pelo estilo e riqueza dos escritos.
e agora ela estava ali, bárbara heliodora.
e ao saber que éramos de natal, tomou o fato como uma madeleine e nos contou essa história.
Fonte: Facebook.com
segunda-feira, 16 de março de 2015
Carta ao Rei Salomão*
Majestade, quanta sabedoria!
Não sei por que, mas ontem à noite, resolvi ler, mais uma vez, as suas sábias lições no Eclesiastes. E a cada nova leitura, fico impressionado como ela é precisa, completa e, principalmente, atual...
Ah! Vossa majestade tem razão: vaidade de vaidades, tudo é vaidade!... E por pura vaidade, não conseguimos enxergar que o tempo é algo fantástico. Tão fantástico que há tempo de tudo debaixo do sol: há tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de derrubar, tempo de edificar; tempo de guardar, e tempo de lançar fora...
Há tempo de ser criticado, caluniado, injustiçado; mas há também tempo de perceber, após 720 horas, que as nossas convicções - que foram defendidas de forma séria, correta, sem câmeras e luzes, sem alardes (afinal, “o sujeito que esbraveja está a um milímetro do erro e da obtusidade”) -, tinham razão: era inútil correr atrás do vento!
Aprendi isso, Majestade, com um poeta de pequenas frases, mas de um profundo ensinamento chamado Mário Quintana-, que certa vez percebeu que era inútil correr atrás das borboletas; cuidar do jardim é que faz com que elas venham até nós...
Pois é Majestade! Há pessoas que fazem um esforço enorme, preferem ir à França para assistirem o pôr-do-sol, quando bastariam recuar um pouco a cadeira, aqui em Natal, para contemplarem o crepúsculo todas as vezes que assim o desejassem... Mas, eu sei: o difícil é ser simples!
Simplicidade, que muitas vezes tem que estar associada à coragem... Coragem de enfrentar os cartéis, os feudos, a desumanidade, a desonestidade, a falta de ética, a impunidade... Coragem de assumir o comando e determinar que fica decretado que agora vale a verdade, agora vale a vida e de mãos dadas marcharemos pela vida verdadeira...
Coragem, de tomar decisões impopulares, que desagradem a gregos e troianos, e que se for necessário: “Cortem o bebê ao meio e dê um pedaço a cada uma”. Pois só assim, seremos capazes de separarmos o joio do trigo; os farsantes dos verdadeiros; os mercenários dos verdadeiros sacerdotes...
Coragem de entender que o sábio é aquele que procura aprender, mas os tolos são aqueles que estão satisfeitos com a sua própria ignorância. Afinal, majestade, “se você deixar o machado perder o corte e não o afia, terá que trabalhar muito mais. É mais inteligente planejar antes de agir”...
Coragem, para perceber que se alguém discorda de mim, não é meu inimigo. Essa pessoa, na verdade, me completa, pois me fez enxergar além do copo meio-cheio ou meio-vazio. Fez-me enxergar uma oportunidade de enchê-lo, de esvaziá-lo ou ainda melhor: de oferecer a quem tem sede...
Coragem, Majestade, para enxergar a nossa própria cegueira e ver que o amigo fiel é uma proteção poderosa: quem o encontra, encontra um tesouro de valor incalculável... Afinal, porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas aí do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante...
Coragem, Vossa majestade, de fazer e responder a seguinte pergunta: “ainda há possibilidade de reconciliação?” É claro que há. Embora, as cicatrizes da alma - que são piores do que as cicatrizes queloidianas do corpo-, demorem a desaparecerem, existe um grande antídoto - que não é a Betaterapia, nem muito menos a Corticoterapia, mas sim um simples e maduro pedido de desculpas! Desculpas pela imaturidade; desculpas por não ter-nos escutado... Desculpas! Desculpas!
Afinal, há tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras; há tempo de guerra, e tempo de paz! É preciso saber que o “Ontem já passou, o amanhã ainda não veio, vamos vivenciar o presente”!
Um forte abraço, Majestade, e até a próxima...
*Texto do livro SÍSIFO APAIXONADO, que será lançado pela Editora Sarau das Letras, no dia 26/03/2015, às 18:00h, na livraria Saraiva do Midway Mall, Natal-RN.
Francisco Edilson Leite Pinto Junior– Professor, médico e escritor.
domingo, 15 de março de 2015
DO COTIDIANO EU FAÇO CRÔNICAS - III
SILVIO CALDAS E EU
Por Eduardo Gosson (*)
O amigo Silvio Caldas esta semana que passou resolveu partir para outra galáxia mais amena. Agora repousa no azul celeste, livre de qualquer entrave.
O meu conhecimento com ele deu-se através da Poesia. Explico melhor: faz uns 10 anos que prestei uma assessoria à Associação de Magistrados, então presidida pelo então juiz VIRGÍLIO FERNANDES DE MACEDO, hoje desembargador do Egrégio Tribunal de Justiça. Foram criados dois prêmios literários: Prêmio Des. Wilson Dantas (Poesia) e Prêmio Des. Manoel Onofre (Prosa). Silvio escreveu os seus poemas, tendo sido o vencedor. Fizeram parte da Comissão Julgadora os poetas Diógenes da Cunha Lima, Horácio Paiva e um terceiro que não lembro agora. Fizemos então o comunicado oficial marcando o dia, a hora e o lugar. Foi aí que começou a nossa amizade. Percebi de imediato que ele tinha o pavio curto: como bom sertanejo não tinha arrodeio. Era direto. Certa vez fui ao seu gabinete no Tribunal Regional do Trabalho na ala dos desembargadores e na sua porta tinha: Juiz Convocado. Vim saber depois que ele só veio a ser nomeado Desembargador na véspera de se aposentar, pela presidenta Dilma. O motivo: colunista em diversos jornais escreveu um artigo Alibabá e os quarenta ladrões, fazendo comparação com o governo do PT.
Silvio Caldas como todo ser humano tinha o seu lado ameno: a música e a poesia. Tocava piano e poetava. O nosso último contato foi através da poesia: Horácio Paiva me mandou um poema matinal e eu respondi com outro poema que depois teve outro de Silvio, fazendo um diálogo poético. Em homenagem ao amigo que parte reproduzo aqui o seu poema, que está num novo livro meu Poemas e Crônicas (eu não sabia que doía tanto!):
“Poeta é homem de Deus
A luz não lhe faltará,
Pode até faltar o pão,
Mas a fome passará.
Em cada verso inventado
O poeta se inventa,
Em cada rima ele tenta
Criar um mundo encantado
Ser poeta é dom de Deus,
E o pão de cada dia
Se transmuda em poesia,
Daí esses versos meus”
Descanse em paz meu poeta e escrevas muitos poemas, agora que entrastes no mundo encantado de Deus. Quando o Criador estiver triste, console-o com a sua poesia e o seu piano. O céu então será uma festa sem fim!
Silvio, eu não sabia que doía tanto!
(*) é Poeta.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Ângela Paiva recebe título de sócia benemérita da ALAM de Martins
A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângela Maria Paiva Cruz, receberá nesse sábado, 14, o título de Sócia Benemérita da Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM). Esse procedimento ocorre com cidadãos que se destacam nas áreas de atuação da Academia, como educação, cultura, cidadania, literatura e outros.
A cerimônia, a ser presidida pela Presidente da Associação, Taniamá Vieira da Silva Barreto, acontecerá às 20h, no Auditório da Casa de Cultura de Martins, região serrana do Rio Grande do Norte (RN) e marca as comemorações de aniversário da ALAM.
Além da prefeita de Martins, Olga Chaves Fernandes de Queiroz Figueiredo, prestigiam a cerimônia o Presidente da Academia de Cordelistas de Mossoró, Gualter Alencar Couto.
Trajetória de Ângela Paiva
Natural de Martins, ÂNGELA MARIA PAIVA CRUZ é a sexta filha do casal Cecília Augusta de Paiva e Cícero de Paiva Chaves. Casada e mãe de dois filhos (Michelle Paiva Cruz e Anderson Paiva Cruz), escolheu a “arte de ensinar” antes de ingressar na docência superior, por meio da qual há mais de três décadas contribui para a construção de um país, uma região e um Rio Grande do Norte mais justo e desenvolvido.
FORMAÇÃO
Bacharel em Matemática, mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), há 32 anos exerce a docência na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua, concomitante, no ensino de graduação e de pós; na pesquisa, extensão e na gestão universitária.
Sua formação básica e superior é na educação pública. De 1964 a 1967 cursou os primeiros anos do ensino fundamental na escola rural Grupo Escolar Manoel Lino de Paiva, em Martins, município da Região Oeste do Rio Grande do Norte (RN). O fundamental maior, chamado de ginasial, foi feito no período de 1968-1971 na Escola Estadual Dr. Joaquim Inácio, na mesma cidade. E foi, entre o ensino fundamental e médio, que se descobriu encantada pela Matemática.
Na década de 60 do século XX mudou-se para estudar em Natal, capital potiguar. Cursou o ensino médio na Escola Estadual Winston Churchill e optou pela área de ciências exatas, prestando vestibular em 1974. Ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1975, para cursar Matemática. Licenciou-se Bacharel em Matemática em julho de 1980 e em dezembro do mesmo ano recebeu o diploma de Licenciatura em Matemática. Além do mérito estudantil de “melhor aluno da turma” do bacharelado, exerceu a monitoria na graduação.
A DOCÊNCIA
Aprovada em primeiro lugar em concurso público, a partir de 1982 ingressa no magistério superior, para a área de Metodologia da Ciência e de Lógica, do Campus Santa Cruz da UFRN. Desenvolveu trabalho em diferentes disciplinas no Campus Santa Cruz e no campus central, em Natal. Ângela Paiva tem, portanto, uma formação interdisciplinar e considera “essencial suprir a necessidade permanente de qualificação para o exercício da docência”.
VIDA ACADÊMICA
Em 1991 foi removida para o campus central da UFRN, em Natal, e, enquanto ministrava várias disciplinas no Departamento de Filosofia, articulava, junto aos demais docentes, a criação do Grupo de Estudos Avançados em Lógica e contribuiu para a elaboração do projeto de criação do Programa de Pós- Graduação em Filosofia. Coordenou, à época, a Semana de Filosofia e da Semana de Humanidades da UFRN, assim como bases de pesquisa e colaborou para seminários sobre Lógica, Epistemologia e Filosofia da Linguagem, entre outros. Desenvolveu atividades na pós-graduação, publicou obras e, a partir de 2003, Ângela Maria Paiva Cruz envereda pela gestão universitária, assumindo a vice-direção do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).
Passa, desde então, a se dedicar à alta gestão da UFRN quando, em 2007, assumiu a vice-reitoria em junho de 2007, acumulando a coordenação do Programa de reestruturação da UFRN, o REUNI. Candidatou-se reitora em 2010 e, eleita, assumiu o mandato em 28/05/2011, permanecendo até 28 de maio de 2015. Reeleita, em novembro de 2014, assumirá maio próximo o seu segundo mandato na UFRN, até meados de 2019.
A homenageada frisa que as atividades na administração universitária sempre estiveram presentes em sua vida, mesmo nos períodos em que ensino, pesquisa e extensão eram prioritárias. “Em quase toda minha vida acadêmica estive participando de colegiados, conselhos e comissões, discutindo, propondo e avaliando as políticas acadêmicas, sempre buscando dar o melhor de mim para contribuir para o desenvolvimento institucional”, declarou Ângela Paiva.
Enquanto reitora modernizou a gestão universitária, por meio de transformações planejadas. Deu continuidade ao crescimento físico da instituição; à expansão da oferta do ensino de graduação e de pós, implementando os Programas de Interiorização e Internacionalização da UFRN. Em consequência, a instituição vem colhendo bons resultados acadêmicos e há três anos consecutivos é avaliada pelo MEC, como a melhor instituição pública superior federal no Norte e Nordeste do Brasil. A UFRN também figura como a instituição de ensino superior mais lembrada pelos norte-rio-grandenses, conforme pesquisa de mercado realizada pelo Jornal Tribuna do Norte.
A reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângela Maria Paiva Cruz, receberá nesse sábado, 14, o título de Sócia Benemérita da Academia de Letras e Artes de Martins (ALAM). Esse procedimento ocorre com cidadãos que se destacam nas áreas de atuação da Academia, como educação, cultura, cidadania, literatura e outros.
A cerimônia, a ser presidida pela Presidente da Associação, Taniamá Vieira da Silva Barreto, acontecerá às 20h, no Auditório da Casa de Cultura de Martins, região serrana do Rio Grande do Norte (RN) e marca as comemorações de aniversário da ALAM.
Além da prefeita de Martins, Olga Chaves Fernandes de Queiroz Figueiredo, prestigiam a cerimônia o Presidente da Academia de Cordelistas de Mossoró, Gualter Alencar Couto.
Trajetória de Ângela Paiva
Natural de Martins, ÂNGELA MARIA PAIVA CRUZ é a sexta filha do casal Cecília Augusta de Paiva e Cícero de Paiva Chaves. Casada e mãe de dois filhos (Michelle Paiva Cruz e Anderson Paiva Cruz), escolheu a “arte de ensinar” antes de ingressar na docência superior, por meio da qual há mais de três décadas contribui para a construção de um país, uma região e um Rio Grande do Norte mais justo e desenvolvido.
FORMAÇÃO
Bacharel em Matemática, mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), há 32 anos exerce a docência na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atua, concomitante, no ensino de graduação e de pós; na pesquisa, extensão e na gestão universitária.
Sua formação básica e superior é na educação pública. De 1964 a 1967 cursou os primeiros anos do ensino fundamental na escola rural Grupo Escolar Manoel Lino de Paiva, em Martins, município da Região Oeste do Rio Grande do Norte (RN). O fundamental maior, chamado de ginasial, foi feito no período de 1968-1971 na Escola Estadual Dr. Joaquim Inácio, na mesma cidade. E foi, entre o ensino fundamental e médio, que se descobriu encantada pela Matemática.
Na década de 60 do século XX mudou-se para estudar em Natal, capital potiguar. Cursou o ensino médio na Escola Estadual Winston Churchill e optou pela área de ciências exatas, prestando vestibular em 1974. Ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) em 1975, para cursar Matemática. Licenciou-se Bacharel em Matemática em julho de 1980 e em dezembro do mesmo ano recebeu o diploma de Licenciatura em Matemática. Além do mérito estudantil de “melhor aluno da turma” do bacharelado, exerceu a monitoria na graduação.
A DOCÊNCIA
Aprovada em primeiro lugar em concurso público, a partir de 1982 ingressa no magistério superior, para a área de Metodologia da Ciência e de Lógica, do Campus Santa Cruz da UFRN. Desenvolveu trabalho em diferentes disciplinas no Campus Santa Cruz e no campus central, em Natal. Ângela Paiva tem, portanto, uma formação interdisciplinar e considera “essencial suprir a necessidade permanente de qualificação para o exercício da docência”.
VIDA ACADÊMICA
Em 1991 foi removida para o campus central da UFRN, em Natal, e, enquanto ministrava várias disciplinas no Departamento de Filosofia, articulava, junto aos demais docentes, a criação do Grupo de Estudos Avançados em Lógica e contribuiu para a elaboração do projeto de criação do Programa de Pós- Graduação em Filosofia. Coordenou, à época, a Semana de Filosofia e da Semana de Humanidades da UFRN, assim como bases de pesquisa e colaborou para seminários sobre Lógica, Epistemologia e Filosofia da Linguagem, entre outros. Desenvolveu atividades na pós-graduação, publicou obras e, a partir de 2003, Ângela Maria Paiva Cruz envereda pela gestão universitária, assumindo a vice-direção do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).
Passa, desde então, a se dedicar à alta gestão da UFRN quando, em 2007, assumiu a vice-reitoria em junho de 2007, acumulando a coordenação do Programa de reestruturação da UFRN, o REUNI. Candidatou-se reitora em 2010 e, eleita, assumiu o mandato em 28/05/2011, permanecendo até 28 de maio de 2015. Reeleita, em novembro de 2014, assumirá maio próximo o seu segundo mandato na UFRN, até meados de 2019.
A homenageada frisa que as atividades na administração universitária sempre estiveram presentes em sua vida, mesmo nos períodos em que ensino, pesquisa e extensão eram prioritárias. “Em quase toda minha vida acadêmica estive participando de colegiados, conselhos e comissões, discutindo, propondo e avaliando as políticas acadêmicas, sempre buscando dar o melhor de mim para contribuir para o desenvolvimento institucional”, declarou Ângela Paiva.
Enquanto reitora modernizou a gestão universitária, por meio de transformações planejadas. Deu continuidade ao crescimento físico da instituição; à expansão da oferta do ensino de graduação e de pós, implementando os Programas de Interiorização e Internacionalização da UFRN. Em consequência, a instituição vem colhendo bons resultados acadêmicos e há três anos consecutivos é avaliada pelo MEC, como a melhor instituição pública superior federal no Norte e Nordeste do Brasil. A UFRN também figura como a instituição de ensino superior mais lembrada pelos norte-rio-grandenses, conforme pesquisa de mercado realizada pelo Jornal Tribuna do Norte.
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quarta-feira, 11 de março de 2015
Amanhã, 12, posse de novos sócios na UBE/RN.
C O N V I T E E S P E C IA L
14 de Março é Dia Nacional da Poesia
A UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORERS – UBE/RN , o INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE - IHGRN e a ACADEMIA NORTE-RIO-GRANDENSE DE LETRAS-ANL convidam Vossa Excelência/Vossa Senhoria para Sessão Solene de entrega de Diploma de Sócio Efetivo aos novos associados da UBE-RN. Após o evento haverá um sarau no Largo Desembargador Vicente de Lemos, oportunidade em que será comemorado o DIA DA POESIA. Traga seu poema preferido para recitá-lo.
A data foi criada em homenagem a CASTRO ALVES, poeta brasileiro nascido em 14 de março de 1847, que ficou conhecido como o poeta dos escravos por ter lutado arduamente pela abolição da escravatura no Brasil.
Tomarão posse na União Brasileira de Escritores- UBE/RN os confrades e as confreiras a seguir relacionados na classe dos Sócios Efetivos:
Aline Pereira Gurgel
Carlos Rostand de França Medeiros
Cícero Martins de Macedo Filho
Diulinda Garcia de Medeiros Silva
Dione Maria Caldas Xavier
Eulália Duarte Barros
Gilvânia Machado
Geraldo Ribeiro Tavares
Ion de Andrade
José Ivam Pinheiro
José Evangelista Lopes
José de Castro
Liacir dos Santos Lucena
Luiz Gonzaga Cortez Gomes de Melo
Maria Audenôra das Neves Silva Martins
Moacir de Lucena
Odúlio Botelho Medeiros
Lucimar Luciano de Oliveira
Rinaldo Claudino de Barros
Tânia Mara Silva de Lima
Thiago Gonzaga dos Santos
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DATA: 12 de março (quinta-feira)HORA: 18h às 20h - LOCAL: INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN – IHGRN - Rua da Conceição, 622 – Centro
UBE-RN- Roberto Lima de Souza - Presidente
IHGRN - Valério Mesquita– Presidente
ANL - Diógenes da Cunha Lima- Presidente
sábado, 7 de março de 2015
Música alta pode levar um bilhão de jovens a surdez; saiba como se proteger
O barulho está por toda a parte. Mas a epidemia de ruído dos dias atuais acontece, no entanto, em silêncio. Mais especificamente dentro dos fones de ouvido.
Ninguém está a salvo dela, mas o problema, que já se tornou crônico, afeta particularmente os jovens.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que 1,1 bilhão de jovens em todo o mundo correm risco de sofrer perda auditiva devido à exposição ao barulho causada por seus hábitos diários.
Nos países desenvolvidos, a situação é tão grave que, de acordo com estimativas, mais de 43 milhões de pessoas, entre 12 e 35 anos, já sofrem de surdez incapacitante.
Em um relatório publicado por ocasião do Dia Internacional do Cuidado Auditivo, comemorado na última terça-feira, 3 de março, a OMS estimou que 50% dessa faixa etária (12 a 35 anos) está exposta a riscos pelo uso excessivo de tocadores de mp3 e smartphones, e 40% pelos níveis de ruído prejudiciais de discotecas e bares.
Mas como saber quando estamos causando danos, talvez irreversíveis, a nossos ouvidos?
Especialistas avaliam que 85 decibéis (dB) até 8 horas é o nível máximo de exposição sem riscos a que um ser humano pode se submeter. Esse período de tempo diminui na medida em que a intensidade do som aumenta.
Não se trata de uma tarefa fácil, especialmente considerando que o volume de dispositivos de áudio pessoais, como tocadores de mp3, pode variar entre 75 dB e 136 dB no nível máximo.
O relatório da OMS recomenda, contudo, que as pessoas usem esses aparelhos não mais do que uma hora por dia e a um volume baixo.
Já em discotecas e bares, os níveis de ruído podem variar entre 104 dB e 112 dB. De acordo com os parâmetros determinados pelo órgão da ONU, permanecer mais de 15 minutos nesses locais não é seguro. O mesmo se aplica em instalações esportivas, onde o nível de ruído oscila entre 80 dB e 117 dB.
Segundo médicos, a exposição a esses ambientes provoca cansaço nas células sensoriais auditivas. O resultado é a perda temporária da audição ou acúfeno (sensação de zumbido no ouvido).
A capacidade auditiva melhora na medida em que as células se recuperam, mas quando "os sons são muito fortes ou a exposição ocorre regularmente ou de forma prolongada, as células sensoriais e outras estruturas podem ser danificadas permanentemente, causando uma perda irreversível da audição", informa a OMS.
Para se ter uma ideia, uma pessoa que ouve 15 minutos de música a 100 dB está exposta a níveis semelhantes de ruído aos níveis enfrentados por um operário que trabalhe oito horas por dia a 85 dB.
Exposição segura ao som
Confira o volume máximo de exposição ao som que a OMS considera seguro:
- 85 dB: nível de ruído no interior de um carro. Tempo máximo seguro: oito horas.
- 90 dB: cortador de grama. Tempo máximo seguro: Duas horas e 30 minutos.
- 95 dB: ruído médio de uma motocicleta. Tempo máximo seguro: 47 minutos.
- 100 dB: buzina de um carro ou metrô. Tempo máximo seguro: 15 minutos.
- 105 dB: tocador de mp3 no volume máximo. Tempo máximo seguro: Quatro minutos.
No relatório, a OMS também fez algumas recomendações para quem pretende proteger a audição. São elas:
- Mantenha o volume baixo.
Regule o volume de seu tocador de mp3 para que nunca exceda 60% do volume total. Use tampões de ouvido toda vez que for a um evento onde o ambiente seja extremamente barulhento, como discotecas ou bares.
- Limite o tempo gasto em atividades barulhentas.
A duração da exposição ao ruído é um dos principais fatores por trás da perda de audição. É aconselhável fazer breves descansos auditivos e limitar a uma hora diária o uso de fones de ouvido.
- Preste atenção aos níveis seguros de exposição ao ruído.
Use a tecnologia dos smartphones para ajudá-lo a medir os níveis de exposição ao ruído.
- Preste atenção aos primeiros sinais de perda de audição.
A OMS recomenda procurar imediatamente um médico se houver dificuldades para ouvir sons agudos, como campainha, telefone ou despertador, ou entender a conversa por telefone e até mesmo em ambientes barulhentos.
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