segunda-feira, 27 de maio de 2013

Uma potiguar de Assu brilhando no Ceará.

 Ela é neta de Maria Natividade Cortez Gomes e filha de Cleando Cortez Gomes e Salete Simonetti Gomes.

sábado, 25 de maio de 2013

Questão de estética



Meus avós paternos mudaram-se para Natal na década de 1960, a fim de acompanhar os filhos que já se encontravam por lá, estudando. Moraram na Deodoro e, por fim, na Cônego Leão Fernandes, logradouros coincidentemente transversais da rua Mossoró.
O velho se chamava Jerônymo Lahyre de Mello Rosado. Farmacêutico e inspetor de ensino, além de boêmio inveterado, tinha vastos conhecimentos gerais e uma memória prodigiosa. No aniversário de 90 anos, três antes de nos deixar, recitou poemas de Augusto dos Anjos e explicou as declinações do Latim. Tranquilo, conciliador, era dono de um senso de humor singularíssimo, entre a gaiatice e a ingenuidade.
A jovem atendia pelo nome de Francisca Gurgel da Frota Rosado. Dona de casa, dedicou dias e noites numa máquina de costura para ajudar a garantir a educação dos filhos. Nasceu em Pau dos Ferros e lamentava-se por não conhecer a própria terra, de onde saiu criança. Braba, austera, talentosa, assisti-a ministrar cursos de pintura de vitrais - até pintei uma arara sob sua orientação - e de congelamento de alimentos, coisa inovadora no Rio Grande do Norte da época. Deixou-nos aos 87.
Faz algumas semanas, conversei sobre os dois com Ernani Rosado, logo após receber do primo uma joia de família, da qual me nomeou guardião vitalício: o caderno original dos poemas manuscritos por Jerônimo Rosado Filho, avô de Ernani, meu bisavô, acompanhado da obrigação de romper seu ineditismo, missão a ser brevemente cumprida.
Rosadinho, só para ilustrar, foi o primeiro dos 21 "numerados" de Seu Rosado, embora não tenha recebido um número por nome. Médico humanitário, poeta, colaborador de vários jornais, autor da tese "Da Bacilemia", morreu no verdor dos 30 anos.
Disse-me Ernani, na mesma oportunidade em que me designou curador da obra, que, ao se mudar da Deodoro para a Cônego Leão Fernandes, dona Francisca plantou várias samambaias em jarros e xaxins. 
As plantas eram tratadas a pão de ló - sol, adubo, água fresca -, mas não se desenvolviam nem por cem e uma cocada, enquanto as da vizinha, embora sem cuidados, eram enormes, pomposas, com aqueles galhos viçosos que pareciam "trançados de cordas", fazendo jus à origem tupi de sua denominação: çama-mbai.
Certa feita, à mesa do jantar, família reunida, ela desabafou. Disse, um muito amargurada, desconhecer por qual motivo suas "pteridófitas" não respondiam ao tratamento, enquanto as da casa ao lado só faltavam falar.
Eis que o velho Lahyre, meio sem jeito, fez uma inesperada confissão e pôs fim ao mistério. Quando as samambaias começavam a crescer, para impedi-las de ultrapassar a circunferência dos jarros, ele, na melhor intenção de agradar à mulher, passava-lhes a faca, por "questão de estética".
Moral da história: o gosto, já dizia Edgar Allan Poe, é o único juiz da beleza.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Médico conta histórias.

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A obra traz ilustrações do autor que revela “próxima publicação é um romance”
Foto capa livro: Divulgação
O lançamento do livro “O Contador de Histórias”, escrito por Belmir Lopes (75), acontecerá na próxima sexta-feira (24), às 19h, na Livraria Saraiva, no terceiro piso do Midway Mall. Na ocasião estarão expostas algumas telas do autor, que além de escritor, é médico cirurgião aposentado e artista plástico.
A obra traz ilustrações feitas pelo próprio autor e é uma coletânea de vários contos, alguns deles são causos contados para o autor, outros se relacionam a sua própria vivência. “Uns têm influência folclórica, cujas histórias têm a finalidade de deixar vivo o nosso folclore”, comentou Belmir.
Ele assina outra publicação (2008) sob o título “Capitão de Ouro, a Saga de Filomeno Lopes”, que conta a biografia de seu pai, capitão do exército e ourives, entremeando acontecimentos históricos como a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo, e a Segunda Guerra Mundial.
Além dos dois livros o autor revela ter um terceiro pronto para publicação, desta vez um romance. “Resolvi me dedicar à literatura após a minha aposentadoria por ser uma atividade que mantém minha cabeça ativa, assim como a pintura”, conta o escritor.
Serviço
Lançamento do livro “O Contador de Histórias”
Quando: 24/05 (Sexta-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria Saraiva, 3º piso do Midway Mall (Natal)
Jornalista Émille Araújo
(84) 32083412


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 5/22/2013 04:05:00 PM

Poesia e subjetividade:representações poéticas do corpo na Escola. Fonte: Google.


GT-21: CAMINHOS DO CORPO
Coordenadores:
Edson César Ferreira Claro
Teodora de Araújo Alves
Departamento de Artes
Local: Sala 19 do DEART
01. CORPOS EM-CENA: UM ESTUDO SOBRE DRAGS QUEENS
Anne Christine Damásio
Departamento de Ciências Sociais/PPGCS/UFRN
O projeto que pretendemos apresentar surge quando da observação participante para dissertação do mestrado, intitulada: Ilhas de Lesbos: uma cartografia do desejo orgíaco feminino em espaços de lazer. Dentro dos espaços que analisamos nos deparamos com sujeitos que transgrediam explicitamente e através do corpo a fronteira construída entre sexo/gênero.  A sociedade como um todo, eivada de representações sociais, irá considerar o corpo sexuado e as práticas sexuais enquanto fundantes no processo de identificação do humano. Ao observarmos  transgênero percebemos que ele desfaz as polaridades e hierarquias, revelando oassujeitamento ao “verdadeiro sexo”, causando claramente um desassossego. A escolha do objeto nos remete, dentre outras coisas, ao questionamento das supostas evidências identitárias, sociais e biológicas. Pois percebemos que é a identidade e nesse caso em particular, a identidade de gênero que institui sua própria imagem.

02. A PERFORMANCE DO CABOCLO DE LANÇA: UM ESTUDO SOBRE A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A PREPARAÇÃO CORPORAL DO ATOR
Maria Cristina da Silva Pereira
DEART/UFRN
Essa pesquisa é uma investigação sobre a performance  corporal do caboclo de lança do maracatu – rural pernambucano. Através do estudo da gestualidade desse personagem buscamos elementos que pudessem contribuir para a formação do ator, mas especificamente na sua preparação corporal. Para efeito da pesquisa, nosso principal instrumental metodológico foi o sistema de analise do domínio do movimento de Rudolf Laban. O material disponível para as nossas observações foram imagens do objeto de estudo disponibilizados em fitas de vídeo e CD Rom.
03. POESIA E SUBJETIVIDADE: REPRESENTAÇÕES POÉTICAS DO CORPO NA ESCOLA
Cynthia Larissa M.  Cortez
Departamento de Pedagogia/UFRN
Teodora Alves/Orientadora/DEART/UFRN
O trabalho aqui inscrito teve início com observações da prática de ensino/estágio com alunos do primeiro ciclo de uma escola pública de Natal/RN. Na referida prática buscamos conhecer em primeiro lugar o aluno e o mesmo conhecer o professor numa relação dialógica em que um não se efetiva sem o outro. A partir de tal experiência, de caráter prático-investigativo,  objetivamos promover/reconhecer a unidade corpo e mente, através do contato com a poesia e seu ritmo. Para tanto, optamos pela ampliação do conceito de poesia como pressuposto para que esse objetivo acontecesse, bem como considerando a corporeidade como expressão e da formação da subjetividade plural e concreta. Nessa ampliação do conceito de poesia encontramos através do diálogo com Morin e outros autores, a necessidade de trazermos para sala de aula uma “hiperpoesia”, a partir da qual outras interrogações vão perfazendo o caminho. Nesse sentido, fizemos tentativas em encontrá-la na poesia em movimento. Seguindo esse caminho, a corporeidade e sua expressão poética foi apresentada na prática, como representação de poemas e estórias trabalhadas com as crianças. De um modo geral, vivenciamos/interpretamos/descrevemos sinais das subjetividades, que demonstraram também o que caracteriza a metodologia da pesquisa-ação como descritiva. Apresentando a poesia como linguagem diversa e de múltiplos canais de expressão, realizamos uma revisão bibliográfica, onde abordamos a questão da poesia como necessidade do jogo social, do mesmo modo que o movimento. Nesse contexto, tivemos a necessidade de trazer a dança, também como jogo social em movimento e como um dos possíveis elos para alcançar a nossa busca pela essência do ser humano, bem como em trabalhar os potenciais humanos de forma lúdica. Trilhando esse caminho descobrimos também a necessidade de o professor rever suas próprias atitudes dualistas, as quais muitas vezes impede um olhar mais efetivo sobre a corporeidade de seus alunos no processo ensino-aprendizagem. O conteúdo vivencial, se apresentaentão como de essencial relevância, para que possamos, "dançar com o poema jogado em sala de aula".
04. O EXPERIMENTO COMO CAMINHO PARA O FAZER DA DANÇA
Emmanuela Regina de Azevedo Costa
DEART/UFRN
Prof Es. Leonardo Rocha da Gama – DEART/UFRN
O Grupo de Dança Experimental (GRUDE) se reuniu pela primeira vez em 1999, com intuito quase espontâneo de fazer dança. Esta fase de ação espontânea foi amadurecendo ao longo desse tempo e deu origem a segunda e atual fase denominada referencialização, nessa etapa o GRUDE passou a buscar o conhecimento no seu sentido lato. Em ambas as fases o experimentar foi o foco das ações, seja no fazer da dança enquanto uma experiência, no sentido estrito, seja na organização do conhecimento que cerca esse fazer e o descobrir de outras linguagens como poesia e teatro. É objetivo desse trabalho apontar os caminhos que constituem o experimentar do GRUDE. Entendemos o experimentar não como uma doutrina, mas, como uma possibilidade para o exercício criativo, uma ação de conhecer, produzir e expandir a linguagem da dança de uma forma coletiva. A importância dessa intervenção se constitui principalmente pelo perfil dos integrantes do grupo: quatro professores de Educação Física e uma arte-educadora da rede municipal de educação, três alunos de Artes Cênicas, um de Música e um de Educação Física, todos da UFRN; juntos buscando além do fazer artístico, ampliar seus conhecimentos e melhorar a qualidade do fazer educativo no contexto escolar e não escolar através do experimento referencializado. O experimento parte da aplicação do conhecimento produzido por Laban, Viola SpolinTchkov e Stanislavsk. Esse estudo é realizado através de uma pesquisa-ação em processo.
05. A DANÇATERAPIA: UM CAMINHO PARA A CORPOREIDADE
Gabriela Olivar de Oliveira Santos
 graduanda do curso de Comunicação Social – Jornalismo, na UFRN, e Tecnologia em Lazer e Qualidade de Vida, no CEFET-RN].
O tema corporeidade sucita discussões bastante pertinentes no que diz respeito ao homem enquanto sujeito (construtor) e objeto (construído) do mundo em que vive. O assunto deve ser explorado e analisado de forma interdisciplinar, já que o entendimento do corpo como matéria e espírito, existência e essência, numa constante dicotomia, só é alcançado com muitas e diversas reflexões biológicas, culturais e sociais. A presente pesquisa acadêmica é bibliográfica e trata especificamente da questão da dançaterapia, uma técnica de autoconhecimento corporal através da dança, como um dos caminhos para se obter a corporeidade em sua essência. O estudo baseia-se, quase totalmente, no trabalho de Maria Fux, profissional da dança e uma das precursoras da técnica. E teve como objetivos específicos caracterizar a dançaterapia; conceituar a corporeidade; analisar a influência da dança na recuperação da auto-estima e na melhora da auto-imagem eautopercepção e analisar a influência da dançaterapia no processo educacional. O estudo despertou grande interesse pelas várias possibilidades que o corpo oferece enquanto discussão fenomenológica, que abrange a filosofia, a antropologia e outras ciências. A relevância pessoal consiste no interesse em aprimorar um repertório sobre práticas de qualidade de vida através da dança. Socialmente, pode vir a ser uma vertente para futuras pesquisas que desejem se aprimorar mais na temática da dançaterapia enquanto caminho para a corporeidade, já que o seguinte trabalho não constitui uma análise tão profunda do tema. Concluiu-se que a dançaterapiaé um caminho para o entendimento do corpo na medida em que, com os próprios movimentos, o indivíduo percebe-se e percebe também seu ritmo, sua essência, seu interior e sua subjetividade. A corporeidade vem de encontro à dualidade sensível/inteligível imposta, principalmente na sociedade ocidental, e reafirma o homem como tendo um corpo que pensa, sente, reage, dança, movimenta-se, vivencia o lúdico e, vale ressaltar, cria símbolos e significados, deixando marcas para a construção da posteridade, e isso não de forma segmentada, mas constantemente inter-relacionada.
06. CORPORALIDADE: REPRESENTAÇÕES E SEXUALIDADE DO CORPO FEMININO
Maria das Dores Honório
Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais/UFRN
Esta comunicação apresenta pesquisa em andamento que tem como objetivo investigar a construção de representações de corpo e sua relação com a sexualidade, em adolescentes de 14 a 17 anos, do sexo feminino, de camadas populares. Partindo da concepção de corpo como uma construção cultural e social específica de cada cultura, sociedade e/ou classe social, pretendemos investigar essa construção, localizando significados/representações do corpo e sua relação com a sexualidade enquanto linguagem na construção de gênero.
07. UM OLHAR PARA AS RAINHAS DRAGÕES
Pedro Vieira da Costa Filho.
Departamento de Antropologia da UFRN.
O ovo da Rainha Dragão é meu trabalho acadêmico na graduação em antropologia (urbana e visual). Nele descrevo os seres andróginos de hábitos noturnos. O interesse dessa pesquisa é dar visibilidade, principalmente, às drag queens. Andando pelas boates e eventos gay deste 2000, capto imagens através de fotografias, em Natal. Focalizo na observação e descrição dos signos e comportamentos que os caracterizam enquanto tribos urbanas. Esse movimento crescente existente hoje em dia, se dá pelas aberturas em vários meios sociais, artísticos e políticos mundiais. Na pesquisa exponho a visualidade drag, com suas características específicas. Defendo o ser drag queen enquanto uma produção de arte, com peculiaridades nas modalidades do teatro, da dança e das artes visuais, conectado com o mundo da moda e da criação artística. O que mais me chama a atenção são as drags com a tendência top model de ser: cabelos, roupas e maquiagens inspiradas nas modelos e coleções das famosas passarelas. Ao mesmo tempo em que, também, lançam formas de ser e de se produzir pois ousar e criar é o tema das drags.
08. COMUNICAÇÃO SEM LIMITES: A CORPOREIDADE DO ATOR COMO EIXO DO PROCESSO CRIATIVO NA MONTAGEM DO EXPERIMENTO TEATRAL “COMO ANJOS”
Sandro Souza Silva
Departamento de Comunicação Social /UFRN
Teodora Alves/Orientadora/DEART/UFRN
As transformações culturais que emergiram solidamente no século XX, dentre outros fatores, limitam a compreensão do fenômeno da comunicação humana aos meios tecnológicos de transmissão de informação de massa. "Estes meios são tão poderosos e importantes em nossa vida atual que às vezes esquecemos que representam uma mínima parte de nossa comunicação total" (BORDENAVE,1982, p.18). Mas o que seria essa comunicação total? Como pensar o homem através da comunicação? Podemos nos remeter a um enorme número de signos, que originam diversas formas de linguagens e que expõem um universo comunicacionalirrestrito que não deve ser confundido nem limitado pela lógica capitalista do lucro e do consumo. Na contemporaneidade, existe um culto ao corpo que exalta, em primeiro lugar, a estética e o padrão de beleza mistificado pela sociedade. Este trabalho apresenta a possibilidade de um encontro com uma visão diferenciada a respeito do corpo e da comunicação humana através do teatro. Encontrei nas raízes do trabalho do ator uma descoberta da corporeidade humana que vem das heranças culturais e se estrutura como técnica teatral, explorando a comunicação de diversas maneiras e possibilitando repensá-la e vivenciá-la de forma ampla e direta. A pesquisa traz uma discussão que parte da realização de um experimento teatral cujo foco principal foi o trabalho de ator, baseado em estudos a cerca da Antropologia Teatral de Eugênio Barba e de autores contemporâneos como ArtaudGrotowiskBurnier e Ferracine, que propõem uma criação cênica a partir da corporeidade humana, buscando uma energia e presença capaz de transmitir verdade e “vida” em estado de representação.
09. MEXE-MEXE: DAS BRINCADEIRAS DE CRIANÇA ÀS PRÁTICAS TEATRAIS
Weid Sousa da Silva
Departamento de Artes/CCHLA/UFRN
Este projeto, ainda que inicial, trabalha com as crianças do Curso de Iniciação Artística – CIART/EMUFRN, de faixa etária entre 06 e 10 anos, a partir de brincadeiras pertencentes as suas cultura e realidade, para a partir deste contato com elementos próprios e/ou conhecidos delas, perceberem o teatro e suas linguagens. É necessário que a criança se perceba e não entre em “amarras e couraças” que venham sofrer pela sociedade, diante desta situação, a escola torna-se um dos lugares mais propício para esta percepção, por ter contatos, principalmente, com crianças outras crianças, e é neste espaço lúdico que ela pede para ser livre, poder se expressar e pensar como criança, percebendo seu corpo e suas sensações. Acredito que as brincadeiras são formas lúdicas de socialização e quebra de rotina já estabelecida na vida destas crianças, além de liberta-la corporalmente, sendo assim mais fácil aderir ao processo teatral, aguçando sua sensibilidade para a vida.
10. O ESPETÁCULO DOS ``METALEIROS´´ EM FORTALEZA: CENÁRIOS E ENCENAÇÕES CORPORAIS
Abda de Souza Medeiros
Universidade Federal do Ceará
A apresentação trata da relação entre o rock pesado e o estilo corporal (gestos, adereços e vestimentas) a partir da pesquisa realizada com duas bandas de Fortaleza que estão agregadas à Associação Cultural Cearense do Rock (ACR). A pesquisa foi iniciada em maio de 2001 e se concluída em novembro de 2004. O trabalho de campo consistiu em idas a shows das bandas, observação e registro das apresentações, participações nas reuniões da ACR, conversas informais e entrevistas com os integrantes das bandas. Os resultados da pesquisa mostraram que o corpo é por eles utilizado como extensão da música à qual se dedicam e que conformam um estilo de vida próprio.

Um poema para Francisco, meu tio-avô

O poema abaixo foi escrito por Leonardo Cavalcanti, e foi dedicado ao seu primo Luiz Carlos Avelino da Trindade. Faz parte do livro "Poesia sem perdão", editado em Recife, 1998. Leonardo é filho do Doutor Francisco Ivo Cavalcanti e Martha Trindade. Francisco, que dá título ao poema, era irmão de meu avô Miguel Francisco da Trindade e de André Avelino Trindade, ambos filhos de João Felippe da Trindade e Francisca Ritta Xavier da Costa. Gente de Angicos.
Luiz Carlos é filho de André Avelino da Trindade, segundo do nome, e Lourdes Batista.
André completa em 2013, a idade de 102 anos, muito lúcido.

De Maria da Penha, meu avô teve quatro filhos.
Viúvo dela, da Penha, com Izabel teve muitos.
João morreu ao casar-se, em plena lua-de-mel, 
e a viúva Pureza (pureza de corpo e alma)
preservou-se - vive pura.
Alfredo foi de Chiquinha,
Francisca, de Zacharias,
Onofre casou com Ana Firmino
e ao depois com Concebida,
que naqueles ermos fôra, 
é possível e é provável, 
concebida sem pecados.
José, chamado Dedé, esposou sua Didi.
David dormiu com Margot
durante anos seguidos.
Pedro desposou Betinha e André, Lourdes Batista,
que, vejam (mundo pequeno), era prima do meu pai.
Mário se deu a Tereza,
irmã da moça Elita com que se casou Joaquim.
Manoel encarou Judith, 
durou pouco, não deu certo
-deu certo com Nazareth.
Josefa ficou viúva bem cedo, fatalidade,
e destinou-se com Cícero.
Maria Rita, que teve na hora de seu batismo
o nome da sua avó,
aboliu Rita do nome,
casou com Antonio Tibúrcio,
mas foi sempre e só Trindade.
Maria tem sete filhos,
meus primos apreciados.
Martha, a caçula, se uniu ao doutor Francisco Ivo,
homem maduro e preclaro.
Miguel firmou com Lourdinha,
depois de rodado e gasto,
pacto perante o juiz.
Mas foi a irmã Izabel, 
por batismo é Anna,
quem deu o lance mais certo
-entregou-se a Jesus Cristo,
homem declarado e visto
como o dono do universo.
Cinco manos teve ele, meu avô André Trindade:
Miguel, Joaquim, Francisco, Ana e Maria Rosa. 
Francisco nasceu doente,
menino ausente ou distante do mundo
que era seu (do mundo ausente ou distante?),
e entre nós, os Trindade,
Francisco é sempre presente em todas as gerações.
Como admiro Francisco!
Tenho o sentir de que Francisco é o resumo de tudo,
de toda a formidável inevitabilidade da sucessão.
Somos tantos, hoje, absurdamente lúcidos e sãos.
entretanto, sem piedade de mim, sou racionalmente
FRANCISCANO.

Postado por João Felipe da  Trindade

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Uma viagem ao paraíso do litoral norte potiguar.


Foto: Elias Medeiros
No próximo dia 19 de maio (domingo), a Associação Potiguar de Fotografia (Aphoto) vai realizar uma Expedição Fotográfica para registrar as belezas das Dunas do Rosado, no Litoral Norte potiguar, saindo às 06 horas da manhã, do Foto Practical, por trás da Igreja do Galo, em Natal.
 
Antes de chegar às Dunas do Rosado, os aventureiros fotógrafos vão parar e registrar o Centro Histórico da cidade de Açu. O almoço será realizado no município de Porto do Mangue, cidade à beira mar que também será fotografada.
 
Expedição Fotográfica
Dia | 19 de maio (domingo)
Saída | 06h00
Valor | R$ 60,00 (sócio) / R$ 100,00 (não-sócio)
Bate e volta em ônibus confortável com ar, wc e tv
Informações: 3211-5436

domingo, 12 de maio de 2013

"Não troco meu "oxente" pelo "ok" de ninguém".


 DE ARIANO SUASSUNA


*Esse tal de rocambole*
*Esfirra, nissin, miojo*
*Quer-me ver cuspi com nojo*
*Ofereça-me um rizole*
*Prefiro uma fruta mole*
*Beliscada do vem-vem*
*Feijão de corda xerem*
*Canjica com leite quente*
*Eu não troco meu oxente*
*Pelo ok de ninguém*
  *Tomar wiski importado*
*Na taça pra ser bacana*
*Sou mais um gole de cana*
*Num caneco enferrujado*
*Não sou muito refinado*
*Nem tenho inveja também*
*Druris conhaque almadem*
*Prefiro minha aguardente*
*Eu não troco meu oxente*
*Pelo ok de ninguém*
  *Esses verbetes do inglês*
*Que usam no dia a dia*
*Não me trazem simpatia*
*Estragam meu português*
*Vou ser sincero a vocês*
*Sou muito mais meu quinem*
*Adonde, prumode, eim?*
*Acho mais inteligente*
*Eu não troco meu oxente*
*Pelo ok de ninguém*
  *Eu não falo REDBUL*
*Prefiro touro vermelho*
*MIRROR pra mim é espelho*
*BLUE BIRD pássaro azul*
*Bonito e não BEAUTIFU*
*Falo dez em vez de TEN*
*BABY pra mim é neném*
*E HOT pra mim é quente*
*Eu não troco meu oxente*
*Pelo ok de ninguém*
  *Não gosto de pancadão*
*Nem de RAP improvisado*
*HIP HOP pé quebrado*
*Sem métrica e sem oração*
*Sou muito mais gonzagão*
*No forró do xem nhem, nhem*
*Gosto de aboio e também*
*De um baião de repente*
*Eu não troco meu oxente*
*Pelo ok de ninguém*
  **
*Não troco o meu "oxente" pelo "ok" de ninguém!*
*Ariano Suassuna* <http://pensador.uol.com.br/autor/ariano_suassuna/>

Woden Madruga e uma carta do poeta José Bezerra Gomes


Andando pelas letras

Tribuna do Norte

Jornal de WM

Publicação: 12/05/13

Maio começou num bom embalo. Quinta houve o lançamento do livro de Nei Leandro de Castro, Pássaro sem sono, e na noite seguinte foi a vez de Viva Luiz Damasceno!. Segunda, amanhã, começa mais uma edição do projeto “Ação Leitura”, bolado pela Editora Jovens Escribas, a mesma que editou Pássaro sem sono. O mote do projeto é “Ler pode ser muito divertido”. E é. O “Ação Leitura” está trazendo de fora um pessoal da melhor qualidade. No time, por exemplo, o Daniel Galera, cujo romance Barba ensopada de sangue, li com garra e muito prazer. Nascido em São Paulo, mas vivido no Rio Grande do Sul, o Daniel Galera é um dos bons nomes do novo romance brasileiro. Tem pouco mais de 30 anos de idade.

A abertura do Ação Leitura será amanhã, coisa das 19 horas, no auditório da UnP, da Floriano Peixoto, com um bate-papo entre Clotilde Tavares e Pablo Capistrano. Na mesma ocasião o pessoal prestará uma homenagem a Nei Leandro de Castro que receberá o Prêmio Parágrafo, patrocinado pelo Sesc e os Jovens Escribas. Nos dias seguintes, outros papos, oficinas, palestras em escolas, divulgando o lema “Mais que aprender, leitura é lazer”. Na programação incluem-se música e teatro

As oficinas literárias serão ministradas por Daniel Galera, a poeta Ana Elisa Ribeiro, de Minas, o escritor mineiro Sérgio Fantini, o escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder,  a escritora e atriz Clotilde Tavares. No dia 17, terça-feira, Daniel Galera estará na Livraria Nobel, da Salgado Filho, para autografar o seu romance Barba ensopada de sangue, edição da Companhia de Letras. Semana gorda num maio alvissareiro.

Voltemos ao lançamento do livro de Nei Leandro, entre os espaços fidalgos do Solar Bela Vista, de onde se vê as luzes sobre o Potengi amado. Andei por lá, voltando a subir a rua São Tomé onde morei pelo final dos anos 50, casa na esquina com a rua Auta de Souza. Bons papos no Solar, enquanto o autor autografava. Quando eu cheguei, Alex Nascimento já tinha ido embora. Numa mesa estavam Maria Emília Wanderley, Leda Guimarães, Sandra de Nei, Margarida e Robério Seabra de Moura, Diógenes da Cunha Lima, Carlos Castilho e o editor e livreiro Abimael Silva com mil planos para novos livros. Noutro canto vi o poeta Volontê conversando com o escritor Aldo Lopes. Em outra sala, lá vai indo Clotilde Tavares tirando um fino em Mário Ivo. Não vi Marize Castro. Desconfio que ela continua em Dublin, dublando.

Fui puxar um papo com Moacy Cirne. Tácito Costa se aproximou e a conversa  foi fluindo, Moacy revelando seu fascínio pelas leituras que anda fazendo da Bíblia. Está num verdadeiro encantamento. Leitura cuidadosa, debulhada e degustada. Já fez mais de 500 anotações, primeiros desenhos de um livro que começou a escrever, sem prazo para terminar. Os comentários estão sendo anotados, lá se vão, se ouvi bem, mais de 200 páginas já escritas. O poeta na maior vibração nesse seu reencontro bíblico e fazendo jus à barba de profeta hebreu e acentuado sotaque seridoense.

Maio vai bem no andar das letras com a bênção de todos os anjos.

Velhas cartas

Volto mexer nos velhos papéis jogados nas gavetas desarrumadas. Encontro uma carta do poeta José Bezerra Gomes, dirigida a Aluízio Alves. É de 13 de janeiro de 1982, postada em Natal. Fico em dúvidas: já não publiquei a carta aqui? Bom, se publiquei (a memória escorrega) vou repetir a dose. Não é toda hora que se depara com uma carta de Zé Bezerra Gomes, o poeta e  escritor.

Vamos lá:

“Ao Senhor

Dr. Aluisio Alves

Tribuna do Norte – Suplemento Literário da

Av. Tavares de Lira, 101/105

Natal – RN -59.000

Prezado confrade Dr. Aluisio Alves

Saudações cordiais:

Retorno ao Suplemento Literário da Tribuna do Norte, com uma nota bibliográfica, de minha autoria, refeita, sobre “Angione Costa, Autodidata e Mestre”, encarecendo-lhe vosso beneplácito, para divulgação, na forma solicitada.

Fi-la, por sugestão de um amigo, Prof. da UFRN, em cujo meio universitário permanece, negligentemente. Ignorado tão ilustre nome da inteligência produtiva norte-rio-grandense: João Angione Costa, natalense de nascimento.

Antecipo-me agradecido pela publicação, solicitada, à vista da presente carta, firmando-me de V. Excia. confrade e admirador,

José Bezerra Gomes  - Autor”

Na lauda, datilografada, José Bezerra Gomes, além de assinar a carta, imprimiu o seu carimbo: “José Bezerra Gomes, Advogado. Rua dos Pajeús, 1730 – Alecrim. Natal – RN – CEP 59.000”.

Quem é João Angione Costa? No artigo de José Bezerra Gomes, ele surge como arqueólogo, sociólogo e indianista, natalense nascido na Rua dos Tocos “atual Princesa Isabel, numa casa, no final da rua, da qual avistava o mar”.  A Tribuna publicou o artigo? Não sei, não me lembro. O original está nos meus papéis espalhados. Qualquer domingo desses publicarei aqui.

Poesia

“Olhai olhando olhai/ a lua cheia/ a terra úmida grávida/ orvalhada // A chuva chovendo no mar/ O sol nascendo do mar // Olhai olhando olhai / O cio das andorinhas/ o andar das sacras procissões // Olhai olhando olhai/ o olhar da Virgem virgem Maria// entre flores/ aureolada/ por moças/ de meu país encantado // O voo do nambu/ o canto da seriema // O mugir mugido da vaca/ perscrutai vaqueiro perscrutai // O olho do vagalume/ o olho encantado/ do vagalume encantado //De meu  país/ de meu país encantado // O balir balido da ovelha/ o balir balido da ovelha // Perscrutai pastor perscrutai”. (De José Bezerra Gomes, no poema Ducado, em Antologia Poética, livro organizado por Luís Carlos Guimarães, com posfácio de Moacy Cirne, publicado pela Fundação José Augusto, 1975).

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Dia do Livro Infantil.


 DIA DO LIVRO INFANTIL – NOTA DA UBE-RN

A União Brasileira de Escritores – UBE-RN vem lembrar que hoje, dia 18, comemora-se O Dia do  Livro  Infantil e do nascimento  do  escritor Monteiro Lobato, criador de inúmeros personagens que se incorporaram ao imaginário cultural brasileiro, como tia Anastácia, imortalizada no Sítio do Pica Pau Amarelo.
Por outro lado, se congratular com diversas entidades da sociedade civil, que ao longo  desta última década vem se preocupando com as atividades do livro e da leitura, impulsionando o Poder Público a  elaborar os Planos do Livro e da Leitura,  que agora começam a sair do papel,nas esferas Federal, Estadual e Municipal.
Natal-RN, 18 de abril de 2013

            Presidente: Eduardo Antonio Gosson

          1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa

          2ª Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto

         Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho,

         1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira

         2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho

        1º Tesoureiro: Jania Maria Souza da Silva

        2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos

        Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira

        Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto

        Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes

segunda-feira, 15 de abril de 2013

UBE/RN faz reunião para apreciar estatuto.


Edital para Assembléia Geral Extraordinária


                                        Fica Vossa Senhoria convocado a comparecer à Assembleia Geral Extraordinária da UBE-RN às 16h, do dia 18 de Abril (quinta-feira), em primeira convocação e às 16h30 em segunda convocação conforme preceitua o artigo 14, parágrafo 2, letra d, do Estatuto, com a finalidade de apreciar e deliberar sobre a seguinte ORDEM DO DIA:

1.       Reforma estatutária
Artigos a serem modificados: 5ª, parágrafo 1º; art. 12; art 15;art.16 – c; art.20;art.26 e art. 28.
 Local: Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – à Rua Mipibu, 443 – Petrópolis
Data: 18 de Abril de 2013 (quinta-feira)
Hora: 16h – 1ª Convocação  e  16h30 em 2ª
                                                          Eduardo Antonio Gosson
                                                                 Presidente

terça-feira, 2 de abril de 2013


Autor potiguar: preconceito e falta de respeito
Armando Negreiros, médico e presidente da Academia de Medicina do RN (armandoanegreiros@hotmail.com)
                O escritor norte-rio-grandense que é autor de livro sofre forte discriminação de algumas livrarias locais. A do aeroporto é a mais radical, pois não permite a venda de nenhum livro de autor local, mesmo que isso não implique em nenhuma despesa, pois os livros são deixados em consignação e o lucro é de trinta por cento. É uma tal de “só de ler”... autores de fora. Tenho a desconfiança de que se for flagrado um autor natalense em suas dependências eles expulsam.
                A “Siciliano” criou um local para autores regionais, mas vez por outra escondia os livros em locais inencontráveis, alegando falta de espaço. Foi vendida à “Saraiva” e, pasmem os senhores, permaneceram todos os livros, menos os dos autores regionais. E os livros foram devolvidos aos seus autores? Nada! Houve prestação de contas dos livros vendidos? Nonada! E, já que a “Siciliano” extinguiu-se, qual o destino desses livros! Contarei uma história inacreditável sobre o paradeiro desses livros.
                Como estava com três títulos em consignação (“Poucas e boas 3”, “A folga da dobra” e “Na companhia dos imortais”) e na transferência da “Siciliano” para a “Saraiva” não fui informado de nada, fui até a “Saraiva” para saber por onde andavam os meus desprezados livros consignados. Deram-me, então, um telefone de uma senhora. Liguei várias vezes, ela nunca tinha tempo para procurar os meus exemplares. Mas, acabou me dando um endereço. Semanas depois liguei para marcar uma visita, mas já era outra funcionária. Esta disse que só me atenderia por e-mail. Não era possível por telefone, pois era um procedimento padrão da empresa. Concordei. Mandei e-mail e mensagem telefônica. Resposta? Nenhuma! Nem meus telefonemas ela atendia mais. Após várias semanas resolvi ir até o local. Não pelo valor dos livros, mas por uma questão de princípios.
Fui até o escritório na avenida Alexandrino de Alencar, no térreo de um edifício residencial, vizinho à padaria Boca de Forno (à direita de quem está entrando), próximo a avenida Ruy Barbosa (aliás, Zacarias Monteiro, naquele trecho). Havia em torno de oito a dez funcionários. Indaguei quem era a senhorita “X”. Apontaram-me para uma moça que se encontrava ao telefone. Num intervalo entre as intermináveis ligações identifiquei-me e ela disse-me que estava ocupada, que não poderia me atender. Foram quarenta minutos de espera e nada. Neste ínterim fiquei sabendo que ali era um escritório da “Claro”, cujo dono é filho do dono da Siciliano, segundo informações colhidas no próprio local. Descobri também uma estante cheia de livros de autores regionais. Calmamente, procurei os meus... debalde. Descobri um quarto anexo e adentrei-o. Uns vinte metros quadrados cheio de caixas. Dois gentis funcionários avisaram-me que eram mais livros de autores locais. Vou procurar os meus! afirmei com esperança. Em pouco tempo achei dois títulos, num total de quinze exemplares. Estavam consignados mais de trinta livros. Botei debaixo do braço e agradeci a ajuda dos funcionários. Deram-me um protocolo para eu assinar, ocasião em que questionei sobre os que estavam faltando. Não sabemos informar, foi a resposta.
A senhorita “X” continuava na sua vocação para telefonista ininterrupta. Resolvi avisá-la que havia recuperado parte do meu patrimônio, dirigi-me a ela:
- Senhorita “X” em cinco minutos encontrei os meus livros que a senhorita não conseguiu encontrar durante meses. Já estou aqui há mais de uma hora e a senhorita não teve a menor consideração para com um indivíduo muito ocupado, médico, advogado, membro de duas academias e, ainda por cima, um velho, pois já estou com sessenta e dois anos de idade e pensei que mereceria a mais mínima consideração! Vou fundar uma empresa para maltratar os meus clientes e a senhorita será contratada para ser a gerente geral!
A cena seguinte foi inacreditável. A senhorita “X”, bem jovem, levantou-se e gritou espumando de ódio:
- Esse seu currículo é uma merda! Vá você e suas academias pro inferno!
Ato contínuo, histericamente, começou a querer chorar, única ocasião em que perdi um pouco a paciência:
- Engula o choro! Pois uma pessoa estúpida e ignorante como você não pode chorar, a não ser por fingimento!
Imediatamente ela engoliu o choro. Chegando em casa fui ao site da Siciliano. Não encontrei local para contar essa história. Tinha lá um lugar, mais ou menos assim – “Deixe aqui a sua ideia”. Contei o ocorrido, tem mais ou menos um mês e não recebi resposta.
ATENÇÃO, AUTORES POTIGUARES, VÃO BUSCAR OS SEUS LIVROS CONSIGNADOS NA LIVRARIA SICILIANO!!! O endereço é: Avenida Alexandrino de Alencar, no térreo de um edifício residencial, vizinho à padaria Boca de Forno (à direita de quem está entrando), próximo a avenida Ruy Barbosa (aliás, Zacarias Monteiro, naquele trecho). O telefone é 9131-9500. O e-mail é: talita.alencar@artetelecom.com.br

segunda-feira, 1 de abril de 2013


O poema e a poesia

Por Luiz Alberto Machado, editor do Guia de Poesia na Internet 

Falar de poesia num tempo tão sem poesia é, deveras, quase falar balela. No entanto, apesar de tanta insensibilidade, tanta mediocridade, tanta barbárie, insiste-se no sentimento do ser humano na forma como realmente ele deve ser: humano.
Entenda-se que a insensibilidade, a mediocridade e a barbárie sempre se fizeram presentes no inventário humano, o que nos deixa, por conclusão, que não é nenhuma novidade resistir. Se sempre fora adversa a realidade com relação ao sentimento humano, não será agora, que tudo se redima de uma vez. A gente vai continuar resistindo mesmo que a indiferença seja plena e que os ouvidos e toda percepção humana se torne uma parede gélida de inumanidade.
Pois bem, antes de mais nada, gostaria de fazer menção ao fato de que diversos estudantes tem recorrido a este Guia, solicitando a diferença entre poema e poesia. Então, aproveito tal interesse para trocar umas idéias a respeito.
Inicialmente, na tentativa de esclarecer o que é o poema, faço uso da definição dada pelo eminente escritor Assis Brasil:
"Poema é o 'objeto' poético, o texto onde a poesia se realiza, é uma forma, como o soneto que tem dois quartetos e dois tercetos, ou quatorze versos juntos, como é conhecido o soneto inglês. Um poema seria distinto de um texto ou estrofes. Quando essa nomenclatura definitiva é eliminada, passando um texto a ser apresentado em forma de linhas corridas, como usualmente se conhece a prosa, então se pode falar em poema-em-prosa, desde que tal texto (numa identificação sumária e mecânica) apresente um mundo mais ´poético` ou seja, mais expressivo, menos referente à realidade. A distinção se torna por vezes complexa. (...) a poesia pode estar presente quer no poema que é feito com um certo número de versos, quer num texto em prosa, este adquirindo a qualidade poema-em-prosa".
Já poesia, Assis Brasil define como:
"(...) uma manifestação cultural, criativa, expressiva do homem. Não se trata de um ´estado emotivo`, do deslumbre de um pôr-do-sol ou de uma dor-de-cotovelo; é muito mais do que isso, é uma forma de conhecimento intuitivo, nunca podendo ser confundido o termo poesia com outro correlato: o poema".
Daí fica claro que um é o objeto e, o outro, a manifestação. E para não ficar tão simplista, possibilitando maior amplitude, considere-se outras observações, a meu ver, pertinentes. Aristóteles, por exemplo, em sua Poética, tratou sobre o assunto:
"(...) não é ofício de poeta narrar o que aconteceu; é sim, o de representar o que poderia acontecer, quer dizer: o que é possível segundo a verossimilhança e a necessidade. (...) a poesia é algo de mais filosófico e mais sério do que a história, pois refere aquela principalmente o universal, e essa o particular. (...) Daqui claramente se segue que o poeta deve ser mais fabulador que versificador; porque ele é poeta pela imitação e porque imita ações".
Sobre esta visão aristotélica, Ariano Suassuna considerou que a poesia, no sentido grego, significa criação:
"(...) como espírito criador que se encontra na raiz de todas as artes. (...) A poesia seria o espírito criador que se encontra por trás de todas as artes literárias, sejam estas realizadas através da prosa ou do verso".
Assim, poesia é "o ritmo e a imagem, principalmente a metáfora".
Ampliando mais a discussão, no que concerne ao que pensam determinados poetas do que seja, na verdade, a poesia.
Vejamos pois, o que pensa, por exemplo, Maiakovsky:
"A poesia começa onde existe uma tendência. (...) A poesia é uma indústria: das mais difíceis e das mais complicadas, mas, apesar disso, uma indústria. Aprender o ofício de poeta não é aprender o modo de preparar um tipo definido e limitado de obras poéticas, mas sim, o estudo dos meios de todo o trabalho poético, o estudo das práticas dessa indústria que ajudam a criar outros. (...) O trabalho do poeta deve ser quotidiano, a fim de melhorar a técnica, e acumular reservas poéticas".
Eliot, por outro lado, defende que:
"(...) A poesia pode ter um significado social deliberado e consciente. (...) Podemos observar que a poesia difere de qualquer outra arte por ter para o povo da mesma raça e língua do poeta um valor que não tem para os outros. (...) nenhuma arte é mais obstinadamente nacional do que a poesia (...) a poesia que é o veículo do sentimento".
E arremata: "A poesia é uma constante lembrança de todas as coisas que só podem ser ditas em uma língua, e que são intraduzíveis". E como tarefa de poeta, Eliot defende que primordialmente e sempre se leve a efeito uma revolução na linguagem, articulada com musicalidade de imagens e de sons. Pound, entretanto, acrescenta: "Cada homem é o seu próprio poeta", defendendo que ninguém será um poeta escrevendo hoje com um jeito de anos atrás e que a linguagem deve ser usada com eficiência.
Uma série de outras questões podem e devem ser abordadas, ficando, portanto, para a próxima oportunidade, uma maior observação a respeito do tema poesia. 

Bibliografia

ARISTÓTELES - Poética. São Paulo: Abril Cultural, 1979
BRASIL, Assis - Vocabulário técnico de literatura. São Paulo: Tecnoprint, 1979
ELIOT, T. S. - A essência da poesia: estudos e ensaios. Rio de Janeiro: Artenova, 1972
MAIAKÓVSKI, Vladimir - Poética. São Paulo: Global, 1984
POUND, Ezra - A arte da poesia. São Paulo: Cultrix, 1976
SUASSUNA, Ariano - Iniciação à estética. Recife: UFPE, 1975

quinta-feira, 28 de março de 2013


"Patrono dos malditos", Sardan prepara novo livro

Tribuna do Norte
Publicação: 28 de Março de 2013 às 00:00

Carlos Felipe Saldanha, mais conhecido no meio literário como Zuca Sardan, chega em 2013 aos 80 anos com fôlego de menino.  Domingo de céu claro, mas com os termômetros alemães marcando dois graus abaixo de zero, o escritor participou de uma mesa-redonda organizada pela Secretaria de Cultura e pelo Fórum de Filosofia de Kelkheim, a 23 quilômetros de Frankfurt.
F. tadeu/dwelleUm dos festejados poetas da geração 70, Zuca Sardan lançará em julho o livro XimerixUm dos festejados poetas da geração 70, Zuca Sardan lançará em julho o livro Ximerix

Tendo como tema Reisende Diebe – Brasiliens Poesie und Philosophie (Ladrões Itinerantes – A poesia e a filosofia do Brasil), o descontraído encontro de Zuca com os alemães foi inspirado na coletânea de poesia brasileira Ladrões itinerantes, lançada em 2001 pela editora P. Kirchheim Verlag, de Munique. O livro foi organizado pela tradutora Ellen Spielmann. Além de Zuca Sardan, há poetas como Ana César, Paulo Leminski, Hilda Hilst, José Paulo Paes e Adélia Prado.

A mesa-redonda, que teve a moderação de Andreas Fornefett e a tradução de Michael Kegler, que verteu as palavras de Zuca para o alemão, acabou se tornando uma palestra bem humorada e sem maiores rigores históricos, com o inspirado poeta abordando o Brasil desde os tempos coloniais até meados da década de 60, quando vivia no Brasil.

Em duas horas de preleção, o autor brasileiro traçou um quadro das configurações político-filosóficas que resultaram na formação da cultura brasileira, num discurso cheio de ironia, como é de seu feitio.  Para explicar a identidade da elite brasileira como sendo portugueses ultramarinos, Zuca não poupou criatividade: “Quando Napoleão invadiu Portugal, dom João 6º, que tinha ar de burro e gostava de imitar seu próprio personagem de burro, veio com toda a corte, entrando com as caravelas no Brasil. Mas dom João não ficou em Salvador, que era a capital do país. Foi para o Rio de Janeiro, capital do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. E Napoleão, em suas memórias, disse ‘o único homem que conseguiu me enganar  foi dom João 6º’”.

Desenho e poesia

Apesar de pouco conhecido no Brasil, Zuca Sardan é um escritor e desenhista festejado por críticos literários de peso, como Flora Süssekind e Heloísa Buarque de Hollanda. Foi Heloísa que revelou a poesia de Zuca para um público maior, com sua antológica edição 26 Poetas Hoje, que saiu em 1975. Nela estavam também Geraldo Carneiro, Chacal, Waly Salomão, Torquato Neto, Ana Cristina César, Cacaso (Antonio Carlos de Brito), entre outros da cena alternativa dos anos 70.

Diplomado em Arquitetura, Zuca Sardan começou a trabalhar para o Ministério das Relações Exteriores já em 1963. Serviu como diplomata na Argélia, República Dominicana, Estados Unidos, União Soviética, Holanda e Alemanha. Hoje vive em Hamburgo. Se o emprego no Itamaraty o afastou da cena literária de sua geração, a vida no exterior continua a render muita matéria-prima.

Próximo livro

À DW Brasil, Sardan disse que a editora Cosac Naify vai lançar seu mais novo livro, Ximerix, em julho. E deu detalhes do que se trata: “Eu pego as poesias, retrabalho 40 vezes, vou recolando. O aluno que cola bem se subordina à palavra do CDF. Mas o colador de estilo não quer que o professor perceba que ele colou. Foi reciclagem que virou matéria original.” Eterno admirador do surrealista alemão Max Ernst, Zuca Sardan também se reinventa em colagens: “Pego naco de jornal, viro a notícia às avessas, assim como o anúncio da farmácia. Viro tudo”.

sábado, 16 de março de 2013


Valério toma posse no Instituto Histórico


Tribuna do Norte
Publicação: 16 de Março de 2013 às 00:00
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A mais antiga das instituições culturais do Rio Grande do Norte tem nova direção. Valério Mesquita tomou posse como presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Estado (IHGRN), em cerimônia realizada ontem à noite na sede da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANL). Mesquita ficará à frente do IHGRN no triênio 2013-2015 e tem pelo menos três objetivos concretos. "A missão é informatizar, climatizar e reformar o prédio do instituto. Mais do que isso, queremos chamar a atenção da sociedade para a importância do órgão", disse. O IHGRN está prestes a completar 111 anos de atividades, data que será comemorada no próximo dia 29 de março. A solenidade de ontem foi uma demonstração da importância do instituto para o RN. Estavam presentes autoridades dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo do Estado. Entre elas, a governadora Rosalba Ciarlini, deputado estadual Hermano Morais, arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha e o presidente da ANL, Diógenes da Cunha Lima.
Edu BarbozaNova diretoria assume compromisso com a modernizaçãoNova diretoria assume compromisso com a modernização

De acordo com o ex-presidente do IHGRN, Jurandir Navarro, a renovação da presidência do instituto é um marco na história do mesmo. "É um marco termos o retorno do regime democrático no IHGN. Acredito que Valério terá a oportunidade de realizar uma grande administração", ressaltou. O nome de Mesquita já havia sido aclamado pelos sócios do IHGRN em novembro do ano passado, indicado para substituir Navarro que assumiu a condução da entidade em janeiro de 2012 após o falecimento de Enélio Petrovich (1934-2012). 

No discurso de posse, Mesquita destacou a importância do instituto e teceu críticas ao abandono ao qual pontos históricos de Natal estão submetidos. O presidente também frisou a necessidade de se fazer reformas no prédio do IHGRN. "É urgente a revitalização do acervo em nome da preservação da memória do Rio Grande do Norte. Esse acervo é público. É do povo. Precisamos de apoio", disse. 

A meta da diretoria que chega é dar nova dinâmica ao Instituto a partir da digitalização do acervo; cujo trabalho também aponta para melhorias na estrutura física do imóvel número 622 da rua da Conceição na Cidade Alta que guarda 350 anos de memória do Estado.

Para gerar interesse do público e movimentar o Instituto, a nova diretoria que toma posse logo mais no início da noite também quer promover encontros periódicos e debates. "será um desafio grande reerguer o IHGRN, e pra isso temos que contar com apoio de toda a sociedade", acredita o escritor e genealogista Ormuz Simonetti, que assume a vaga de vice-presidente. Simonetti informa que a marca do grupo que assume o Instituto a partir de hoje será o companheirismo: "Tudo deve ser decidido em colegiado".

Nova diretoria

Presidente

Valério Mesquita 

Vice-presidente

Ormuz Simonetti

Secretário geral

Carlos Gomes 

Secretário adjunto

Odúlio Medeiros 

Diretor financeiro

George Veras 

Diretor adjunto

Eduardo Gosson

Orador

José Targino Araújo

Diretor da biblioteca

Edgar Dantas

CONSELHO FISCAL

Eider Furtado

Paulo Pereira dos Santos

Tomislav Femenick

Lúcia Helena Pereira