sábado, 16 de agosto de 2014

Viagens longas exigem atenção mais apurada.

O bálsamo cultural aliviando nossa passagem terrena

  

15 de agosto de 2014 20:53


Por Flávio Rezende*
 
Toda viagem agrega uma série de acontecimentos. As mais comuns, que carregam nosso ser em deslocamentos curtos e locais, exigem apenas pequenas providências e, muitas delas, são realizadas praticamente no piloto automático, uma vez que ficamos tão condicionados aos roteiros repetidamente utilizados, que os seguimos sem nem mesmo pensar a respeito das curvas e sinalizações existentes.
 
As viagens mais longas exigem atenção mais apurada, posto que nos remetendo ao novo, pedem um olhar mais atento, uma mala que substitui o guarda-roupa e vigilância para evitar que os malfeitores se interponham em nosso roteiro, transformando o bem bom num baixo astral daqueles.
 
Tenho viajado bastante, colocando em prática real aquela música dos Novos Baianos que em bela letra revela, “vou mostrando como sou e vou sendo como posso, jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros, eu deixo e recebo um tanto e passo aos olhos nus, ou vestidos de lunetas, passado, presente, participo sendo o mistério do planeta...”.
 
Num desses deslocamentos, nem tão automático e nem tanto vigilante, fui bater na bela praia da Pipa, pertinho de Natal, recanto que albergou parte de minha juventude, onde maconha, surf, comida enlatada, água de coco e cerveja gelada, eram tão presentes quanto o sol e as moças bonitas, numa mistura emoldurada por rock progressivo e MPB e que deixou até hoje, boas recordações de um tempo muito interessante e bem curtido.
 
Neste deslocamento pude presenciar e participar graças à bondade da amiga Yanna Medeiros, do Festival Literário da Pipa, conhecido como Flipipa. Foi puro encantamento. O desfrute da pousada Bicho Preguiça com Deinha e Mel, o banho de mar, o passeio pela rua principal e, o êxtase de ouvir palestrantes, bebendo cultura e me alimentando de conversas paralelas de teor literário, reavivaram em meu ser, o grande e fantástico prazer das coisas culturais, dando novo ânimo a minha vida e imantando potente satisfação a meu viver.
 
Ouvir pessoas interessantes, falando de coisas legais, sorrir internamente em prazeroso gozo de absorção de saberes, é uma coisa extraordinária, mostrando mais uma vez para este escrevinhador, o quanto é importante e necessário este processo nutricional de alimentação cultural, tão salutar quanto as demais formas de sobrevivência, tais como respirar e comer, uma vez que um ser sem o usufruto da informação que edifica, é um ser sem essência, ficando faltando algo, como se sem alma passasse por sua existência material.
 
A praia da Pipa vai nos brindar novamente com esse tipo de alimentação, agora na incrível área da música, aquele setor onde essa nutrição essencial adquire igual potência. Lá vai ocorrer, de 21 a 24 deste mês de agosto, o Fest Bossa & Jazz, tão bem organizado pela amiga Juçara Figueiredo, que promete colocar no palco gente muito boa do jazz como Street Band, Ricardo Silveira Quarteto, Mark Rapp Quartet, Rogério Pitomba, Nuno Mindelis, Camila Masiso, Marcos Valle, Roberto Menescal, Glen David Andrews Band, Sambossamba & Blues, Jaques Morelenbaum & Cello Samba Trio e o Eric Gales.
 
Gente da qualidade de Dácio Galvão, Juçara Figueiredo, Yanna Medeiros e outros produtores e fomentadores culturais da cidade como Marcelo Veni, Diana Fontes, Zé Dias, Gustavo Wanderley, Zelma Furtado, Toinho Silveira, Candinha Bezerra, Jomardo Jomas, Daniel Rezende, Margot Ferreira, Claudia Soares, Alexandre Dunga, Jorge Elali, Abmael Silva, Carito Cavalcanti, Rodrigo Cruz, Alexandre Barros, William Collier, Ivonete Albano, Buca Dantas, Daliana Cascudo, Civone Medeiros, Laumir Barreto, Carlos Fialho, Marcílio Amorim, Cinthya Lopes, Yuno Silva, João Hélio, Fernando Mineiro, Hugo Manso, Neiwaldo Guedes, Franklin Jorge, Conrado Carlos, Marcos Sá de Paula, Marília Sá, Chico Guedes, Véscio Lisboa, Rejane Souza, Nalva Melo e Jeane Bezerril, entre tantos outros que me anistiem pela falta de memória momentânea, além de entidades culturais, deveriam ser reverenciados, uma vez que fornecedores de alimentação da melhor qualidade para nossas vidas tornam as passagens por estas paragens mais interessantes e agregam valor de alto nível ao nosso existir terreno.
 
Quando escolhemos um destino para jogar nossos corpos, se nele estiver inserido o item cultura, pode colocar no automático e relaxar quanto à segurança, certamente você vai levitar e no fim achar, que valeu a pena ter estado ali para viajar numa fina estampa de alto valor espiritual, carnal e emocional.
 
*É escritor, jornalista e ativista social em Natal/RN (escritorflaviorezende@gmail.com)


--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 8/15/2014 09:53:00 AM

sábado, 9 de agosto de 2014

UBE/RN faz 50 anos em prol da cultura.

UBE/RN : 55 ANOS EM DEFESA DA CULTURA

Texto: Eduardo Gosson*


Nesta quinta-feira, dia 14 de agosto de 2014 faz 55 anos de fundação da UBE/RN. Cronologicamente, somos a 4ª entidade mais antiga (1ª – IHGRN;2ª -ANL  3ª – ICOP E 4ª - UBE  Vejamos um pouco desta história:
1ª fase. A  idéia partiu do jornalista, escritor e magistrado Edgar Barbosa durante a Semana de Estudos Euclidianos, promovida em Natal/RN, com o apoio de diversas instituições. Na histórica reunião de 14 de agosto  de 1959, às 20h50, no IHGRN com a presença do escritor Umberto Peregrino,  Aldo Fernandes, Edgar Barbosa,  Alvamar Furtado, Grimaldi Ribeiro, Dióscoro Vale, Raimundo Nonato e Manoel  Rodrigues. A diretoria aclamada para a organização da UBE – Secção do  Rio Grande do Norte – ficou assim constituída: Raimundo Nonato – Presidente; Manoel Rodrigues de Melo, Vice-Presidente e Afonso Laurentino – Secretário . Essa Diretoria Provisória preparou o Estatuto e organizou o processo eleitoral em  14.11.1959, três meses depois, sendo eleitos os seguintes escritores para o biênio 1960/1961:
(1ª Diretoria)
Raimundo  Nonato da Silva, Presidente;  Paulo Viveiros, 1º Vice-Presidente; Manoel Rodrigues de Melo, 2º Vice-Presidente; José Saturnino de Brito, 3º Vice-Presidente; Afonso Laurentino Ramos, Secretário  Geral; Berilo Wanderle, 1º Secretário; Leonardo Bezerra, 2º Secretário; Antídio de  Azevedo, 1º Tesoureiro; Jaime dos G. Wanderley, 2º Tesoureiro.
Conselho Fiscal: Câmara Cascudo,Edgar Barbosa , Alvamar Furtado, Esmeraldo Siqueira e Américo de Oliveira Costa.
Vogais: Antônio Soares Filho, Vingt-un-Rosado,  Jurandir Barroso , Zila Mamede e Veríssimo de Melo.
Através de um Comunicado endereçado ao Presidente da UBE nacional , escritor Peregrino  Júnior, datado de 19.11.1959, o presidente da UBE/RN, escritor Raimundo Nonato da Silva  comunica da eleição da 1ª diretoria da entidade, bem como solicita a filiação da UBE/RN à UBE, com sede no Rio de Janeiro.
Em  21.01.1960 foi fundada uma sub-seção da UBE/RN: Jaime Hipólito Dantas, João Batista Rodrigues, Vingt-um Rosado e Manoel  Leonardo Nougueira.
Outra curiosidade: o Estatuto tinha 3 tipos de sócios:1. Sócios Efetivos (fundadores e efetivos). 2. Sócios Honorários e 3.  Sócios Beneméritos.
2º fase. Inicia-se com a vinda de Fagundes de Menezes em 16.11.1984,   no Salão dos Grandes Atos da Fundação José Augusto, na presença de  18 intelectuais. Curioso notar que a escritora Zila Mamede  participou das duas fases, sendo inclusive  Vogal da 1ª Diretoria da UBE (1960/1961) e sócia fundadora na segunda fase. Outra curiosidade: Dom Nivaldo Monte também participou das duas fases.
3ª fase. Inicia-se em 23 de março de 2006 com uma reunião de reorganização, na sede da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, contando com a presença de 8 escritores:   Anna Maria Cascudo Barreto,Carlos Roberto de Miranda Gomes. Eduardo Antonio Gosson, Lívio Oliveira, Pedro Vicente da  Costa Sobrinho, Nelson Patriota,  Manoel  Onofre de Souza Júnior e Racine Santos.
 
Lívio Oliveira (2006-2007
) ficou à frente da entidade por um ano e oito meses quando, por motivo particular, renunciou ao cargo. Por aclamação Eduardo Gosson assumiu a Presidência da Diretoria Provisória consolidando a entidade em definitivo (2008-2009). Após o registro da entidade, foi eleito para presidir a UBE no biênio (2010-2011) e reeleito para o biênio 2012-2013.Em novembro de 2013  foi eleita a chapa A UNIÃO FAZ A  FORÇA, tendo sido eleito o poeta, filósofo e professor Roberto Lima de Souza para o biênio 2014-2015.




Parabéns aos colegas, pelos 55 anos da UBE/RGN.
Eis minha homenagem a todos os colegas:


Carlos Costa.

ESCREVER É UMA ARTE; SOMOS  ARTISTAS!


Homenagem do DIA DO ESCRITOR


Escrever é uma arte e o escritor é um artista que precisa ser melhor entendido, lido, aceito e compreendido em seu universo criador!

O escritor, é o que transporta sentimentos para o papel e fazer pensar ou  emocionar pessoas. Depois, ele próprio se emocionar com a emoção dos leitores ou se divertir com os comentários escritos que recebe, ou orais que terá ao longo do tempo, muitos suaves ou ácidos e agressivos demais! O escritor só escreve e não o faz para agradar ninguém!

Mas, ser um escritor, exige muita leitura e pesquisa porque na cabeça do escritor pulsam ideias aos turbilhões e ele só se satisfaz quando as vê publicada de alguma forma, em algum lugar.

Os pensamentos e ideias de um escritor pulsam freneticamente e vão se transformando em palavras que surgem na tela do computador, brotam em forma de letras de uma caneta como fosse uma mágica ou soltam tristes ou alegres de dentro do táblet ou de uma simples e ultrapassada máquina de datilografia, (que já foi MINHA AMANTE no passado), que pulsa tanto quanto o coração do ansioso escritor, para ver seu texto finalizado.

Escritores são escritores simplesmente e não há como entendê-los completamente, porque sempre deixarão mistérios a serem contados, pesquisados, narrados e escritos porque deixam pegadas nas entrelinhas de seus pensamentos, os caminhos a serem percorridos por outros escritores. 

De uma forma ou de outra, escrever é uma arte e o escritor é um artista. Todos somos artistas, só que uns mais e outros menos. Há escritores que se manifestam por metáforas, outros por filosofia, mas todos são seres humanos que se escondem por trás das personagens que criam. 

O escritor é aquele que pinta com tinta colorida da imaginação as cores em preto e branco que vê, porque o mundo lhe oferece de graça, como se fosse um papel para desenhar. O escritor é um observador atento da vida, mudanças, costumes e das mazelas que o mundo lhe oferece, mas poucos percebem que tudo está posto, só precisando de cores fortes ou fracas pela habilidade do escritor/pintor. Também as cores podem ser bem-humoradas ou cheias de tristeza, dependendo estado de espírito de quem as pintará. O quadro pode sair cheio de vida ou de melancolia Esse é o escritor!

O escritor é que consegue transformar desgraças em poesias. Bombas que destroem casas e, no meio dos escombros, ainda conseguir ver rosas brotando onde ninguém imaginaria que pudesse existir vida, quando mais uma rosa! O escritor é assim. Quanto mais for a desgraça, mais o escritor tentará transformá-la em vida com sua imaginação que voa livre, leve e solta! Não há limites para o escritor! Do nada ele faz o tudo e do tudo, constrói um universo para a pessoa viajar pelas páginas de suas obras, sem ter que pagar ingresso

O escritor é o quem consegue ver, sentir e viver a dor dos outros como se fossem suas próprias dores, explodindo essa dor como uma bomba em forma de protesto em um texto, uma crônica, um romance. Ser escritor é construir esperanças em meio a todas as desgraças.

Escritor produz frenética e compulsivamente todos dias, mais pelo prazer de exercitar a mente debilitada e muito manipulada desde 2006, como eu! Escrevo para externar meu pensamento e dividi-lo com os leitores. Gosto de receber comentários, que são as ações e reações dos leitores. Não serei unânime nunca. Tenho ideias polêmicas, mas as exponho com tranquila responsabilidade.

No Dia do Escritor, quero referenciar à memória de Danilo Du Silvan,  que me fez poeta e foi premiado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus – Suframa, com sua obra fantástica O MAR DE SARGAÇOS. Danilo não viveu para ver minha transformação em cronista. Também estendo meu agradecimento sincero a todos os escritores que Deus os chamou para criar e escreveu para Ele no céu, entre eles Ariano Suassuna, que não esperou seu dia acontecer, partindo antes.

Mas será que no céu existe computador, máquina de datilografia, internet, tablet, essas coisas que os escritores usam hoje para expor seus pensamentos e colocá-los  no papel, como pensam? 

Dentro de todos os escritores, reside uma pessoa humana e por trás do ser humano, vive uma personagem anônima de sua própria história a ser contada depois, pelos pesquisadores. 
 









quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Surpreendentes leitores

Publicação: 06 de Agosto de 2014 às 00:00 | Comentários: 0
Fonte: Tribuna do Norte.
Nivaldete Ferreira*

Ficar a pé tem me trazido ótimas surpresas. Primeiro, foi um moço dono de um bibliotáxi. Ele pendura uma sacola com livros atrás do seu assento e explica: “Quem se interessar pode ir lendo enquanto chegamos ao destino. Aliás, tenho um sonho: publicar um livro com histórias de passageiros. Sou doido por livro”. Disse que tem graduação, mas que não conseguiria se adaptar a um trabalho numa sala fechada. “Gosto de falar com as pessoas, de movimento, e trabalhar como taxista me realiza”. É cadastrado no Easy Taxi e acho que se chama José. Acrescento um sobrenome por minha conta: José Gentil Amante dos Livros e Feliz da Silva.   

Há dois dias conheci outro leitor, do qual jamais desconfiaria: o senhor Alberto, mecânico de uma revenda de automóveis em Natal.  Ele percebeu que havia um livro (“Amrik”, de Ana Miranda, que recomendo) no carro que deixei lá para um ajuste. Quando foi me explicar alguma coisa ligada a um certo sensor, aproveitou para me abordar: a senhora gosta de ler, não é? Mal respondi, ele foi relatando sua história de leitor. Contou que, bem jovem, foi para Belo Horizonte tentar um trabalho e se hospedou na residência de uma parenta. Para seu espanto, havia caixas e mais caixas de livros na sala da casa. A parenta explicou: “Meu marido mandou imprimir 3 mil exemplares do livro de poesia que ele escreveu, agora está tudo aí encalhado”. Alberto empolgou-se, ofereceu-se para ir com o poeta às escolas. O plano: o poeta leria alguns poemas para os alunos e deixaria lá um número x de exemplares para venda a preço simpático, depois retornariam para conferir o resultado. Aos cuidados desse brilhante assessor e companheiro, o autor acabou esgotando a edição! Daí para a frente, Alberto tornou-se  leitor  de autores como Nietzsche e Balzac, e aprecia muito Jorge Amado e Lya Luft. Disse que já leu em torno de 4 mil livros e que sua grande felicidade é quando está na livraria de um shopping ou quando retira livros da Biblioteca Pública. E desabafou: “Só fico triste porque não posso adquirir os livros que gostaria”, mas se deu por um homem feliz: “Nunca precisei de remédio. Calmante? Nem ver. Ler me deixa muito bem”. Pois é, dois homens apaixonados pela leitura e desenvolvendo trabalhos pouco estimuladores dessa prática, mas o que os move é mais poderoso: é o desejo de ampliar os limites da compreensão do mundo, da vida. Na verdade, bem poderiam fazer palestras nas escolas. Até por serem leitores espontâneos talvez inspirem mais empatia nos estudantes do que... nós outros, que publicamos livros e temos lá nossos cacoetes de leitores “profissionais”. Aliás, os encontros literários bem poderiam, eventualmente que fosse, convidar esses e outros anônimos maravilhosos para falar sobre leitura. Afinal, pergunta óbvia: o que seria dos autores sem os leitores?... O leitor é a outra metade do escritor. Não importa se na pele de um taxista ou de um mecânico.

*Nivaldete Ferreira é professora aposentada pelo Departamento de Artes da UFRN. Autora de livros de poesia, literatura infantil, romance e teatro.

domingo, 3 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014


NA VIDA TUDO É POESIA



O QUE PODIA TER SIDO... E O QUE NÃO FOI.
            Ciro José Tavares.

Como Prometeu devias ter agrilhoando-me e não fizeste.
Ter atado meu corpo ao flamboyant que nos acobertava,
ao estender os galhos sobre o muro frontal de tua casa.
E como não fizeste eu fugi através de mares e desertos,
semelhante ao cometa  vagando sem destino na amplidão.
Eu podia ter orientado meu rumo nos olhos de minha mãe,
que, ao saber de ti, refulgiram como estrelas e eu não quis.
E porque não quis atormentam-me saudades do flamboyant,
aparando o sol nas manhãs e noturnas réstias das alvas luas.
Lembro como abrandavas o meu desassossego. Nas palavras
mansas, na ternura do olhar, nos doces  gestos de uma santa.
Tinhas a graça da mulher medieval que encantava trovadores,
e por que não me aprisionaste nas ameias do teu castelo?
E porque não fizeste, o pássaro vadio voou sem direção e pouso certos.
Nas asas os estigmas de Byron e Shelley plantados pelos deuses.
Agora que nada resta entre nós dois estou encarcerado nas lembranças,
de tudo o que podia ter sido ...  e o que não foi.

sábado, 2 de agosto de 2014

A verdade é (uma virtude) um hábito...

“Em mundo que se fez deserto temos sede de encontrar companheiros”
Saint-Exupéry


            A Copa passou, deixando várias lições, sendo esta a mais importante: fora do trabalho em equipe, não há salvação. Guimarães Rosa entendia tanto disso que colocou no seu Grande Sertão - Veredas: “O capinar é sozinho... a colheita é comum”. O danado é como criar o hábito de trabalhar em equipe, se desde o início da nossa formação educacional somos treinados a trabalhar sozinhos? E um hábito não se muda da noite para o dia...
            Vejam o que um hábito é capaz de fazer. Inicio da Copa. Todos aqui em casa decidimos: assistiríamos aos jogos do Brasil, mas nada de camisa, de estresse, de torcida apaixonada, afinal, os desmantelos no pré-copa, onde a nação foi terrivelmente subtraída em tenebrosas transações, estava (e ainda está) doendo muito na alma, e no bolso, de todos nós. No entanto, a cada jogo, acontecia algo interessante. Bastava a seleção entrar, e o hino começar a soar em nossos ouvidos que tudo mudava. E de torcedor indiferente, passávamos a torcedor apaixonado. Dizem que a alma é uma música: a melodia do hino nacional trazia a lembrança do passado, onde éramos acostumados a torcer, sem colocar a política entre nós e a seleção... a música trazia o velho hábito e “quando um hábito surge, o cérebro para de participar das decisões”. Quem assumia a função de pensar, naquele momento, era o coração...
            Então, se Shakespeare fosse vivo, com certeza ele mudaria a frase: somos feitos dos nossos sonhos; para: somos feitos dos nossos hábitos. E hábitos esses que nem sempre são saudáveis, por isso que o escritor Fernando Teixeira tem razão ao pedir: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. Os viciados em jogos, drogas, sexo, etc., etc. deveriam utilizar esse texto como um mantra diário...
            Existem artigos científicos - acho até modestos esses números-, mostrando que mais de 40% das nossas ações diárias não são decisões de fato, mas sim de hábitos. Eu tenho um conhecido que vive um relacionamento bem estranho com a sua namorada: a cada três meses, eles pegam uma grande briga e passam 15 dias sem se falarem. Outro dia, ele me confidenciou: “faltavam 12 horas para completarem os 90 dias. E nada de briga. Era uma paz que chegava a incomodar. Então, peguei o telefone e, sem mais nem menos, disse que ela não era a mulher da minha vida. E desliguei. Amanhã, será o décimo quinto dia sem nos falarmos. E eu já ensaiei o discurso de desculpas, para ela”...
            O fato é que mudar um hábito não é fácil! “Os hábitos nunca desaparecem. Estão codificados nas estruturas do nosso cérebro, e essa é uma enorme vantagem para nós, pois seria terrível se tivéssemos que reaprender a dirigir depois de cada viagem de férias”. Entretanto, tem o outro lado da moeda. O que pode parecer uma vantagem, pode transformar-se em um perigo enorme. Os nazistas tanto sabiam disso que basearam toda a sua política em: “uma mentira dita 100 vezes, torna-se verdade”. A Verdade - que deveria ser uma virtude-, é de fato um hábito... Acreditamos no que nos acostumamos a acreditar...
E para um mundo cheio de mentiras é assim que se caminha a humanidade. E engana-se quem pensa que, no mundo globalizado, temos as informações verdadeiramente verdadeiras... Lemos não a verdade, mas sim a verdade que alguém quer nos vender... É terrível admitir que Mark Zuckerberg (Fundador do Facebook) tenha razão ao dizer: “A morte de um esquilo na frente da sua casa pode ser mais relevante para os seus interesses imediatos do que a morte de pessoas na África”...
E, hoje, baseado nos nossos hábitos, as empresas direcionam o seu marketing para o indivíduo e não para o coletivo. É o marketing geneticamente induzido. Assim, se eu colocar a palavra vinho no Google, terei como resposta uma série de sites bem diferentes da mesma busca realizada por outra pessoa. Desde 2009, o Google faz busca PERSONALIZADAS para todos. Cada um já tem o seu Google individual. “Um mundo construído a partir do que é familiar é um mundo no qual não temos nada a aprender”...
Dizem que “a democracia exige que os cidadãos enxerguem as coisas pelo ponto de vista dos outros; em vez disso, estamos cada vez mais fechados em nossas próprias bolhas”. Criamos links, que são pontes invisíveis e, mesmo assim, elas estão se desmoronando... O WhatsApp que o diga, afinal, estamos tão perto dos distantes; tão longe dos que estão próximos...
É preciso, portanto, que algumas questões sejam imediatamente respondidas: se continuaremos com cada um por si, Deus será por quem? Se ficarmos cada um no seu mundo - sem haver necessidade do trabalho em equipe, mas sim de “times” dependentes de um único individuo-, quantos 7x1 ainda teremos que enfrentar?!
Francisco Edilson Leite Pinto Junior – Professor, médico e escritor

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

As revelações na poesia potiguar: quando se reunem, é só poesia.


sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Quando escritoras se encontram, é só poesia...

Escritoras Jania Souza, Conceição Maciel e Flauzineide Moura
Lançamento do livro de Conceição - acervo do projeto
Foto abaixo escritoras e poetisas em "Reunião da AJEB/RN"
Poetisa Gilda Avelino, Flauzineide, Zelma e Deth Hack
Confraternização da Academia Feminina de Letras do RN

Nenhum comentário:

quarta-feira, 30 de julho de 2014

SE NÃO MORRER ANTES...

O tempo passou, e passa assim a esmo.
Inventei de consultar o espelho...
Fiquei bravo, p. da vida e vermelho,
Pois aquele cara lá era eu mesmo?

Deixei de comer linguiça e torresmo
Pra ver se calava aquele "pentelho"
Mas foi ele que calou meu bedelho,
Dizendo: - Esse cara aí é você mesmo!

Se não morrer antes, o envelhecer
Faz parte da vivência de todo ser
'Té que a morte dê seu último abraço.

E em cada dia, um dia diferente...
E muito mais rugas daqui pra frente...
Mais ais, menos cabelos, mais cansaço!

27/07/2014 - D I L S O N - NATAL/RN
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.
Lançamento Azymuth:
 
Azymuth convida você para seu novo lançamento, trata-se do livro: “O Espiritismo e os Sabios” do escritor José da Penha (1875-1914) publicado originalmente em 1903. A edição fac-similar conta com o prefácio do filósofo Farias Britto (1862- 1917) e introdução de Wandyr Villar.

Além de relatar a origem do espiritismo, essa obra conta com uma grande referência sobre a filosofia de um modo mais amplo. Também traz uma biografia sobre esse escritor e personagem tão importante da história política do Rio Grande do Norte. 
                                                 
Venda do Livro:
 
R$ 40,00. Valor exclusivo para o dia do lançamento. Parte das vendas ajudará o Hospital Infantil Varela Santiago.
 
 
Data e Local do Lançamento:
 
Livraria NOBEL
 
Dia 02/08/2014 (sábado) a partir das 17hs.
 
AV: Salgado Filho – 1782 (em frente ao Hospital Walfredo Gurgel) Tel: 3613-2007. Estacionamento para 50 carros por trás da livraria, entrada lateral.
 Contatos:
 



2 anexosExaminar e baixar todos os anexos Exibir todas as imagens

Convite_Espiritismo e os sábios_CURVAS.jpg
1841K Visualizar Examinar e baixar

Capa_o espiritismo e os sabios_FINAL_.jpg
1173K Visualizar Examinar e baixar

sábado, 19 de julho de 2014

Exupéry em Natal.



 Antoine de Saint-Exupéry em Natal

14/02/2005,


* Luiz Gonzaga Cortez.
Deve-se à última edição do mensário literário O GALO ( junho/2000, Ano XI, n. 05), através de artigo traduzido pelo jornalista Nelson Patriota – “Saint-Exupéry, o mito levanta vôo” – as mais recentes pistas e fontes para se pesquisar sobre as andanças do famoso aviador e escritor francês pela América do Sul e África. O artigo revela que uma irmã dele, Simone (1898-1978), e a viúva, Consuelo, deixaram um livro inacabado e um manuscrito intitulado “Mémoires de la rose” ( “Memórias da rosa”), respectivamente, entre outras novas obras. São novos caminhos para se pesquisar. E mais: quem quiser se aprofundar nas pesquisas pode se dirigir a uma fundação de Paris que mantém o “Espace Saint-Exupéry”, telefone 0143225890, em Paris. Mais: a Internet tem dezenas se páginas sobre Exupéry.
Apesar de não ter se encontrado documentos da empresa Latécoère, da Air France e de órgãos aeronáuticos brasileiros sobre a presença do aviador Antoine de Saint-Exupéry no Brasil, não há dúvida que ele esteve em Natal e em outras cidades que serviram de bases de apoios e/ou escritório da empresa Aeroposta Argentina, uma subsidiária da Laté, antecessora da Air France. Pery Lamartine de Faria ( Epopéia nos Ares, 1995,p.65) e Nilo Pereira (este é autor do artigo “Conheci Saint-Exupéry em Natal”, Tribuna do Norte, p.3, Caderno de Domingo, 14.04.1985) já publicaram artigos com depoimentos de testemunhas oculares da presença de Exupéry em Natal. Segundo Pery, o que dificulta as pesquisa é o fato de que na década de 20,os pilotos franceses e brasileiros não relatavam seus vôos. “O campo de Parnamirim, que pertencia à Latécoère, não deixou nenhum documentos sobre os pousos das aeronaves naquele local”, disse o escritor Pery.
Não temos provas documentais que Exupéry veio de avião ou de navio para Natal, mas veio. O resto é papo furado, inclusive essa versão de que ele passou pelo Brasil num navio, em direção à Argentina. O que pasma é que nunca um pesquisador do Rio Grande do Norte pesquisou no Museu da Air France, em Paris, ou em outras instituições francesas. Só andaram pesquisando em livros e jornais da província dos Xarias e Canguleiros. Mas, nem tudo está perdido, pois, por telefone,uma pesquisadora brasileira, residente em Paris, me disse que está pesquisando o assunto.
Se Jacques Maigne, autor de brilhante reportagem publicada na revista “Air France Magazine”, número 16, de agosto de 1998, diz que Exupéry foi um dos comandantes dos aviões das primeiros linhas aéreas da América do Sul ( o pioneiro foi Paul Vachet e Jean Mermoz, o recordista na travessia do Oceano Atlântico, no vôo Dacar-Natal, em 12 de maio de 1930, no Laté 28), há indícios de que o autor de Vôo Noturno esteve por aqui, já que exerceu o cargo de chefe da Aeropostale( subsidiária da Laté) em Buenos Aires, responsável pelas rotas da América do Sul da Latécoère. E Natal, estava incluída na área supervisionada por Antoine de Saint Exupéry. O jornalista Franklin Jorge conversou muito com Nati Cortez, pessoalmente, na rua Felipe Camarão, nos anos oitenta, sobre a presença dos pilotos franceses em Natal nos anos 20/30.
Um colunista disse que eu agora estava metido na história do RN e que a minha mãe não deixou nada registrado sobre Exupéry em Natal. Ando metido na história desta província há muitos anos, mas somente publiquei um livro sobre “Pequena História do Integralismo do RN” (Fundação José Augusto-Clima, Natal,1986). E graças a Pery, na semana passada, encontrei o original do depoimento manuscrito deixado por Maria Natividade Cortez Gomes, minha mãe, cuja cópia está comigo.
A transcrição literal é literal, sem correções: “Antoine St. Exupery em Natal.
A companhia de aviação francesa, a Latecoere, chegou aqui em Natal em 1919. Em fins de 1927, eu e mamãe, ( minha avó e mãe de criação, Josefa Aguiar) voltamos do Rio de Janeiro, onde passamos uma temporada. Mamãe teve então a feliz idéia de montar um bar e restaurante. A casa era grande, (duas casas conjugadas) prestando-se para isto. Ficava situada na rua Frei Miguelinho, bairro da Ribeira. O restaurante começou então a ser frequentado não só pelos pilotos da Laté que eram brancos, como pela tripulação dos “avisos”, que eram pretos vindos de Dakar. Os aviões eram anfíbios, baixavam no rio Potengi. Os negros eram na sua grande maioria das colônias portuguesas da África. No movimento do bar e restaurante, que era intenso, principiei a falar com os franceses, já que eu tinha uns rudimentos do francez que aprendi com o dr. Adauto Câmara, na Escola Vigário Bartolomeu, situada na Cidade Alta.
Atendendo a uns e a outros, apesar de ser muito nova ( tinha treze anos nesse tempo) notei que, quando chegava um certo piloto por nome Antoine, os outros aproximavam-se, fazendo uma roda em torno dele. Eu, no auge da curiosidade, também ia apreciar a conversa daquele piloto da Laté que denotava possuir uma vasta cultura. Do que ele falava, não me recordo, mas ficou gravada na minha lembrança sua figura brilhante.
Conhecí outros pilotos, inclusive Raimonde e Sidifal. Tive até de receber cartões postais vindos de Dakar, onde falavam muito no nome de Mademoiselle Nati. Ainda hoje conservo estes cartões como recordação da passagem da Latecoere em Natal. Depois de casada, lendo “O Pequeno Príncipe” e “Correio do Sul”, tive a intuição que aquele Antoine era, nada mais nada menos, do que St. Exupery. Até que um dia, vendo uma foto de Antoine num jornal do Rio, verifiquei que era ele mesmo. Natal, 12/6/1984. Nati Cortez”.
Eis aí o depoimento deixado por dona Nati, sem correções. Dos cartões que ela se refere, encontrei dois, mas oferecido pelo piloto Edmond, do “Revigny”, de um “aviso” (embarcação de apoio aos vôos sobre o Atlântico). Também achei cartões postais com as fotos dos ases da aviação da época, como Newton Braga, Sarmento de Beires, Ribeiro de Barros ( o do Jahú, em 1927) e Vasco Cinquine, que eram vendidos pelo Photo “Elite”, de Natal. Na verdade, há muita conversa fiada e fértil imaginação entre alguns que se arvoram a falar desse assunto.
Luiz Gonzaga Cortez é jornalista
e sócio do Instituto Histórico e Geográfico do RN desde 1983.

terça-feira, 15 de julho de 2014

AOS PÍNCAROS...

“O interior das florestas e as largas planuras
medidas  com a vista do píncaro dos montes
são também  espetáculo igualmente solene”
(Ramalho Ortigão, Em Paris, p. 12).


AOS PÍNCAROS...

É como se fosse um cavalgar intenso...
Clímax de macho e fêmea a caminho do céu
Corpos desnudos, o meu, o seu, nosso troféu
Instante de prazer de um êxtase imenso.

Como fonte rara de inesgotável mel...
Libido dos dois praticada ao bom senso
É o que você pensa e o que também penso:
Desejos, onde cada um tem o seu papel.

E foi para isso que o ser vivo foi feito...
Amar o amor que é a razão da vida
A qualquer tempo, seja qual for o leito.

Sem amor, viver é tão somente lida...
Porque há um coração dentro do peito
Suplicando orgasmos a cada batida!

18/05/2013 - D I L S O N - NATAL/RN.
Resposta rápida
Para: DιІšση Ferreira <dilsonfs51@hotmail.com>

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Convite
O jornalista Ubirajara Macedo convida para o lançamento do seu livro “A Saga de Joaquina – do Ateísmo ao Cristianismo”, oportunidade em que o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular e a DHnet o homenageia no volume 10 da coleção DVD Multimídia Memórias das Lutas Populares do RN.
Local: Edifício Riomar –Av. Deodoro da Fonseca, 240 (Ladeira da Poti) – Petrópolis...
Ver mais

Chão dos Simples: 30 anos depois.

O escritor Manoel Onofre Júnior convidando para o lançamento do seu livro "Chão dos Simples", no dia 23, na Academia Norte-rio-grandense de Letras, na rua Mipibu, 443, às 18 horas. Vamos lá, minha gente, prestigiar o grande intelectual e magistrado de Martins/RN.

 Luiz Cortez, Suely Nobre e Manoel Onofre Júnior, durante evento literário na Academia de Letras, em 2013.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Os loucos poetas.

Como são loucos os poetas,
desafiam exércitos,
convocam falanges
e disputam com os magos
no reino dos deuses

Como são sábios
estes loucos poetas"
(Zé Martins - SPVA/RN)

T R O V A D O R E S C O !

Do mar extrai-se o rio
Pro poeta exigente
Não existe sol frio
O sol tá sempre quente!

À noitinha não tem sol
No mar não tem asfalto
Domingo sem futebol
É monótono e chato!

Louco fica o poeta
Ao canto da sereia
Quando a maré se aquieta
Trova versos na areia!

Poetas são sem juízo
'Té a lua namoram
Caso seja preciso
Sonham, riem e choram!

Têm amores dúlcidos
Deuses, Neros, Profetas,
Ah, como são lúcidos
Estes loucos poetas!

31/12/2013 - DILSON - NATAL/RN.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Aldenita, uma poeta assuense.

domingo, 6 de julho de 2014


Meu espaço para Aldenita, poetisa potiguar, nascida em Santana do Matos e criada em Assu...



 
HINO DO SESQUICENTENÁRIO DO ASSU

Música : Franciso Elion Caldas Nobre ( Chico Elion)

Letra: Maria Aldenita de Sá Leitão Fonseca de Souza


Obrigado Assu pelas paisagens,

pelos feitos heróicos de outrora,

pelo verde que brota nas margens,

do teu rio ao romper da  aurora.


Ao terceiro milênio confiante,

levarás em teus ombros a glória,

de ser pátria das letras vibrante,

com o teu nome gravado na história.


O petróleo da terra jorrando,

o algodão lembra paz de oração,

carnaúba poesia inspirando,

terra de frutos para exportação.


As estrelas mais resplandecentes,

no teu céu brilham mais com fulgor,

são as rimas tão doces e ardentes,

dos poetas falando de amor.


Nesta data brilhante e festiva,

bem marcada no teu calendário,

com teus filhos de voz sempre altiva,

parabéns pelo SESQUICENTENÁRIO.


ASSU minha terra, meu berço,

minha ODE, minha canção,

ASSU de todo um povo,

um pedaço do meu coração.




0 Comentários: