domingo, 26 de outubro de 2014

Encontro de escritores do RN começa com poesia e termina com livro sobre o bairro da Ribeira.






Conceição Flores relança 4ª feira, 29, o seu Dicionário de Escritores do Rio Grande do Norte - de Nisia Floresta à contemporaneidade.






VI ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – VI EPE
29, 30 e 31 de Outubro de 2014


Coordenadores Gerais:
Roberto Lima de Souza - UBE
Diógenes da Cunha Lima - ANL
Valério Alfredo Mesquita – IHGRN
José Willington Germano – Cooperativa Cultural da UFRN


Secretário Executivo
Eduardo Antonio Gosson

Coordenadores Adjuntos:
Anna Maria Cascudo Barreto – ICC
Angélica Vitalino - SEMEC-Parnamirim
Antonio Clauder Arcanjo UBE-RN
Aluizio Matias dos Santos – UBE-RN
Carlos Roberto de Miranda Gomes UBE-RN
Geralda Efigênia – SEEC
Manoel Marques da Silva Filho - UBE-RN
José Lucas de Barros - ATRN
Maria Rizolete Fernandes - UBE-RN
José Martins SPVA-RN
Jurandyr Navarro – Academia de Letras Jurídicas - ALEJURN
Ormuz Barbalho Simonetti INRG
Odúlio Botelho - IHGRN
Rosa Ramos Régis da Silva - ANLIC
Zelma Furtado - AFL-RN



Comissão de Divulgação
Alex Gurgel - blog Grande Ponto
Cid Augusto  - O Mossoroense
Cefas Carvalho- Potiguar Notícias
Cinthia Lopes - TN-Caderno Viver
Jania Maria de Souza - Blog da SPVA
J. Pinto Júnior - TV  Bandeirantes
Lucia Helena Pereira - Diretora de Divulgação
Maria Vilmaci Viana  - blog Vivi Cultura
Moura Neto  - Novo Jornal
Paulo Jorge Dumaresq  - Assessor Especial de  Imprensa
Sergio Vilar - Portalnoar.com
Yuno Silva  - Tribuna do Norte
Blog do MIRANDAGOMES
Blog  Genealogia e História
Blog do IHGRN


VI ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – VI EPE
29, 30 e 31 de Outubro de 2014


PROGRAMAÇÃO OFICIAL

NOITE

Quarta-feira, 29.10.2014

19h – Credenciamento dos participantes
20h – Abertura Solene
(Roberto Lima de Souza Presidente da UBE/RN, Diógenes da Cunha Lima Presidente da ANL ; Valério Mesquita Presidente do IHGRN e José Willington Germano Presidente da Cooperativa Cultural- UFRN
20h30 – Concerto de violão clássico com Alexandre Atmarama

MANHÃ

Quinta-feira, 30.10.2014

09h – A singularidade Poética de Ferreira Itajubá
 Nelson Patriota e  Lívio Oliveira
Moderadora: Rizolete Fernandes

10h30 – O papel das Academias  na difusão da  Literatura Potiguar
Diógenes da Cunha Lima, Cícero Macedo,   Ciro Tavares  e  Zelma Furtado
Moderadora: Conceição Maciel

12h -   INTERVALO

TARDE

15h  2º Fórum Potiguar do livro, da leitura e das bibliotecas: Planos  estadual e municipais
Betânia Ramalho Leite – SEEC, Justina Iva - SME, Cláudia Santa Rosa - IDE  e Vandilma Oliveira - SEMEC
Moderadora : Geralda  Efigênia


16h30 – Bartolomeu Correia de Melo no Contexto Literário regional e nacional
 Arnaldo Afonso,  Manoel Onofre Jr. e Tarcísio Gurgel
Moderador: Nelson Patriota

18h– Sessão  de autógrafos do livro ROSA VERDE AMARELOU de Bartolomeu Correia de Melo (in memoriam), pela esposa Verônica Melo, contendo a obra completa do autor. Edições Bagaço,  Recife.

Sexta-feira, 31.10.2014

MANHÃ

9h – Porque sou Poeta
Carlos Morais dos Santos, Roberto Lima de Souza e Diulinda Garcia
Moderador:  Alexandre Abrantes
10h - Recital Poético
Roberto Lima, voz e violão; Alexandre Abrantes (participação especial) e Eduardo Gosson ,declamações

10h30   -  O Máximo com o Mínimo: Poetrix, Haicai e Aldravia
Gilvânia Machado, Aluizio Matias dos Santos e José de Castro
Moderadora: Valdenides Dias


12h - INTERVALO

TARDE

15h -– Ariano Suassuna  no Contexto Cultural brasileiro
Carlos Newton Júnior – Recife/PE

   16h30 -  Sarau Lítero-Musical de encerramento
Grupo Poesia Potiguar e  Cia (Currais Novos-RN)
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins - SPVARN

18h - Sessão de autógrafos do livro  JORNAL DA SAUDADE: NATAL NO MEU TEMPO DE MENINA, comemorativo do Centenário da Escritora Nati Cortez (in memoriam).




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INFORMAÇÕES
 Vagas:
100 vagas para a SEEC/RN
100 vagas para a SME/Natal
100 vagas para a SEMEC/Parnamirim
100 vagas para escritores e público

. Inscrições:
. Professores da rede municipal, estadual e de Parnamirim devem procurar a Ficha de Inscrição em sua respectiva Secretaria de Educação no período de 01 a 20  Outubro  de 2014
. Escritores e o público devem se inscrever  no Instituto Histórico e Geográfico do RN, à Rua da Conceição, 622 – Cidade Alta,  no período de 01 a 20 de Outubro de 2014, entre 8h e 12h


. Local do VI Encontro Potiguar de Escritores - VI EPE:
Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANL - Rua Mibipu, 443 –Petrópolis - Natal/RN
Data: 29, 39 e31 de Outubro de 2014

Organização: União Brasileira de Escritores – UBE/RN
Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANL
Instituto Histórico e Geográfico do RN – IHGRN
Cooperativa Cultural da UFRN

. Certificado:
Os participantes receberão Certificado no encerramento do Encontro.
Livraria:
A Cooperativa Cultural da UFRN montará um stand de vendas de livros de autores potiguares

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Conceição Flores lançou ontem o Dicionário de Escritores Potiguares.


Lançamento do Dicionário de Escritores Potiguares, um documentário que conta as histórias do nosso povo.

 Organizadora do Dicionário, Conceição Flores, em momento de autógrafos.


Natal, 21.10.2014.

sábado, 18 de outubro de 2014

Sagrados Segredos.

Sagrados Segredos

A mala que guarda sagrados segredos
Os livros, brinquedos, as traças, cupim
As velhas cantigas de vozes em coro
Lembranças alegres de tempos sem fim

Crianças libertas de vil preconceitos
Nem pensam direito, sem rumo, é assim
Mas andam felizes sorrindo pro vento
Cantando e brincando sem tempo ruim

Saudades dos banhos, nos rios e lagos
Nadando e brincando pescando anequim
Sussurros e gritos vagueiam nos ventos

Riscando as escritas do meu folhetim
Estórias e sonhos guardados na mente
Deslisam no tempo, deixadas por mim.

rOgério Dias

Vil Estrupo

Há cinco séculos o Brasil convive
Com um tal povo chamado lusitano
Nos descobriram e hoje somos alvos
Do holandês, do gringo e do tirano

Somos escravos, índios em extermínio
Nossas riquezas foram explorando
Virgens fronteiras de tão vil estupro
São invadidas num cruel desmando

Lutas do povo, heróis das Gerais
Salvaram honra, a história enganando
Velhas memórias de nossos ancestrais

Sentado ao banco, a pátria confessando
Ao nativo execrando e o ouro aos rivais
Assiste nossa gente, a miséria herdando.

rOgério Dias

Néctar das Flores

Verde, imponente, esbanjando o néctar das flores,
Solta no meu ar o perfume suave de tua essência nata,
Exalando-se em minha aura teu delicado cheiro de amor,
Alterando a turvez de um sentimento embaçado, orvalhado,

Respingando em meu rosto um débil sussurro, gotas de ar...
Sinto a pele contrair-se, os pelos se elevam de tanta energia
E o cheiro das flores me invade numa tempestade de olor.
Foge o desalento e um coração volta a pulsar com harmonia.

Contemplando-te nas passagens, paisagens, rápidas, bruscas,
Admirando-te pela beleza que antes me inquietavas,
Sinto teu cheiro, o agito de teus galhos, vento a desfolhar-te.

Não a perderei, mesmo embaçada, distante contemplo tua evolução
Parecendo uma ilusão, vulto que se movimenta no silêncio inerte,
Vento trará sempre o perfume e tuas folhas eternamente me inquietarão.

rOgério Dias

biografia:
JOSÉ ROGÉRIO DIAS XAVIER
, artista plástico e poeta, nascido em 23 de outubro de 1943, na cidade de Martins-RN.

domingo, 5 de outubro de 2014

VI ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – VI EPE. No dia 31, será lançado o 1° livro sobre parte do bairro da Ribeira, nos 1920, de autoria de Nati Cortez.

VI ENCONTRO POTIGUAR DE ESCRITORES – VI EPE
29, 30 e 31 de Outubro de 2014


Coordenadores Gerais:
Roberto Lima de Souza - UBE
Diógenes da Cunha Lima - ANL
Valério Alfredo Mesquita – IHGRN
José Willington Germano – Cooperativa Cultural da UFRN


Secretário Executivo
Eduardo Antonio Gosson

Coordenadores Adjuntos:
Anna Maria Cascudo Barreto – ICC
Angélica Vitalino - SEMEC-Parnamirim
Antonio Clauder Arcanjo UBE-RN
Aluizio Matias dos Santos – UBE-RN
Carlos Roberto de Miranda Gomes UBE-RN
Geralda Efigênia – SEEC
Manoel Marques da Silva Filho - UBE-RN
José Lucas de Barros - ATRN
Maria Rizolete Fernandes - UBE-RN
José Martins SPVA-RN
Jurandyr Navarro – Academia de Letras Jurídicas - ALEJURN
Ormuz Barbalho Simonetti INRG
Odúlio Botelho - IHGRN
Rosa Ramos Régis da Silva - ANLIC
Zelma Furtado - AFL-RN



Comissão de Divulgação
Alex Gurgel - blog Grande Ponto
Cid Augusto  - O Mossoroense
Cefas Carvalho- Potiguar Notícias
Cinthia Lopes - TN-Caderno Viver
Jania Maria de Souza - Blog da SPVA
J. Pinto Júnior - TV  Bandeirantes
Lucia Helena Pereira - Diretora de Divulgação
Maria Vilmaci Viana  - blog Vivi Cultura
Moura Neto  - Novo Jornal
Paulo Jorge Dumaresq  - Assessor Especial de  Imprensa
Sergio Vilar - Portalnoar.com
Yuno Silva  - Tribuna do Norte
Blog do MIRANDAGOMES
Blog  Genealogia e História
Blog do IHGRN



PROGRAMAÇÃO OFICIAL

NOITE

Quarta-feira, 29.10.2014

19h – Credenciamento dos participantes
20h – Abertura Solene
(Roberto Lima de Souza Presidente da UBE/RN, Diógenes da Cunha Lima
Presidente da ANL ; Valério Mesquita Presidente do IHGRN e José
Willington Germano Presidente da Cooperativa Cultural- UFRN
20h30 – Concerto de violão clássico com Alexandre Atmarama

MANHÃ

Quinta-feira, 30.10.2014

09h – A singularidade Poética de Ferreira Itajubá
 Nelson Patriota, Carlos de Souza e  Lívio Oliveira
Moderadora: Rizolete Fernandes

10h30 – O papel das Academias  na difusão da  Literatura Potiguar
Diógenes da Cunha Lima, Cícero Macedo,   Emmanuel Cavalcanti  e  Zelma Furtado
Moderadora: Conceição Maciel


12h -   INTERVALO






TARDE

15h –  2º Fórum Potiguar do livro, da leitura e das bibliotecas:
Planos  estadual e municipais
Betânia Ramalho Leite – SEEC, Justina Iva - SME, Cláudia Santa Rosa -
IDE  e Vandilma Oliveira - SEMEC
Moderadora : Geralda  Efigênia


16h30 – Bartolomeu Correia de Melo no Contexto Literário regional e nacional
 Arnaldo Afonso,  Manoel Onofre Jr. e Tarcísio Gurgel
Moderador: Nelson Patriota

18h– Sessão  de autógrafos do livro ROSA VERDE AMARELOU de Bartolomeu
Correia de Melo (in memoriam), pela esposa Verônica Melo, contendo a
obra completa do autor. Edições Bagaço,  Recife.

Sexta-feira, 31.10.2014

MANHÃ

9h – Porque sou Poeta
Carlos Morais dos Santos, Roberto Lima de Souza e Diulinda Garcia
Moderador:  Alexandre Abrantes
10h - Recital Poético
Roberto Lima, voz e violão; Alexandre Abrantes e Eduardo Gosson ,declamações

10h30   -  O Máximo com o Mínimo: Poetrix, Haicai e Aldravia
Gilvânia Machado, Aluizio Matias dos Santos e José de Castro
Moderadora: Valdenides Dias


12h - INTERVALO

TARDE

15h -– Ariano Suassuna  no Contexto Cultural brasileiro
Carlos Newton Jr

                                 16h30 -  Sarau Lítero-Musical de encerramento
Grupo Poesia Potiguar e  Cia (Currais Novos-RN)
Sociedade dos Poetas Vivos e Afins - SPVARN

18h - Sessão de autógrafos do livro  JORNAL DA SAUDADE: NATAL NO MEU
TEMPO DE MENINA, comemorativo do Centenário da Escritora Nati Cortez
(in memoriam).




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INFORMAÇÕES
. Vagas:
100 vagas para a SEEC/RN
100 vagas para a SME/Natal
100 vagas para a SEMEC/Parnamirim
100 vagas para escritores e público

. Inscrições:
. Professores da rede municipal, estadual e de Parnamirim devem
procurar a Ficha de Inscrição em sua respectiva Secretaria de Educação
no período de 01 a 20  Outubro  de 2014
. Escritores e o público devem se inscrever  no Instituto Histórico e
Geográfico do RN, à rua da Conceição, 622 – Cidade Alta,  no período
de 01 a 20 de Outubro de 2014, entre 8h e 12h


. Local do VI Encontro Potiguar de Escritores - VI EPE:
Academia Norte-Rio-Grandense de Letras – ANL - Rua Mibipu, 443
–Petrópolis - Natal/RN
Data: 29,39 e31 de Outubro de 2014
Outras informações:    eduardogosson115@gmail.com
robertolsouza@globo.com
Organização: União Brasileira de Escritores – UBE/RN
www.ubern.org.br
. Certificado:
Os participantes receberão Certificado no encerramento do Encontro.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A dor dos pássaros - Maria Maria, poetisa de Currais Novos

FlauzineideemDivulgadora Lítero Cultural - Há 17 horas
*A dor dos pássaros* *Como a dor de certos pássaros no exílio de seu azul,* *minhas asas rumam tontas: * *norte, oeste, leste e sul.* *Vou soltando finos linhos de algodão branco e marfim.* *As idéias viram contas no meu universo nanquim.* *Vejo pedras.* *Faço amuletos do chão seco que me chama.* *Quero o sol desse começo, * *sono leve em minha cama.* *Vôo nas asas das andorinhas vendo a noite pousar cantando.* *Sei que estou em pleno inverno sem amor,* * mas sempre amando*. *Maria **Maria.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Meus Cantares,de Nilberto Cavalcanti de Souza, será lançado hoje, 25.







 O presidente da UBE-RN professor ROBERTO LMA lançará nesta quinta-feira dois livros de poesias: Meus Cantares (organizador e Prefácio) do senhor NILBERTO CAVALCANTI DE SOUZA seu pai e Romance da Princesa  Kalina (cordel)de sua autoria.
Para o poeta José de Castro, que assinou  as orelhas do Romance da Princesa Kalina: - o presente texto poético localiza-se no universo dos chamados romances ou novelas de cavalarias e de amor. Inscreve-se dentro da mais pura tradição da literatura de cordel
Serviço:
Local: Academia Norte-Rio-Grandense de Letras
Rua Mipibu, 443 - Petrópolis   
 Data: 25.09.2014 (quinta-feira)               Hora: 18h30
Contatos:
Telefone : 8899-9686






Amados amigos

Meus irmãos e eu convidamos todos para o lançamento do livro MEUS CANTARES
de autoria do nosso pai NILBERTO CAVALCANTI DE SOUZA (in memoriam)
organizado pelos nossos irmãos ROBERTO LIMA, ALBERTO, NALBA, LÚCIA, com a
colaboração de todos.

Será às 18.30h do dia 25/09 na Academia Norteriograndense de Letras (convite
em anexo). Segue também uma poesia de Roberto que achei muito interessante.
Foi uma reposta que fez a um amigo que perguntou “quanto custa o livro?”.
Ele respondeu em poesia. Formidável.

Grande abraço, esperando vê-los lá.



CUSTO, VALOR E PREÇO



O custo de cada livro

É o esforço do labor,

Noites e dias da vida

De dedicação e amor.

Só assim o esforço vale

E se transforma naquilo

Que a gente chama valor.



No entanto por este mundo,

Pra se ter algum apreço,

Quando se transforma em coisa,

Todo custo tem seu preço.



Concretamente falando

Pra você e pros demais

Custa um livro vinte e cinco

E o outro vinte reais,

Mas pros amigos, eu creio,

Que isto vale muito mais...



Forte abraço, amigo, e obrigado pela inspiração.



Roberto Lima de Souza



*Natal, 22 de setembro de 2014*

-


ABRAÇO, PAZ E BEM
Eugênio Lima de Souza

O verso da Dor.

Caro jornalista Cláudio Palheta Jr. (O Mossoroense):

Segue - ver abaixo e em anexo - poema para o caderno Universo, jornal O Mossoroense (Mossoró-RN), edição do próximo domingo (28/09/2014).
Favor acusar recebimento.
Saudações poéticas de
Clauder Arcanjo.

+++

O verso da dor

Clauder Arcanjo

Para Renard Perez

Hoje, o teu silêncio invadiu minha tarde.
Não pude falar dos meus pobres escritos,
Não pude me aconselhar com tuas leituras,
Não pude ouvir o teu sorriso, chão galego.

Hoje, o teu silêncio quebrou os ossos da tarde.
Não pude obrar o milagre de um começo caminho,
Não pude cobrir meu rosto com tua mansuetude,
Não pude medir os passos no teu áspero amor.

Hoje, o teu silêncio de beco e sinos quedou-me.
Creusa, Creusa! Já tarde, bem tarde, no tombadilho.



295 Poema O verso da dor, de Clauder Arcanjo_O Mossoroense 28.09.2014.doc

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O grande Odúlio!


terça-feira, 16 de setembro de 2014


ODÚLIO BOTELHO
Jurandyr Navarro*
Do Conselho Estadual de Cultura
O espírito humano tem a capacidade de receber o ensinamento dos bons hábitos sociais e o dever de transmití-los às gerações subsequentes. A cada pessoa é-lhe atribuída uma parcela desse caráter civilizatório. Ela não se exibe tal uma bolha, que se desfaz, e sim, uma proposta de vida. Urge, portanto, conduzir esse facho iluminativo que não se apaga diante o vendaval da existência, havendo, naturalmente, coerência de atitudes marcantes.
Na ótica agostiniana, segundo Bertrand Russell, há de se considerar a passagem do tempo em três fases distintas, ou, simplesmente, três tempos: um presente das coisas passadas, que é a memória; um outro, presente das coisas presentes, que é a vista, e um presente das coisas futuras, ou seja, a espera.
O aprendizado da cultura humanística, ciêntífica ou profissional obedece a esse padrão evolutivo temporal.
O jurista Odúlio Botelho, a exemplo de muitos, perfilou a sua vida transpondo etapas sucessivas de estudos continuados, da idade juvenil ate alcançar a Universidade, o estágio complementar da meta almejada.
A Advocacia, a sua escolha profissional: tempo presente da aplicação dos ensinamentos adquiridos. Nesse labor, ele firmou o nome no fórum criminal. O saber jurídico, aliado à capacidade oratória, resultou em quociente apreciavél de vitórias merecidas na tribuna de Tribunal do Júri. Inúmeras as causas ajuizadas e responsavelmente defendidas. O verbo eloquente proferiu inumeráveis réplicas e tréplicas!
O causídico de causas criminais difere do postulante da espera cível. Há, naturalmente, os atuantes em ambas, indistintamente. A diferença, é a inspiração oratória, entre eles, fator de importâcnia capital, no convencimento da causa, no embate das idéias, sob o impacto da emoção psicológica, influenciadora da alma humana.
Durante a sua lida forense, Odúlio Botelho assumiu a responsabilidade como patrono e advogado, designações sinônimas. Tais encargos são mais usuais em ações criminais, pricipalmente nos duelos do Tribunal do Júri. Hoje, os termos se equivalem, entendido que é o advogado o patrono da causa.
O mesmo não ocorria no passado, mormente na Roma dos tempos de Cícero e de Múcio Cévola, famosos tribunos de lides forenses. Nessa época, ja distante, o defensor de algum réu, caso fosse orador, seria o patrono da causa. Se, apenas deslindasse controvérsias jurídicas, questões de direito, seria advogado.
Dai, constatar-se a importância dos juristas dotados de aptidão e dons de retórica, os mais adaptáveis aos debates da tribuna do Júri Popular.
E Odúlio Botelho foi um deles, na sequência da memória histórica.
Não há negar, o púlpito judiciário, através a magia da palavra, tem, ao longo do tempo, encantado e seduzido platéias e auditórios, os mais exigentes e qualificados.
Na opinião do grande orador, advogado e político, Cícero, a eloquencia judiciária é a prova mais alta nos julgamentos, destacando a “Oração da Coroa”, proferida por Demóstene, em defesa de Citesifonte, no debate oratório com o tribuno Ésquines.
No “tempo presente das coisas passadas”, João Medeiros Filho, Vicente de Souza, Wilson Dantas, Túlio Fernandes, Varela Barca, Cortêz Pereira, Arnaldo França, Caio Graco, Hercílio Sobral Chrispim, Claudionor de Andrade, Geraldo Pereira de Paula, Enock Garcia, Ítalo Pinheiro, Herbet Spencer, entre outros, receberam a devida inspiração tribunícia, o mesmo sucedendo com Odúlio Botelho, mais jovem, a imitá-los no mister de ser defensor de causa legítima dos submetidos ao julgamento dos crimes de sangue, em tribunal composto por um Magistrado, um Promotor de Justiça, Advogados e sete Jurados.
Na Grécia, ja havia a “Casa da Câmara”, com seus Juízes. No Areópago, o primeiro Tribunal de Atenas, já existia a figura do acusador.
Por ese período histórico, a lei era subordinada à religião. No rochedo das Termópilas estava gravado: “Viandante, vai dizer a Esparta que morrermos aqui em obediência às suas Leis”. Sócrates se imolou, seguindo os seus preceitos. Eram elas imutáveis, não como hoje, derrogadas ou revogadas. Imutáveis, por serem consideradas divinas.
Eram, portanto, sagradas.
Quando da sua criação, pelo governante, e sufragada em comício popular, a lei só era válida após ser sancionada pela religião. Proclamam autores antigos que ela foi sempre considerada santa.
Nos dias da realeza romana, era, a lei, a rainha dos reis; nos dias da república fôra a rainha do povo.
Odúlio Botelho teve postura de retidão ética e profissional. Nas ações penais a sua presença foi exitosa em todos os sentidos, no fiel cumprimento dos mandatos a si confiados. Também o fez nas ações cíveis, tanto na argumentação escrita em audiência formais, nas razões e contra-razões proferidas, no juízo singular, ou, na sustentação oral diante do tribunal pleno.
Portou-se, igualmente, a colegas que envergaram e envergam a sagrada beca, pela causa da Justiça, como representantes da nobre classe dos Advogados. Classe das mais remotas, nascida na Roma Antiga, na fase política do seu Império, depois das fases do Reinado e da República, quando, nestas últimas, ainda não havia a figura do Advogado.
Na sua triunfante carreira jurídica, Odúlio Botelho foi prestigiado pelo destino, com duas distinções de relevo. Presidente da OAB/RN, tendo realizado aplaudido mandato, quando teve oportunidade de levantar a bandeira dos chamados Direitos Humanos individuais.
E Odúlio Botelho, dirigente da nobre classe, os prestigiou como espécie de consciência nacional.
À frente da Instituição ele deu continuidade aos postulados éticos e à consciência intelectual, entendo constituir uma abnegação das mais cultas. A Advocacia requer, portanto, um caráter superior dos seus representantes.
A outra distinção a ele conferida foi a de ter sido escolhido, mediante valor profissional e perfil humanístico, um dos sócios-fundadores da Academia de Letras Jurídicas do Rio Grande do Norte, dendo sido um dos seus Presidentes, em cujo mandato realizou importantes eventos e editou o primeiro número da Revista da Instituição, inugurando, assim, a publicação dos discursos de posse dos Acadêmicos e demais matérias de âmbito cultural.
Frize-se, também, a sua erudita oração, ao fazer o clássico Elogio do Patrono, da sua Cadeira nº 22, que, por coincidência, o seu companheiro de longas tertúlias advocatícias, no Tribunal do Júri em Natal, Patrono, João Medeiros Filho!
A outra face laboriosa do advogado Odúlio Botelho foi a sua participação administrativa em cenários governamentais: Municipal, Estadual e Federal.
Na Prefeitura Municipal do Natal, exerceu o relevante cargo, em comissão, de Chefe da Casa Civil. No Estado, no exercício do seu cargo efetivo de Procurador, chefiou várias de suas Procuradorias internas, e na Secretaria de Administração ocupou cargos de direção. No plano Federal, foi um dos Diretores do Tribunal do Trabalho, desta Capital, durante um decênio.
Dotado de alma sensível à poesia, em horas de lazer, gosta de declamar  sonetos, poemas e outras divagações literárias, fazendo jús ao seu ingresso, por merecimento, em diversas das nossas instituições culturais. Presentemente presta o seu contributo valioso, na Diretoria do Insituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.
________________________

* Artigo publicado em O Jornal de Hoje, dos dias 13 e 14 de setembro/2014

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Prefeito de Natal cria secretaria de cultura.

Fonte:substantivoplural.com.br
sexta-feira, 05/09/2014

por: Sergio Vilar

Posse da nova Secretaria de Cultura de Natal será terça

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Nesta terça-feira (9), às 10h, na sede da Prefeitura do Natal, acontecerá a solenidade de oficialização da recém criada Secretaria de Cultura de Natal (Secult/Natal), órgão que comandará as ações culturais do município com o braço da Funcarte. Dácio Galvão, atual presidente da Funcarte, também responderá pela Secretaria de Cultura.
A publicação da criação da Secult saiu na edição de sábado (30) do Diário Oficial do Município. No organograma apresentado, a Secult/Natal irá incorporar a Funcarte em sua estrutura e junto também a inédita Sala Natal, responsável pela formatação e aplicação de intervenções no campo das Artes Visuais no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte (Memorial de Natal), a cargo de Franklin Jorge.
A criação da Secult foi um dos pontos da reforma administrativa aprovada na Câmara de Vereadores, que previu também a extinção de cargos e redução de secretarias. A criação da Secult é mais um passo dentro das ações previstas e acordadas na Conferência Municipal de Cultura, em 2013, seguindo diretrizes do Plano Nacional de Cultura e do Plano Municipal de Cultura.
Desde a metade dos anos 1980 que Natal não tinha Secretaria de Cultura. A primeira experiência aconteceu na gestão do então prefeito Garibaldi Alves Filho, hoje Ministro da Previdência. Trata-se de um acontecimento histórico na cultura da cidade. Com a Secult/Natal, a cultura passa a ter orçamento próprio e amplia as condições do planejamento e execução de políticas públicas para o segmento.
Foto: Eduardo Maia/Novo Jornal


domingo, 31 de agosto de 2014

E o mistério continua...

domingo, 31 de agosto de 2014



Saint Exupéry 70 anos

José Eduardo Vilar Cunha

Jornalista e escritor


Ocasionalmente em duas oportunidades me aproximei da história a respeito de Saint Exupéry.  A primeira vez foi quando me dirigia para a famosa praia de Saint Tropez que, nos anos 60 ficou conhecida por ser moradia de Brigitte Bardot e, por causa do horário do le bateau, pernoitei em Saint Raphael, Côte d’Azur que é uma estância balneária da Riviera francesa, inserida numa belíssima enseada repleta de embarcações. Durante o tempo que passeava pela parte antiga da vila fui informado que havia uma exposição da Aéropostale. A segunda vez que aconteceu esta aproximação foi em Vichy, a capital do Estado Francês nos anos 40–44, período este, considerado obscuro na história francesa. Atualmente Vichy é procurada para o uso terapêutico das suas águas termais.

 O jornal “La Montagne” que circula na région de Auvergne, em Jeudi 31 Juillet 2014, informava da comemoração dos 70 anos do seu desaparecimento, visto que, em 31 de julho de 1944, Saint Exupéry, numa missão de reconhecimento fotográfico, desapareceu pilotando P38 Lightning  F-B5 num voo sobre o mediterrâneo, nas proximidades de Marseille.

Na exposição em Saint Raphael pude observar que Pierre-Georges Latécoère fundou em Toulouse - Montaudron a Lignes Latécoère em 1918, que em seguida passou a ser Compagnie Générale d’Entreprises Aéronautiques, C.G.E.A. em 1921, posteriormente, Compagnie Générale Aéropostale em 1927 e por fim, Air France 1933.

A história que lhes conto começa quando Saint Exupéry ingressa como piloto da Aéropostale, justamente com Mermoz e Guillaumet voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar. Nesta mesma época ele publica seu primeiro livro L’Aviateur e os seguintes, Courrier Sud em 1929 e Vol de Nuit, 1931.

Após o armistício de 1940 quando a França e a Alemanha acertaram o cessar fogo, Saint Exupéry viaja para Nova York e em 1943 publica “O Pequeno Príncipe” alcançando sucesso internacional.

Ainda, em 1943, Saint Exupéry retorna ao antigo esquadrão 2/33 da Força Aérea da França Livre, permanecendo em uma base na Córsega. Todavia, é numa das missões de averiguação que o seu avião desaparece, sem deixar vestígios, naquela data fatídica, 31 de julho de 1944.

Muitas hipóteses são aventadas sobre a autenticidade do aparecimento da pulseira encontrada por um pescador com identificação ANTOINE SAINT EXUPÉRY, em 1998. Contudo, em 2000 os destroços do avião P38 Lightning F-B5 foram encontrados ao largo de Riou, Marseille, sendo identificados pelo número de série da aeronave. Segundo consta em relatos as peças restantes encontradas do avião estão no museu do Ar e do Espaço de Bourget.

Um enigma permanece neste sinistro, o corpo de Saint Exupéry nunca foi encontrado.
Jornal de  Hoje de 30.08.2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

domingo, 17 de agosto de 2014

Poetisa natalense




PALMIRA WANDERLEY
Jurandyr Navarro
Do Conselho Estadual de Cultura
Habitou em Natal do nascimento à morte - 06/08/1894 a 19/11/1978, uma moça loira, olhos verdes, de alegria contagiante, descontraída e inteligente. Pertenceu a um ramo familiar de senhoril nobreza cultural. Em plena adolescência uma fada cingiu-lhe a fronte rosada com uma grinalda de flores - a coroa da Poesia, por ela ostentada a vida inteira.

O seu verso mereceu elogio entusiasta do "Príncipe dos Poetas Brasileiros" - Olavo Bilac. E Tristão de Atayde reconheceu nela:


"O maior poeta feminino do Nordeste".


O seu livro, “Roseira Brava”, editado no Recife, em 1929, recebeu o "Prêmio de Poesia" da Academia Brasileira de Letras.

Foi a sua consagração literária.

Projetou-se, também, na imprensa, sendo a primeira jornalista do Estado, colabo­rando em jornais de Natal - "A República"; 'Tribuna do Norte"; "Diário de Natal (da Diocese); "Diário de Natal"; Rio de Janeiro: "A Imprensa", "A República"; "A União"; em São Paulo, nas Revistas "Feminina" e "Moderna"; na Bahia: Revista "Paladina do Lar"e em Fortale­za na Revista "Estrela".

Das poetisas da terra que lhe deu berço é a sua Prosa a mais abundante e elo­quente, na expressão, de nossa literatura. O seu escrito datado de 1925, intitulado, "De Joelhos", sobre ser um verdadeiro poema em prosa.

A sua poética foi outrossim elogiada por Câmara Cascudo, Olegário Mariano e Múcio Leão.

Dedicou-se, também a outro cenário cultural - o Teatro. Para ele produziu peças e operetas.

Foi, Palmyra Wanderley, na sua época, considerada uma espécie de "poetisa ofi­cial" de Natal. (Duarte e Cunha - 2001).

Autora de peças teatrais, conferências, era declamadora em festas fechadas, ani­versários e em solenidades públicas.

A sua primeira obra, intitulou-a – “Esmeraldas”.

Inéditos deixou: “Neblina na Vidraça” (versos); “Minha Canção Auriverde” (versos); “Panorama Histórico” (prosa e verso); “O Sonho da Menina sem Sonho” (teatro); “Vidro de muitas Cores” (crônicas); “Rosa Mística” (versos); “Contos e Lendas de Tia Nenen”; Dis­cursos e Conferências”; “Madame Laiseus”; “A Dama do Século” (conferência); “Sutilezas Femininas”. (Duarte, Cunha -2001).

Palmyra Wanderley foi Sócia fundadora da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, por convite pessoal de Luís da Câmara Cascudo, o seu idealizador.

Os dotes intelectuais, não eram somente eles, as qualidades eleitas da sua perso­nalidade altiva. A alma sensível ao encanto da Arte, fora atraída, desde a infância, pela chama da Fé; iluminadora chama da sua inspiração poética. E católica fervorosa, que foi, uma vida inteira, espargia afetos, cordialidade e entusiasmo, sendo afável e dotada de altruísmo, dando conselhos de esperança, a bela virtude teologal.

Teve ela uma existência cheia de simplicidade, ornamento maior do seu espírito cristão.

O seu encanto, como pessoa humana, tornou-a querida e conceituada em nossa sociedade.

Tendo sido considerada das mais cultas do Brasil, em seu tempo, a poetisa, Palmyra Wanderley França, afirmou-se como uma das proeminentes mulheres intelec­tuais do Rio Grande do Norte.

Em 1944, com o falecimento, aos 39 anos de idade, do nosso santo e sábio, devotou-lhe o soneto abaixo:



“NO CAMPO SANTO


À memória de Padre Monte



Aqui repousa o sacerdote angélico

De consciência pura e alma serena...

Aqui sossega o sábio no evangélico,

Tão grande em sepultura tão pequena


Aqui descansa o padre humilde, o célico,

O manso e bom. Pastor de doce avena...

Aflorava em seu riso triste e mélico,

A indiferença à sedução terrena.


Da vida amarga espinhos dissipava,

Jardineiro das almas procurava

De perfumes celestes embebê-las...


Mãe desolada, enxuga o pranto aflito

Que o teu filho, nas dobras do Infinito,

Foi celebrar a missa das estrelas.”

sábado, 16 de agosto de 2014


NÃO CHORES POR MIM, ARGENTINA
Por: GILENO GUANABARA, sócio efetivo do IHGRN

As televisões transmitem para o mundo a crise financeira da Argentina. A roda-viva me devolveu alguns fios da memória, quando, para mim, Buenos Aires era a imagem de um mundo romântico que cantava as dores esquisitas pela morte de Carlos Gardel. Visitei Buenos Aires depois, um pouco de suas ruas, o burburinho de sua gente elegante, a grandiosidade da Avenida 9 de julho e o Obelisco, centro e símbolo da capital portenha. Conheci livrarias, o cemitério que agasalha os restos mortais de Evita, o recanto boêmio “Camenito”, suas praças e o Bairro do Boca. Foi assim, como sói ocorrer com outros visitantes. A Argentina para mim deixou de ser tão somente o ritmo malevolente de um tango, ou o som plangente de um bandoneon executado por Piazzola, sem menoscabo de outras facetas de sua musicalidade. A par do enlevo da visita fui tomado por um sentimento de tristeza. Surpreendi-me ao ver pessoas postadas indiferentes nas calçadas. Eram os descamisados, inúmeros, de cabelos loiros e olhos azuis, dirigindo uma súplica, em troca de um agradecimento antecipado, rabiscado num papel: Estoy a pedir su ayuda. Gracias.

A História recente dos países da América Latina é bastante significativa face a trajetória no que tinha de assemelhado com a Argentina. A pujança de sua economia se retratava na robustez de sua escolaridade, cultura e de suas transações mercantis. O potencial econômico do Mar del Plata e as exportações de carne e trigo a fizeram a sexta economia mundial, passando ao largo de crises periódicas do capitalismo industrial. Tempo em que, na cidade de Buenos Aires, o número de livrarias e de escolas em funcionamento era superior às existentes em todo o território do Brasil. Ao se iniciar o século passado, Buenos Aires já tinha em funcionamento o seu Metrô de passageiros, serviço só compatível em cidades como Moscou, Londres, Paris e Nova York.

O declínio intermitente da Argentina perpassa obrigatoriamente pelo Peronismo que dominou inconteste o país durante a primeira metade do século XX. Como lá, o populismo político se alastrou nos demais países da América do Sul, gerando líderes carismáticos e um modelo conservador, em tudo assemelhados, tais as diferenças regionais. Peculiar no Brasil, o trabalhismo de Getúlio Vargas caminhou para substituir a fórmula até então hegemônica da economia ruralista, cooptando lideranças regionais, impondo uma economia urbana pré-industrial e revisando a economia artesanal. A partir dos anos de 1950, consagrou-se um parque industrial na Região Sudeste, mais especificamente em São Paulo, que se tornou polo da indústria metalúrgico/automotiva e se impôs com reflexo nas demais regiões do Brasil. O setor agropecuário permaneceu ativo, embora fragilizado diante das crises, submetido às vacilações do mercado e ao amparo crescente de recursos governamentais.

O ciclo populista na Argentina foi mais perverso, exatamente por não ter incorporado com rigor novas vias de desenvolvimento, a par do seu potencial, ao final da Segunda Grande Guerra. Se a economia mundial se reciclara, a nova política de exportação de comodities exigia novos influxos econômicos, que não foram viabilizados convenientemente. De herança mais consistente ao populismo, a incapacidade política do modelo consagrou, fortalecendo o vínculo mais fácil de convencer a massa trabalhista, que, em sua maioria, mesmo sendo politizada, se partidarizou, favorecida com a concessão dos pleitos salariais, exatamente quando o aguçamento da crise vez por outra a atingia. A abundante riqueza oriunda da fase áurea da exportação serviu para abastecer por muito tempo a máquina estatal, a corrução e a engrenagem dos burocratas, o partido peronista e o sistema policial/militar repressivo, apto contra as turbas assalariadas, desenganadas nas horas de crise.

Em a História não se repetir, salvo como tragédia, o retorno político de Peron ao governo, sem novidade, na segunda metade do século passado, aprofundou ainda mais a crise que corroía a Argentina. Repetiu-se a tragédia anunciada, quando da morte de Evita, em 1950. O Peronismo sozinho não tinha mais forças para governar e, afinal, com a morte do líder, restou associar-se a milongueiros carreiristas. Em consequência da morte de Peron, uma nova Evita ascendeu ao poder, sem forças políticas de apoio, sem envergadura e a economia encolhendo em pedaços. O populismo na Argentina deu seus últimos suspiros. A ditadura dos generais resultou o final do ciclo da decadência. Eis a fase pós-peronista, de truculência fascista contra os jovens, de inoperância governamental, de revolta popular e do desespero pela retomada das Malvinas.

 Os demais países da América do Sul tiveram com o final da experiência populista a implementação de ditaduras militares. Restaurado o regime democrático, raríssimas foram as economias regionais que tinham fôlego para se restabelecer por si. A Argentina não tinha líderes nem projetos de futuro. As Mães de Maio invadiram as praças à procura de seus filhos perdidos e por explicações do passado que não esquecem. A inflação instigou os panelaços. Nascia o simulacro de um novo peronismo.

O lamento/canção Don’t cry for me Argentina, na voz de Madonna, no início da trilha sonora do filme de igual nome, não nos conforta: Será difícil de compreender?.. É fidelíssimo à realidade da vida. Confirma-se a conjunção maldosa de política e família, carisma e populismo de Estado, militarismo, corrução e inflação, em passos de jabuti, e na direção da derrocada do país, até o quadro grave a que chegou.

Desde Adolfo Rodrigues Saa (2001), até o contorcionismo do atual ministro da Economia; de Carlos Menen e outros, aos governos da família Kistchner, diante de credores impolutos, pouco nada resta a contratar, tantas foram os débitos, até a submissão às garras insensíveis dos fundos abutres. Não há Peron, não há outra Evita, a mãe dos pobres, nem Isabelita, para aplacar os rigores do frio que atravessam os Andes e pairam avassaladores sobre sua gente. A Argentina irá se redimir, mais cedo ou mais tarde.  
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