quarta-feira, 11 de abril de 2012

Outro documento que prova que Luis Francisco deFrias da Mesquita construiu o Forte de Natal.

Urban ismo 1 de origem portuguesa


O PAPEL DOS ARQUITECTOS E ENGENHEIROS-MILITARES NA TRANSMISSÃO DAS FORMAS URBANAS PORTUGUESAS
Margarida Valla
Comunicação apresentada no IV Congresso Luso-Afro-Brasileiro, Rio de Janeiro,1996
No início do século XVI, Portugal construiu pequenos fortes e estabeleceu núcleos urbanos ao longo da costa em África e Oriente. Com o desenvolvimento comercial , a partir da segunda metade do século XVI houve necessidade de reformular as muralhas e ampliá-las o que levou a uma reestruturação da malha urbana e simultâneamente novos núcleos urbanos foram estabelecidos na costa do Brasil. Os primeiros núcleos portugueses estariam na base duma herança medieval portuguesa e a construção de pequenos fortes e fortalezas no príncipio do século XVI, na época de D.Manuel, ainda estariam ligados a sistemas medievais, com torreões cilindrícos que foram aplicados em sistemas defensivos em todas as cidades de fronteira portuguesas por volta dessa época. Os novos sistemas de fortificação baseados em poligonos regulares e com baluartes e o novo conceito de urbanismo relacionado com a "cidade ideal" foram introduzidos em Portugal a partir do reinado de D.João III, na primeira metade do século XVI. Nessa época foram realizadas algumas traduções de obras como Sagredo, Vitrivius, Palladio, obras clássicas que fundamentaram os ideais renascentistas.

Os teóricos italianos optaram pela simetria, pelas formas geométricas como linhas perpendiculares e rectas. Na cidade ideal as ruas deveriam ser direitas e largas e baseadas numa quadrícula. No tratado de Pietro Cataneo de 1554 a praça principal está no centro do polígono onde se irá localizar os principais edifícios, e todos os tratados renascentistas se baseiam numa regularidade que será assumida na prática de várias formas, mas a preocupação de atingir essa perfeição correponde a um acto de planeamento. A fortificação interrelacionada com estes ideais vai introduzir também conceitos de regularidade. O baluarte era a forma mais avançada de defesa para proteger os lados do polígono. Os baluartes deveriam ser simétricos em relação aos lados (cortinas). Em 1567 Giorgio Martini foi encarregado de construir uma cidadela em Anvers e foi uma obra que serviu de modelo aos futuros engenheiros-militares, baseava-se num pentágono que era a forma mais perfeita de defender todos os lados da fortificação. A construção de Palmanova em 1593 com a marcação central duma praça e com um traçado radial irá ser também uma referência em todos tratados de fortificação do século XVII.
Estes ideais foram introduzidos em Portugal através de técnicos que se deslocavam a Itália como Miguel Arruda, João de Castilho, Francisco de Holanda, entre outros. Os monarcas portugueses, a partir do século XVI, também chamaram arquitectos estrangeiros, principalmente italianos, como Boytac, Diogo de Ravena que visitou todas as praças de África em 1533, Cairati que conduziu as obras e desenhou as fortalezas da África Oriental e Índia. Este intercâmbio entre técnicos e a circulação de experiências irão ter a sua expressão fora do próprio território continental onde o campo de acção era mais livre e mais premente novas intervenções.
A necessidade de um sistema administrativo que supervisionasse estas obras de fortificação e de urbanismo levou à criação de cargos preenchidos por técnicos que mais tarde, já no século XVII, se denominavam "engenheiros-militares". Estes técnicos tinham uma acção alargada de intervenção que poderia abranger projectos de arquitectura civil e religiosa ficando a seu cargo todas obras públicas nos locais onde eram nomeados. O cargo de Engenheiro-mor era de grande importância que tinha por função a direcção de todas as obras gerais de fortificação de todo o território, em Portugal e nos diversos continentes. Dado a quantidade de fortalezas e cidades que se estabeleceu na costa de Índia foi necessário nomear Giovanni Battista Cairati engenheiro-mor da Índia em 1583 e mais tarde em 1603 Luis Frias de Mesquita engenheiro-mor do Brasil. Este cargo no topo da hierarquia militar, estava directamente relacionado com o Rei, que nomeava os engenheiros para diversos cargos e que lhe escreviam extensos relatórios retratando o estado da situação das obras ou de problemas referentes às remunerações. Os engenheiros-militares eram militares que poderiam ter o título de "engenheiros". Esta nomeação passaria por escolas de formação ministradas em Portugal a partir dos finais do século XVI e por uma aplicação prática de intervenção em diversos territórios.

As Escolas de Formação dos Engenheiros-Militares
A partir do final do século XVI tornou-se uma necessidade a formação de técnicos em escolas mais especiliazadas nos métodos de fortificação. No início, o ensino dedicava-se mais à cosmografia e em 1570 Pedro Nunes , cosmógrafo-mor, dava aulas de matemática. Algumas das cadeiras relacionadas com a cosmografia e com a cartografia, como a matemática e a geometria serão semelhantes àquelas ensinadas no Colégio de St. Antão , fundado no final do século XVI, e gerido pelos padres Jesuítas. Esta escola será aquela que formou os engenheiros-militares do século XVII, visto que as matérias leccionadas estavam relacionadas com a ciência da engenharia militar. É o próprio Padre Simão Fallónio que estava encarregue da "Aula da Esfera" em 1635 que depois desenhou em 1641, as fortalezas na costa de Portugal a pedido de D.João IV. O padre Inácio Stafford, que ensinava nesta escola, escreveu um compêndio de matemática interligado com a arte de fortificar1.
Desta escola saíria formado, Luís Serrão Pimentel, engenheiro-mor de Portugal em 1663, que irá escrever um Tratado de Fortificação. Mas é a partir da Restauração em Portugal com a necessidade de defender as fronteiras com o reino vizinho que se criou uma escola de fortificação denominada de " Aula de Fortificação e Arquitectura Militar" em 1647, leccionada por Serrão Pimentel. Esta escola, que funcionava paralelamente à Escola de St.Antão, pretendia ensinar a ciência e arte de fortificar que se tinha vindo a desenvolver na Europa com sistemas de defesa e com tecnologias sofisticadas. A Escola Francesa e a Escola Holandesa foram as escolas que mais contribuíram para o desenvolvimento a ciência da fortificação. Foi com base nestas escolas e nos dois grandes tratados Portugueses " O Méthodo Lusitânico de Desenhar as Fortificações das Praças Regulares e Irregulares"de Luís Serrão Pimentel de 1680 e " O Engenheiro Português" de Azevedo Fortes de 1720, que se pretendeu introduzir as novas tecnologias, aplicadas em inúmeras cidades portuguesas em Portugal e no Brasil onde se começou a implementar uma política de consolidação dum território.
Esta escola originou outras em Portugal como a escola de Viana do Castelo oficializada em 1701 e leccionada pelo engenheiro-militar Vila-Lobos que teve uma acção importante nas cidades fortificadas do Norte de Portugal. Dado a necessidade de construção de fortalezas e sistemas de fortificação adequados às novas tecnologias, várias escolas foram criadas no Brasil. Em 1696 existia a aula da Baía chamada "Escola de Artilharia e Arquitectura Militar", em 1698 no Rio de Janeiro que se denominava "Aula das Fortificações e Arquitectura", e ainda outras Aulas foram criadas em Pernambuco e no Maranhão. Para leccionar essa aulas eram nomeados engenheiros-militares em Portugal escolhidos pelo engenheiro-mor. Nicolau de Abreu de Carvalho foi nomeado por Azevedo Fortes, então engenheiro-mor do Reino, para ensinar a arte militar na Baía em 1723. Outros engenheiros-militares como acção importante no Brasil foram destacados para o ensino, como José Fernandes Alpoim e José António Caldas, o primeiro ligado à escola do Rio de Janeiro e o segundo à da Baía 2. No século XVI o número de engenheiros a servir a Índia, Africa e Brasil era cerca de 5 a 10 em cada destes locais, com o maior número na India. A partir de meados do século XVII é o Brasil que aumenta esse número, entre 1700 e 1725 , são 25 engenheiros-militares que servem o Brasil que corresponde à abertura das aulas militares 3 .

A Circulação das Ideias e as Obras de Fortificação
As primeiras intervenções e obras fora de Portugal localizaram-se no Norte de África. Algumas intervenções limitaram-se a construir fortalezas como em Larache, Alcácer Seguer, Arzila, e outras levaram à criação ou amplição de núcleos urbanos fortificados como Ceuta, Tangêr e Mazagão. O engenheiro-militar Miguel Arruda que esteve em Itália, e projectou, entre outras obras em Portugal, a Torre de Belém, interviu nestas cidades com fortificações, construindo um forte quadrangular em Mazagão no príncipio de quinhentos e que corresponde à sua fundação, e projectou o primeiro sistema de fortificação em Ceuta, tendo percorrido todas as obras nesta região. Em 1545 é a vez de João de Castilho conduzir as obras de fortificação de Mazagão, segundo a traça de Benedeto de Ravena, italiano, que se baseava no levantamento de muralhas segundo um polígono regular com baluartes e com um traçado urbano recticular, onde na praça central se situava os principais edifícios como a Igreja, a Casa do Governador e a primeira fortaleza depois transformada em cisterna. Este projecto representava a cidade ideal renascentista localizada num porto estratégico de abastecimento das naus na rota da Índia que esteve na posse da corôa portuguesa até ao século XVIII. João de Castilho, que também esteve em Itália com diversos mestres italianos, fez um percurso significativo da actividade dum engenheiro-militar, percorrendo as principais obras de arquitectura em Portugal e outros continentes. Em 1517 regressa a Portugal e é o mestre de obras do Mosteiro de Belém, em 1519 estava a dirigir as obras no Convento de Cristo em Tomar, em 1528 era mestre das obras do Mosteiro da Batalha, e em 1542 foi enviado para o Norte de Africa para fiscalização das obras que aí estavam a decorrer4.
Depois desta actividade no Norte de Africa no século XVI, Portugal perde a maior parte das praças neste território e é o Oriente e a costa oriental de Africa e Golfo Pérsico, o segundo campo de intervenção dos engenheiros-militares. Em 1506 foi enviado Tomás Fernandes para Índia como "Mestre das Obras d’el Rei" e dirigiu as obras das primeiras fortalezas em Diu, Cohim, Onor, Mengalor, edificou o forte de S.Pedro em Goa em 1510 e ainda a fortaleza de Malaca e provàvelmente outras mais serão da sua autoria. A forma destas primeiras fortalezas levantadas nas costas marítimas do Oriente e Extremo Oriente variava entre quadradas, rectangulares como Cambolim, Curiate, Soar, Quelba, Mormugão, Solor e outras triangulares, como Sibo, Corfução, ainda com baluartes redondos e mesmos com torres de menagem, como as fortalezas levantadas em África, a de S.Jorge da Mina na costa ocidental e a de Sofala na costa oriental, à imagem das muralhas edificadas nessa época em Portugal, no reinado de D.Manuel. No início da segunda metade do século XVI estas fortalezas localizadas sempre junto ao mar e geralmente na foz dum rio vão ser incorporadas na ampliação de novas muralhas, funcionando como cidadelas do novo recinto. Francisco Pires em 1546 é o engenheiro-militar que dirigiu a refomulação da fortaleza de Diu e introduziu na Índia o novo sistema dos baluartes em triângulo correspondendo à nova tecnologia do "fogo cruzado ", ensinado nos tratados de fortificação renascentista. A abertura dum fosso que separava a cidade da terra firma, sistema aplicado para uma melhor protecção do ataque, e utilizado já em Ceuta como se pode observar pelo relato de D.João de Castro, vice-rei da Índia, ao rei de Portugal, D.João III, no qual se referia que " a nova fortaleza se fizera pollo debuxo de Ceyta"5. Este arquitecto, antes de ser nomeado para a Índia, esteve antes na Ilha de Moçambique, porto importante de abastecimento das naus no caminho marítimo para Índia e terá projectado um forte para essa ilha.
Mas é só a partir de 1583 com a intervenção de Giovani Cairati, nomeado engenheiro-mor da India, que a aplicação da tratadística renascentista foi introduzida. Num período de meio século todas as fortalezas foram remoduladas, o que corresponde à implementação duma política não só comercial como de conquista de território. Cidades como Damão e Baçaim em 1589 apresentam então uma fortificação regular com baluartes, com um traçado de uma malha rectilinea e com uma praça central. Cairati vai reformular outras fortalezas como Malaca, dada a sua importância como porto de ligação ao Extremo Oriente e desenha o forte de Mombaça na Costa de Africa Oriental na forma dum polígono quadrangular regular com baluartes. Outras cidades começam a apresentar malhas mais regulares e com ruas mais largas como Cochim, desenhada por Júlio Simão engenheiro-mor da Ìndia a partir de 1598, Chaul, Nepatão , S.Tomé de Meliapor , Solor entre as inúmeras cidades portuguesas. A localização das praças não são geralmente centrais e são por vezes várias, cada uma com sua função, à imagem da tradição da cidade portuguesa.
As ilhas Atlânticas foram também a partir do século XV um campo de experimentação de formação de novos núcleos como Angra do Heroísmo, Ponta Delgada e Faial nos Açores e Funchal na Ilha da Madeira. No século XVI estas cidades sofrem um crescimento acentuado e a sua estrutura urbana estabelece-se com regras urbanísticas . Mateus Fernandes é enviado para o Funchal como "Fortificador e Mestre das Obras" da ilha da Madeira. É ele que constroi a nova Fortaleza de S. Lourenço e reforça o sistema de trincheiras junto ao mar, para além de intervir nas obras públicas, sendo a Sé da sua traça. Estes técnicos enviados para dirigir as obras nas cidades fundadas pelos portugueses em território fora de Portugal exerciam o papel de fortificadores, aos quais era reconhecido um título, e também em muitas situações eram "mestres de obras" desses locais, ou seja responsável por todas as obras públicas.
O sistema de fortificação nas ilhas baseou-se na implantação de fortes na costa junto às cidades, política tomada principalmente a partir do início do século XVII, no reinado de Filipe II. O engenheiro-mor Leonardo Turreano, nomeado em 1598, implementou uma política de fortificação de inúmeras cidades que se consideravam sem sistemas adequados de defesa contra os ataques dos franceses e holandeses, tanto nas Ilhas Atlânticas como no Brasil. Foi construído o Forte de S.Filipe em Ângra no Monte Brasil que defendia a cidade, um dos maiores fortes contruídos nessa época, e outros fortes junto à costa em Ponta Delgada, Funchal e Horta.
Esta política de construção de fortes irá aplicar-se também em toda a costa do Brasil a partir do início do século XVII e as cidades principais como Rio de Janeiro e Baía irão ter projectos de fortificação. A continuação duma política urbanística, vai se desenvolver agora no Brasil, que será um campo de experimentação até o século XVIII. A partir do século XVII Portugal perde as suas possessões no Oriente, reforçando a sua acção no Brasil, enquanto em África mantinha alguns portos essenciais à carreira das naus como, Cacheu, S.Jorge da Mina, S.Paulo de Luanda, e na costa oriental Sofala, Quiloa, Mombaça e a Ilha de Moçambique.
Nas cidades reais fundadas pela coroa no Brasil, a tarefa da fundação e do seu traçado urbano e a sua administração ficaria directamente ligada ao governo geral. Salvador da Baía irá ser a capital do Brasil e é Luis Dias nomeado em 1549 "Mestre da Fortaleza e Obras de Salvador" levando consigo a traça do novo núcleo fortiticado de autoria de Miguel Arruda, mestre das obras reais e já referido nas obras da fortificação de Ceuta6. No princípio do século XVII a cidade vai ter um projecto de fortificação, é mais uma vez Leonardo Turriano com a participação de Tiburcio Spanochi, engenheiro-mor de Espanha, que em 1605 desenham esse novo sistema que não foi totalmente concretizado. Luis Frias de Mesquita, nomeado engenheiro-mor do Brasil em 1603, projecta em Salvador o Forte do Mar, e ainda o Forte de S. Diogo7. Mais tarde João Massé enviado para o Brazil intervém em Salvador em 1713 desenhando um projecto de fortificação com o levantamento do traçado urbano. Este engenheiro irá também projectar um sistema de fortificação para o Rio de Janeiro.
A cidade do Rio de Janeiro fundada em 1570, foi crescendo ao longo da linha da costa, e só mais tarde se estendeu para o seu interior. Miguel de L’Escol, engenheiro-militar francês foi nomeado para dirigir as obras de reestruturação do Rio de Janeiro. Desenhou sete projectos mas como se encontram desaparecidos não se sabe ao certo se o desenvolvimento do traçado urbano será da sua autoria8. Este engenheiro depois chamado a Portugal, no período da Restauração, foi nomeado "Mestre de Todas as Obras de Fortificação" no Norte de Portugal, desenhando sistemas de fortificação para cidades como Valença, Monção e Chaves, e foi o percussor da Aula Militar da Escola de Viana. Jean Massé em 1713 projectou um sistema de fortificação da cidade do Rio de Janeiro, como já foi referido, cujo traçado apresenta um desenvolvimento para o interior, enquanto a costa estava protegida por fortes localizados à entrada da baía.
No Brasil, a partir do início do século XVII são levantados inúmeros fortes criando um sistema de defesa ao longo de toda a costa do Brasil. Luís frias de Mesquita projecta o Forte dos Reis Magos em Natal, e outros fortes no Maranhão. O sistema de fortificação do Recife construído pelos holandeses quando da sua ocupação, dirigidos pelo Conde de Nassau, importante engenheiro-militar holandês, e completado mais tarde pelos portugueses foi um exemplo importante de aplicação de teorias de fortificação. Paralelamente a este sistema, novas cidades foram fundadas como Belém do Pará em 1616, S. Luís de Maranhão em 1615 no Norte do Brasil, Parati em 1660 e Colónia de Sacramento em 1680, no Sul. Estas cidades vão apresentar uma malha regular e Colónia de Sacramento apresenta um sistema de fortificação inserido nas regras semelhantes com os sistemas de fortificação levantados então em Portugal em inúmeras cidades no período da Restauração.
Em Portugal também a partir do início do século XVII são implantados fortes ao longo da costa de Portugal, os mais importantes se deve ao engenheiro-militar Filipe Terzio, arquitecto das obras reais no reinado de Filipe II, em que são exemplos o Forte de S.Sebastião em Viana do Castelo, Forte de S.Filipe em Setúbal. Leonardo Turriano, Massai e outros como P. Falónio projectaram fortes na defesa da barra de Lisboa, sendo o mais importante o Forte de S. Julião sobre o qual se fez inúmeros projectos. No período da Restauração foi necessário fortificar as cidades de fronteira para proteger dos ataques do reino vizinho e chamar de início engenheiros-militares estrangeiros, como Cosmander e sobretudo franceses, como Nicolau de Langres, Miguel de L’Éscol , visto o número de engenheiros em Portugal nessa época ser diminuto e estarem distríbuídos por outros territórios, principalmente no Brasil. Foi nessa época, em 1642 que foi constituída a Aula de Fortificação regida por Luís Serrão Pimentel, intervindo ele próprio nas obras de fortificação de Évora, Estremoz, Mourão, Portalegre entre outras praças do Alentejo. A actividade dos engenheiros-militares em Portugal, no levantamento destas novas muralhas de fortificação segundo as novas tecnologias vai-se estender pelo o século XVIII devido ao prolongamento da guerra.
No Brasil, a partir do Século XVIII a intervenção dos engenheiros-molitares vai incidir no levantamento de inúmeras cidades agora mais no interio, inserido na política de D.João V e seguida pelo Marquês de Pombal de delimitação e consolidação dum território. Essa política irá consolidar uma escola de urbanismo que se estava a desenvolver, agora com não só com regras urbanísticas estabelecidas nas cartas de fundação das cidades mas acompanhadas dum plano de implantação. Parelamente continua-se a levantar fortes, como Forte Coimbra, Forte da Príncipe da Beira, junto aos rios que estabelecem as fronteiras no interior. No capitania de Mato Grosso cuja administração pertencia a Luís de Albuqerque foi uma das regiões onde se criaram inúmeras vilas novas como Casal Vasco, Vila Maria do Paraguai e Vila Bela de Santíssima Trindade, esta em 1741. Esta actividade estendeu-se pela zona Amazónica e foram fundadas cidades como Macapá, Mazagão esta última desenhada por Domingues Sambucetti que trabalhou no Forte Príncípe da Beira e assistiu também à obra de Macapá. O engenheiro-militar Filipe Strum desenvolveu uma actividade importante na fundação de vilas como Vila de Serpa e de Silviz fazendo parte duma expedição de reconhecimento do território e levantamento comandada pelo Governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado. Outro engenheiro com uma acção importante no Sul do Brasil é José Custódio de Sá e Faria que se formou em 1749 na Academia Militar das Fortificações em Portugal e fez o levantamento da região sul do Brasil e o plano de defesa da ilha de St. Catarina, elaborando o plano da vila e o sistema de fortes para sua defesa 9.

O Campo de Acção dos Engenheiros-Militares
Com o início das Descobertas a acção dos "Mestres de Obras", nome que designava, o arquitecto, o pintor, o escultor, funções que muitas vezes exerciam simultâneamente, vai se extender para obras de fortificação ligadas muitas vezes à estruturação da malha urbana. A necessidade duma especialização a partir dos finais do século XVI leva à abertura de escolas mais especializadas na arte de fortificar, mais dirigidas para militares que se intitulavam na época " militar, com o exercício de engenheiro". Esta designação vai levar a sua actividade, não só no desenho do sistema de fortificação mas também a todas as obras públicas, de engenharia como levantamentos de pontes, abertura duma rua , construção dum cais, de levantamentos de cidades, de rios e regiões, como também por sua vez vai estender-se à arquitectura civil.
Poderemos citar como exemplos deste ciclo de actividade, Miguel Arruda no início de quinhentos, que é "Mestre de Obras Reais" projecta também obras de fortificação no Norte Africa. João de Castilho que o veio a suceder no cargo de Mestre projecta e acompanha as obras de fortificação e de implantação do traçado em Mazagão, assim como dirige a obra importante de arquitectura que foi a cisterna de Mazagão. Por outro lado temos exemplos no Brasil, Luís Frias de Mesquita, Engenheiro-Mor, projecta não só fortes ao longo da costa do Brasil, como define o traçado de S.Luís de Maranhão e dirige obras de arquitectura como o mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro, Igrejas matrizes de Olinda e Natal. O engenheiro-militar José Fernandes Alpoim que lecionava a aula militar de fortificação no Rio de Janeiro dirigia inúmeras obras da arquitectura como a casa do Bispo, o Convento da Ajuda, a reestruturação do largo do Carmo no Rio de Janeiro.
Em Portugal outros exemplos podem ser citados, Miguel de L’éscol e Vila-Lobos ambos engenheiros- militares que tiveram um papel importante nas obras de fortificação no Norte de Portugal eram solicitados para obras de arquitectura com intervenções na Sé de Braga e outras igrejas, como a Igreja da Mesericórdia em Monção projectada por Vila-Lobos. Carlos Mardel que teve um importante papel no plano de reestuturação de Lisboa Pombalina, tanto projecta a reconstrução dum forte para Estremoz em Portugal como desenha o monumento para o Largo do Carmo no Rio de Janeiro.
Este conhecimento alargado a diferentes áreas permitia a estes técnicos que cada um entendesse a cidade na sua globalidade, tanto ao nível do traçado urbano e da definição do seu limite, através da construção de muralhas, como ao nível do edifício arquitéctónico estruturante do espaço urbano, como é muitas vezes o papel de edifícios públicos e religiosos, como igrejas, conventos, Paços de Concelho. Por outro lado estes diferentes níveis de intervenção na cidade eram por vezes simultâneos e com vários intervenientes e dificilmente numa obra se consegue distinguir quem traçou, ou quem executou.
Notas:
1 Luis de Albuquerque, A "Aula de Esfera" e do Colégio de St. Antão no Século XVII, Agrupamento de Estudos de Cartografia, Lisboa, 1972, vol.LXX, p.18
2 Sousa Viterbo, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros Portuguezes ou a Serviço de Portugal, Lisboa, 1904, vol. II, p.133
3 Nestor Goulart Reis Filho, Contribuição ao Estudo da Evolução Urbana do Brasil (1500-1720), São Paulo, 1968, p.75
4 Sousa Viterbo, op. cit., p. 183-204
5Carlos de Azevedo, A Arte de Goa, Damão e Diu, Lisboa, 1970, p. 42
6 Paulo F. Santos, Formação de Cidades no Brasil Colonial, Coimbra,1968, p.82
7 D.Clemente Maria da Silva-Nigra, "Luis Frias de Mesquita, Engenheiro-Mor do Brasil", Revista do Património Histórico e Artístico Nacional, nº 9 (1945), p. 12-13
8Paulo Santos, op. ct., p.93
9 Benedito Lima de Toledo, "Ação dos Engenheiros no Planejamento e Ordenação da Rede de Cidades no Brasil. Peculariadades da Arquitectura e Morfologia Urbana, (texto policopiado, São Paulo, 1996), p. 47

Bibliografia
Albuquerque, Luis de, A "Aula de Esfera" e do Colégio de St. Antão no Século XVII, Agrupamento de Estudos de Cartografia, vol. LXX, Lisboa, 1972
Azevedo, Aroldo de, Vilas e Cidades do Brasil Colonial, São Paulo, 1956
Azevedo, Carlos de, A Arte de Goa, Damão e Diu, Lisboa, 1970
Carita, Rui, "A Arquitectura Militar na Madeira.Séculos XV a XVII", 2 vols.,(Dissertação de Doutoramento, FL, Universidade de Lisboa, 1993)
Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, A Arquitectura Militar na Expansão Portuguesa, Porto, 1994
Espanca, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Conselho e Distrito de Évora, vols. VII, XVIII, 1966, 1975
Menezes, José Luiz da Mota, e Maria do Rosário Rosa Rodrigues, Fortificações Portuguesas no Nordeste do Brasil, Séculos XVI,XVII,e XVIII, Recife, 1986
Moreira, Rafael, dir., História das Fortificações Portuguesas no Mundo, Lisboa, 1989
Mota, A. Teixeira da, Os Regimentos do Cosmógrafo-Mor de 1559 e 1592 e as Origens do
Ensino Náutico em Portugal, Junta de Investigação do Ultramar, Agrupamento de Estudos de Cartografia Antiga, vol. LI, Lisboa, 1969.
Nunes, José Maria de Sousa, e Isa Adonis; Real Forte Principe da Beira, Rio de Janeiro, 1985
Reis Filho, Nestor Goulart , Contribuição ao Estudo da Evolução Urbana do Brasil (1500-1720), São Paulo, 1968
Santos, Paulo F., Formação de Cidades no Brasil Colonial, Coimbra,1968
Segurado, Jorge, Francisco D’Ollanda, Lisboa, 1970
Silva-Nigra, D.Clemente Maria da, "Luis Frias de Mesquita, Engenheiro-Mor do Brasil", Revista do Património Histórico e Artístico Nacional, nº 9 ,1945
Soromenho, Miguel, "Manuel Pinto de VilaLobos, da engenharia militar à arquitectura", 3 vols., (Dissert. de Mestrado, FCSH.Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, 1991)
Toledo, Benedito Lima de, "Ação dos Engenheiros no Planejamento e Ordenação da Rede de Cidades no Brasil. Peculariadades da Arquitectura e Morfologia Urbana, (texto policopiado, São Paulo, 1996)
Viterbo, Sousa, Diccionario Historico e Documental dos Architectos, Engenheiros e Construtores Portuguezes ou a Serviço de Portugal, 3 vols.,Lisboa, 1904

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Mais fontes sobre autoria da construção do Forte dos Reis Magos.

Nota do editor do blog: Em homenagem a Maria Natividade Cortez Gomes, católica fervorosa, escritora, poetisa e trovadora natalense, colamos e publicamos verbete do Wikipédia, mas com uma correção: Frias não reforçou a construção, mas fez outro projeto e o executou em outro local, sobre arrecifes ( como está até hoje) e não sobre as dunas, hoje Praia do Forte.

 

Francisco Frias de Mesquita

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Igreja do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro (Frias de Mesquita, 1617).
Francisco Frias de Mesquita, também grafado como Francisco de Frias da Mesquita e Francisco de Frias de Mesquita (c.1578 - c.1645), foi um engenheiro-militar e arquiteto português com destacada atuação no Brasil colonial.[1]

Índice

 [esconder

[editar] Biografia

No contexto da Dinastia Filipina, foi nomeado para o cargo de Engenheiro-mor do Brasil em 1603. No exercício desta função projetou e construiu diversas fortificações e outros edifícios até retornar a Portugal em 1635.
Participou da conquista de São Luís do Maranhão, que se encontrava em mãos dos franceses.
Entre os seus projetos destacam-se:[1]

Referências

  1. a b Artigo sobre Frias de Mesquita na revista Da Cultura (2005) [1]

[editar] Bibliografia

  • SILVA-NIGRA (OSB), D. Clemente Maria da. Francisco de Frias da Mesquita - Engenheiro-mor do Brasil. Revista do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Vol. 9). Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, 1945. p. 9-88.
  • TAVARES, Aurélio de Lyra. A engenharia militar portuguesa na construção do Brasil. Rio de Janeiro: Bibliex, 2000. 220p.

[editar] Ligações externas


sexta-feira, 6 de abril de 2012

Obra de Nati Cortez citada por acadêmico.

Júlio de Castro Paixão
Cadeira 22

  • Fundador e ocupante da Cadeira Vinicius de Moraes, da Academia de Letras de Viçosa.
  • Nascido aos pés da serra da Capivara, município de São Raimundo Nonato,
  • Piauí, onde se encontra o mais importante sítio arqueológico do Brasil.
  • Estudou Direção Teatral na Universidade Federal da Bahia e formou-se na primeira turma de engenheiros florestais do Brasil (1964), pela Escola Nacional de Florestas, sediada na antiga Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, transferida para a Universidade Federal do Paraná.
  • Curso de Especialização em Dendrologia na Universidade de Colônia, na Alemanha e de Ciências Florestais da Organização dos Estados Americanos, no Rio de Janeiro.
  • Mestrado em Biometria Florestal na Oregon State University (EUA).
  • Como engenheiro florestal exerceu , entre outras, as seguintes funções:
  • Pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia;
  • Engenheiro florestal do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário;
  • Engenheiro florestal inventariante para a implantação da Aracruz Florestal e primeiro engenheiro florestal daquela companhia;
  • Pesquisador contraparte do PRODEPEF, convênio PNUD/FAO/IBDF;
  • Professor Assistente de Silvimetria e Inventário Florestal na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro;
  • Diretor da Divisão de Inventários Florestais do Departamento de Pesquisas do Instituto Brasileiro de desenvolvimento Florestal – IBDF, atual IBAMA.
  • Coordenador e instalador dos Inventários Florestais Contínuos de Coníferas nas Florestas Nacionais do Brasil.
  • Na Área Cultural tem trabalhado na Universidade Federal de Viçosa, desde 1982, em:
- Laboratórios de desenvolvimento de atores, com montagens de peças
teatrais com estudantes universitários, entre as quais:
. Seis personagens à procura de um autor, de Pirandello;
. Piquenique no front, de Arrabal;
. Nossa cidade, de Thornton Wilder;
. A revolta dos brinquedos, de Pernambuco de Oliveira
. Canção dentro do pão, de R. Magalhães Júnior;
. A abelhinha sonhadora, de Nati Cortez
. Dorotéia vai à guerra, de Carlos Alberto Ratton;
. Risadinha ficou sério, de Júlio Paixão
. Jacques e seu amo, de Milan Kundera
  • Idealização, roteiro e direção dos seguintes recitais:
. Uma visão de Drummond (poética de Carlos Drummond de Andrade);
. O verbo no Infinito (poética de Vinicius de Moraes)
. Três mulheres em família, (poética de Cecília Meireles, Cora Coralina e Adélia Prado), com sua esposa Maria Lídia Gomide Paixão
  • Assistência Técnica da Divisão de Assuntos Culturais, ocasião em que colaborou na reestruturação daquele órgão, no ante-projeto de criação da FACEV, e coordenou grandes eventos culturais como o Salão Nello Nuno e o Salão Universitário de Expressão e Criatividade – SUEC
  • - Representação da Universidade Federal de Viçosa em diversos congressos, seminários e simpósios de cultura e arte e no Circuito Cultural das Universidades Federais de Minas Gerais.
  • Atual coordenação da Casa Arthur Bernardes da Universidade Federal de Viçosa
  • Atividades como dramaturgo, contista e poeta, ainda sem obra publicada. É autor da peça infantil Risadinha ficou sério, do conjunto de esquetes Bubiça, do livro infanto-juvenil Ventvert, e do livro de poesias Entrega , em edição pela Academia de Letras de Viçosa.

DISCURSO PROFERIDO POR JÚLIO DE CASTRO PAIXÃO
POR OCASIÃO DE SUA POSSE NA ACADEMIA DE LETRAS DE VIÇOSA, INAUGURANDO A CADEIRA VINÍCIUS DE MORAES,
AOS 29 DE NOVEMBRO DE 1991

Excelentíssima Senhora Maria Aparecida da Silva Simões, mui digna presidente da Academia de Letras de Viçosa
Digníssimos Confrades,
Autoridades presentes,
Senhoras e Senhores.

Com as lágrimas do tempoE a cal de meus dias
Eu fiz o cimento
Da minha poesia.

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo
(Um templo sem Deus)

Mas é grande e clara
Pertence a seu tempo
- Entrai. irmãos meus!

Entendo esse soneto como sendo o convite que recebo do poeta Marcos Vinicius de Mello Moraes, através desta honorável Casa e, mais especificamente, pelas mãos do Dr. Ary Teixeira de Oliveira que lhe indicou meu nome. Pois foi através da obra de Vinicius de Moraes que entrei pelos caminhos encantados da poesia, da vontade incontrolável de poetar, da inquietação de pôr em versos o que, desde muito jovem, me queimava docemente a alma.
Minha lista de poetas preferidos é bastante longa, de modo que eu, por muito tempo, não saberia dizer se Vinicius de Moraes era verdadeiramente o preferido dos preferidos. No entanto, sempre soube que era com sua obra que eu mais me identificava. Seus versos povoaram minhas cartas de amor na juventude. Mais tarde, tive o grande prazer de conhecê-lo pessoalmente, de olhar em seus olhos cheios de bondade e amor ao próximo. E confesso enorme inveja de meus irmãos que privaram de sua intimidade, na casa de um dos quais o poeta aparecia para mais um copo nos fins de tarde em Itapoã, quando de sua longa estada em Salvador:

Passar uma tarde em Itapoã
ouvir o mar em Itapoã...

Último representante da Segunda fase do Modernismo no Brasil, dentro de suas linhas doutrinárias estritas, sua obra divide-se em duas bem distintas fases.
A primeira é caracterizada por uma tendência transcendental, em que ele se demonstra, ao mesmo tempo, patético, dramático, hermético e inquieto. Foi então que escreveu O caminho para a distância, Forma e Exegese, Ariana, a mulher.
Na Segunda fase, seduzido pelo mundo material, procura derrubar certos preconceitos sociais vigentes. Depois, relaciona essa inquietação com a experiência corrente, traduzindo o mistério em familiaridade e temperando-o com fino humor. Valoriza a naturalidade do amor humano, estabelecendo curiosas ligações entre as belezas da natureza e a vida amorosa, procurando enfim abolir as fronteiras ditas físicas e não físicas do amor.
Escreve, então, versos que traduzem compromisso social e político: Antologia poética, Novos poemas, Procura-se uma rosa, Pra viver um grande amor, Para um menina com uma flor.
Tendo começado pela forma mais ampla, o poeta não busca ir mais longe; ao contrário, procura conter-se, conseguindo ganhar com isso em simplicidade e concisão.
Teatrólogo, cinegrafista, cronista, crítico de arte e cinema, o poeta Vinicius de Moraes dedicou-se também à Diplomacia. E é uma das figuras centrais que deram origem à nova música brasileira. Neste modesto ensaio de homenagem, vale lembrar que ele é o autor de , entre outras, as famosas canções Rancho dos namorados, Manhã de Carnaval, Corcovado, Derradeira primavera, Ela é carioca, Insensatez, Garota de Ipanema, Água de beber, Pobre menina rica, Primavera, Marcha da Quarta–feira de cinzas, Minha namorada, Berimbau, Consolação, Formosa, Canto de Ossanha, Zumbi, Arrastão, Canto de amanhecer, Se todos fossem iguais a você. Os parceiros ? Variadíssimos, pois uma de suas grandes qualidades era a comunicação pessoal e artística, sem discriminação, mas sempre dentro da bolha dourada da estética.
É muito rica sua biografia, rica como sua alma magnânima e gentil. Além de presentear-lhe com o Dom da poesia, Deus o abençoou com a virtude da gentileza e isso era um dos ingredientes de seu encanto pessoal.
Estreou em 1933, aos vinte anos, quando as grandes abstrações eram a moda na literatura. Embriagado nessa vertigem, com invocação ao espírito e à verdade, o poete escreve O caminho para a distância, onde reinvindica um lugar privilegiado como ser meio exotérico, compassivo para com os homens, mas, certamente acima de todos os homens:
A vida do poeta tem um ritmo diferente
...............................................................
E a sua alma é uma parcela do infinito.
Esse comprometimento com a poesia mostra o poeta como um sacerdote, só que de uma religião muito mais complexa do que qualquer outra. Revela uma alma que sofre pavorosamente a dor de ser privilegiada:
Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai pisando a terra e olhando o céu.
Na observação crítica de seu íntimo amigo Oto Lara Resende, "na verdade ele olhava então mais o céu do que pisava a terra a que se sentia, contudo, atraído por uma incoercível, terrena e já evidente – pelo menos nas entrelinhas - lei da gravidade".
Em Forma e exegese, de 1935, respirava o mesmo estro que O caminho para a distância, mas é ainda mais ambicioso, mais altissonante, pode-se dizer até mais pomposo. Esprai-se em ritmo solene, é um sacerdote que, do alto de sua sapiência e do fundo de sua devoção, fala à turba dos leitores, sem com ela confundir-se. Mas é daí que , para sua antologia, ele escolhe o deleitável Ausência, "símbolo do involuntário drible do lírico no cipoal de angústias metafísicas onde o poeta se havia enredado" (Lara Resende):
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
............................................................................................................................
E ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais do que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Em 1936 surge Ariana, a mulher que, segundo o próprio autor, encerra sua reconhecida fase transcendental, freqüentemente mística, pois nesse livro ele guarda ainda a opulenta retórica da primeira fase:
E tudo em mim buscava Ariana e não havia Ariana em nenhuma parteMas, se Ariana era a floresta, por que não havia de ser Ariana a terra?
Se Ariana era a morte, por que não havia de ser Ariana a vida?
Por que, se tudo era Ariana e só Ariana havia e mais nada fora de Ariana?
Não se pode fixar com precisão a data em que se operou a mudança; quando ele transitou definitivamente no reino do sublime, freqüentado por tantos poetas menores, para o plano do real; quando se despojou da contemplação narcisista de seus provavelmente imaginários tormentos pessoais. Enfim, não se pode precisar a data em que surge esse outro Vinicius de Moraes, cantor sem sustenidos artificiais, sem falsetes que não pertencem à sua garganta; o poeta sem pose, enjoado, enfarado de suas orgulhosas inquietações mais ou menos postiças; de ênfases mais adolescentes do que poéticas; o artista a quem esta noite eu venho tentar uma homenagem:
Meu sonho eu te perdi; tornei-me em homem
Feito em homem, homem entre os homens, homem entre os seres da Natureza, o poeta se dá conta de seus cinco sentidos alertas, que de resto nunca lhe faltam, pois seus eflúvios místicos sempre se mesclaram de inequívocos arrancos sensuais, sobretudo na primeira obra, quando ele ainda estava menos consciente de sua aristocrática missão de bardo, como pode ser observado em Elegia ao Primeiro Amigo:
Seguramente não sou euOu antes: não é o ser que sou, sem finalidade e sem história
É antes uma vontade indizível de te falar docemente
De te lembrar tanta aventura vivida, tanto meandro de ternura
Neste momento de solidão e desmesurado perigo em que me encontro.
Mas, agora ele encara de vez sua sensualidade, se desnuda e mostra despudoradamente sua até então recatada forma de amar. Despede-se dos poetas intelectuais franceses, dos metafísicos ingleses e, braço dado com Neruda e Lorca, sensuais e sociais, parte para cantar a mulher companheira, a parte de nós homens que não é nós e que por isso mesmo nos é tão cheia de mistério; um mundo a explorar e, inevitavelmente, enaltecer.
Vinicius aí encontrou sua medida; pôs-se à vontade dentro de um lirismo que, sobretudo a partir de Cinco Elegias, de 1943, está mais solto, mais desenvolto. O poeta multiplica seus rítmos e persegue sua substância, desvendando os próprios temas. Para isso já dispõe de um instrumento hábil e adestrado pois – e aqui peço permissão para me expressar mais informalmente – sua manipulação do verso é acrobática, com uma flexibilidade musical capaz de fazer misérias!
Exemplifique-se com Balada do Mangue, seu famosíssimo canto de piedade às meretrizes:
Pobres flores gonocócicas
Que à noite despetalais
Às nossas pétalas tóxicas!
Pobres de vós, pensas, murchas
Orquídeas do despudor
Não sois Loelia tenebrosa
Nem sois Vanda tricolor
Sois frágeis, desmilingüidas
Dálias cortadas ao pé
Corolas descoloridas
Enclausuradas sem fé
Agora vai descobrir também que a mulher, gente de carne e osso, é companheira e amiga:
Não tu não és um sonho, és a existência
Tens carne, tens fadiga e tens pudor
No calmo peito teu..
É nessa época ainda que ele reconhece os amigos e os homenageia com Soneto a Otávio de Faria, Saudade de Manuel Bandeira, Badalada de Pedro Nava, Mensagem a Rubem Braga e tantos outro. Voltas-se para o tempo presente, esquece as profecias de timbre apocalítico e, como já não se preocupa mais com a eternidade, com a sua posteridade, é aí certamente que começa a assegurá-la.
Para qualquer um de nós com um pouco de luz no espirito, o despojamento é encontrado com a vivência: É bonito, é positivo o despojamento, é algo mesmo religioso dentro de nós, pois é nossa aproximação de Deus. No poeta, contudo, é ainda mais: É o coroamento de sua obra, é o encontro da própria Divindade:
"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado... no absoluto de si mesmo."
Tomado o partido do sentimento contra o ressentimento, o poeta afasta a solidão e assim alarga o campo de sua comunicação com o grande público que lhe confere a palma de sua glória. Essa comunicação mais ampla, mais numerosa e até mais fácil pedirá a cooperação da música. Poema e canção se casam, convivem amigável e respeitosamente na penumbra de uma boate que o público abarrota para ouvir. E aí ele desafia qualquer perigo de vulgarização, de concessão literária, para uma possível maior compreensão: No meio do povo, lá está a grande intelectualidade do país, aplaudindo o casamento dos versos – que já conheciam tão bem, que já tão bem haviam analisado literariamente – com a bela e fidalga música do poeta e de seus parceiros, como se embriagados de um bom vinho misturado ao néctar de deliciosa fruta.
E sentiram e testemunharam a excelência dessa tocante mistura, exótica, sensual, profundamente humana. E o povo sentiu o mesmo e dançou seus poemas e sambou seus sonetos. E a alma do poetinha, como ele modestamente se chamava, floriu o coração do brasileiro das décadas de sessenta e setenta, e continua florindo o de hoje. O poeta, altíssimo está finalmente na boca do povo. Agora sim, olha o céu, mas sobretudo, pisa a terra pois
mais que nunca é preciso cantar;é preciso cantar pra alegrar a cidade.
A obra de Vinicius de Moraes é toda uma glorificação do amor. O amor é apresentado e exaltado aí em todas as suas faces e, mesmo quando o poeta se mostra desprezado, recalcado, ressentido, sua obra está impregnada desse sentimento maior que, na verdade é o próprio Deus.
O amor filial é exaltado em todos os poemas que escreveu em memória de seu pai, entre outros a Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão:
Diante de ti homem não sou, não quero ser. És pai do menino que eu fui.
Entre minha barba viva e a tua morta há um toque irrealizado
No entanto , meu pai
Quantas vezes ao ver-te dormir na cadeira de balanço de muitas salas
De muitas casas de muitas ruas
Não beijei-te em meu pensamento!
Aqui uma pequena amostra de seu profundo e reverente amor por sua mãe Lydia, revelado em O falso mendigo:
Ah, pensa uma coisa, minha mãe, para distrair teu filhoTeu falso, teu miserável , teu sórdido filho
Que estala em força, sacrifício, violência e devotamento
Que podia britar pedra alegremente
Ser negociante cantando
Fazer advocacia com o sorriso exato
Se com isso não perdesse o que por fatalidade de amor
Sabe ser o melhor, o mais doce e o mais eterno da tua puríssima carícia

E ainda é com essa ternura e uma humildade absoluta que revela seu amor paternal, como em Pedro, meu filho:

Por isso que eu chorei tantas lágrimas para que não precisasses chorar, sem saber que criava um mar de prantos em cujos vórtices te haverias também de perder"

Seu amor pela mulher é tão escancaradamente revelado em sua obra que se torna difícil exemplificar. Acredito, contudo, que a primeira estrofe do Soneto do Amor Total resume o sentimento pela mulher amada:
Amo-te tanto, meu amor... não canteO humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade."
O amor pela Pátria Brasil,  ninguém o revelou mais apropriadamente do que ele em Pátria Minha com o qual os senhores serão brindados esta noite, na interpretação de meu amigo Ronaldo Vitarelli.
O amor ao próximo, enfim, o mais santificado de todos, ele o revela numa de suas obras primas, O Operário em Construção, na qual se aproxima de Cristo e conclama o sentimento de justiça:
O operário via as casasE dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas,
Via tudo o que fazia
O lucro de seu patrão.
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
- Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
- Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu!"
Todo homem de espírito tem seu encantamento, assim como todo artista tem seu encanto. Não sou, não posso me julgar realmente um artista, pois não sou dotado desse dom extraordinário que Deus, na conveniência de sua sabedoria, doa a seus eleitos, como doa a outros o dom da santidade. Acredito, portanto, que a razão de minha escolha para esta reverenda Casa é me considerarem um homem de espírito, o que já me honra profundamente e faz agradecido. O meu encantamento maior são as Artes Cênicas. A obra de Vinícius de Moraes, além de tantas outras louváveis qualidades, tem a qualidade cênica. Sua poética encanta sem costumar deixar o leitor parado, apenas contemplativo, porque é uma obra transcendente que diz ao leitor o que ele gostaria de dizer, simplesmente porque ela transpira amor e o amor, a despeito de toda a deturpação que a vida moderna traz ao espírito do homem, ainda é a mola mestra do mundo. A obra de Vinícius é uma obra para ser lida, decorada, declamada, cantada. Eu não poderia inaugurar outra cadeira nesta Casa, não poderia homenagear por esta ocasião nenhum outro escritor antes de Vinícius de Moraes; mesmo algum daqueles que até, analiticamente, eu talvez possa considerar um escritor mais refinado, mais grandioso. A sua obra é aquela que releio constantemente; é aquela com a qual cada dia mais me assombro; a que, como uma oração, renova o meu espírito e me dá força. Enfim, é a obra que mais estudo, a que mais divulgo, mesmo tomando a tarefa de ensinar a declamar
porque é preciso cantar
é preciso cantar pra alegrar a cidade.
Dentro de toda a sua obra, que amo pois com tamanha intensidade, encontro um soneto que a resume perfeitamente porque, de forma magnânima – da forma mais sublime que um homem pode se expressar, a forma artística – este soneto é a sua própria biografia:
Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor, nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e Ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito

Recordar não faz mal a ninguém.

NO TEMPO DA MINHA INFÂNCIA
 
 Leiam esta simpática poesia.
Quanta verdade encerram estas simples palavras.
Uma  recordação para os mais velhos ...inveja para os mais jovens !!!
 
 
 

No tempo da minha infância
(Ismael Gaião)
No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranquilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marré
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...

 
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sexta-feira, 9 de março de 2012

Lateral do Casarão de Nati Cortez.

Visão lateral da extinta Vila Cortez. Aos fundos, o Edifício Solar Cidade Alta que será vizinho ao Edifício Nati Cortez. Esta área está semi-demolida. Mais informações sobre Nati Cortez poderãp ser obtidas no blogue www.historianatividadecultural.blogspot.com
Frente da saudosa casa que Manoel Genésio Cortez Gomes adquiriu na década de 30 do século passado.

Edifício Nati Cortez.

Edifício Nati Cortez é o nome do prédio residencial que a a Construtora Itaúna, de Pernambuco, construirá na rua Felipe Camarão, 453, Cidade Alta, após a permuta com os herdeiros de Manoel Genésio e Maria Natividade Cortez Gomes. O prédio terá 20 andares com 66 apartamentos com dois quartos (uma suíte) e um banheiro social, cozinha, varanda e área de serviço. Será o terceiro edifício de grande porte construído numa das ruas mais antigas de Natal. A terraplanagem do terreno ocorrerá nos próximos dias, segundo informações.
 Olhem aí as meninas amigas de Ana Maria Cortez Gomes: Ana Maria Gurgel (Ana Lourinha), Zélia e Célia Lustosa Nóbrega. (foto superior). Foto inferior: Ana Maria Lourinha, José Alves (morador da área e amigo), Célia, Margarida Cortez Gomes de Queiroz e Zélia Lustosa, irmã de Célia (a que segura uma folha), na frente do muro do casarão que será demolido. Foto de Gonzaga Cortez.
Maria Natividade da Sylva era o seu nome quando solteira.Produziu este quadro aos 14 anos de idade, em 1928.