sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Lusofonia


“a última vez que vi macau”

A longa-metragem “A última vez que vi Macau” de João Pedro Rodrigues e
João Rui Guerra da Mata, vai estrear-se no dia 28, na Suíça, anunciou a
produtora BlackMaria. O filme deverá estrear-se este ano em França.
“A última vez que vi Macau”, rodado em Macau, China e Portugal, cruza
uma ficção com as memórias de João Rui Guerra da Mata naquele território,
e tem somado vários prémios internacionais.
O filme já foi exibido em mais de 20 festivais, entre os quais o de Locarno
(Suíça), onde recebeu uma menção especial do júri, e o de Valdivia
(Chile), onde venceu o prémio.

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Secretário-Geral da ASEAN visita Timor-Leste
Sex. Dezembro 14, 17:31h




O Secretário-Geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Dr. Surin Pitsuwan, efectuou uma visita oficial de três dias a Timor-Leste, de 4 a 6 de Dezembro de 2012, a convite do Governo timorense.
No dia em que chegou, o Secretário-Geral da ASEAN foi recebido pelo Ministro José Luis Guterres no Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, onde decorreu um jantar oficial.
No segundo dia de visita, Dr. Surin Pitsuwan manteve encontros com o Presidente da República, Taur Matan Ruak, e com o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, tendo sido recebido pelo Governo durante a reunião do Conselho de Ministros. O Secretário-Geral da ASEAN assegurou ao Executivo que a integração de Timor-Leste na organização está “a ser seriamente considerada”. Recorde-se que Timor-Leste submeteu a sua candidatura em Fevereiro de 2011, tendo sido admitida em Novembro do mesmo ano, durante a conferência de chefes de Estado e de Governo da ASEAN, realizada em Bali.
No dia 6 de Dezembro, ainda antes de partir de Timor-Leste, Dr. Surin Pitsuwan visitou o Cristo Rei e o Museu Nacional da Resistência Timorense.
A ASEAN, recorde-se, foi criada em Agosto de 1967, tendo como grandes objectivos acelerar o crescimento económico, o progresso social e o desenvolvimento cultural dos Estados membros e a protecção da paz e estabilidade na região do sudeste asiático.
*Os Estados membros da ASEAN são: Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Birmânia, Camboja, Laos e Vietname.
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GNR entrega bens ao Governo de Timor-Leste
Seg. Dezembro 17, 18:02h

A UNMIT, por intermédio da GNR (Guarda Nacional Republicana de Portugal), fez a entrega ao Governo de Timor-Leste de bens móveis e imóveis (viaturas, mobiliários e o Quartel) no Quartel da GNR, em Caicoli, Díli, no dia 10 de Dezembro de 2012.
No discurso proferido durante a cerimónia, o Secretário de Estado da Segurança, Francisco Guterres, fez saber que as instalações irão ser utilizadas para dar formação aos oficiais da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), uma vez que no próximo ano serão recrutados agentes oficiais que irão frequentar o curso de formação da PNTL, ministrado ao abrigo da cooperação bilateral entre Portugal e Timor-Leste.
O Secretário de Estado acrescentou ainda que, nesta área, a cooperação existente até ao momento entre Portugal e Timor-Leste consiste no apoio dos efectivos da GNR no recrutamento, com formação básica e especializada.
O Capitão Pedro Raposa, Comandante do Contingente da GNR, informou que o quartel entregue ao Governo de Timor-Leste, está em boa condição, cabendo ao Governo organizar e decidir a quem se destina.
Estiveram presentes na cerimónia: o Secretário de Estado da Segurança, Francisco Guterres, o Director-Geral dos Serviços Cooperativos do Ministério das Finanças, Januário da Gama, a Directora Nacional do Património do Estado, Evangelina Aparício Guterres, o Comandante do Contingente da GNR de Portugal, Capitão Pedro Raposa, o Director da Logística Nacional da PNTL e o Director Nacional de Terras e Propriedades, Romeu Guterres.

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VI Reunião dos Dirigentes da Administração Pública
Ter. Janeiro 22, 16:52h

Os dirigentes da Administração Pública reuniram-se com o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, nos dias 17 e 18 de Janeiro de 2013, no Centro de Convenções de Díli. O encontro anual, organizado pela Comissão da Função Pública, foi dedicado ao tema “Desempenho, Dedicação e Integridade”.O Presidente da República, Taur Matan Ruak, no seu discurso de abertura do encontro, afirmou que uma administração pública de qualidade deve concentrar a sua atenção na prestação de serviços ao povo, que é o cliente do Estado, e que este serviço necessita ser prestado adequadamente. O Chefe de Estado recomendou à Administração Pública a definição de objectivos e uma avaliação constante ao desempenho dos funcionários, para que estes exerçam com integridade as suas funções. Tais medidas, acrescentou o Presidente da República, permitirão efectuar um melhor controlo e criar condições para ganhar a confiança do povo, encorajando-o a colaborar com as autoridades no combate e na redução da pobreza em Timor-Leste.
O Primeiro-Ministro, na sua intervenção, pediu a todos os directores-gerais e funcionários que se reúnam regularmente para melhorar os serviços internos e ganhar a confiança do Estado e do povo. Kay Rala Xanana Gusmão defendeu que “todos nós nos devemos tornar exemplares para sermos os novos heróis deste país e deste povo”.
“Hoje, reunimo-nos aqui para avaliar aquilo que temos feito e o que temos para fazer no futuro. Todos devem contribuir para honrar o Estado, servindo o povo e o país com desempenho, dedicação e integridade”, concluiu o Primeiro-Ministro.
Participaram nesta sexta reunião dos dirigentes da Administração Pública, o Presidente da República, Taur Matan Ruak, o Primeiro-Ministro, Kay Rala Xanana Gusmão, o Presidente da Comissão da Função Pública, Libório Pereira, Membros do Governo, o Presidente da Comissão Nacional de Eleições, o Comissário da Comissão Anti-Corrupção, o Provedor dos Direitos Humanos e Justiça, membros do Corpo Diplomático, o Inspector-Geral do Estado, Inspectores-Gerais dos Ministérios, Directores-Gerais e Nacionais, Administradores de Distrito e de Sub-distrito e os Chefes de Departamentos de todos os Ministérios e Secretarias de Estado.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

LIVRO SOBRE MANOEL ONOFRE JUNIOR

Caro amigo, muito obrigado pela atenção.


   A obra "LITERATURA ETC. CONVERSAS COM MANOEL ONOFRE JR".,é composta por algumas entrevistas concedidas a jornais e sites (Incluindo uma feita  por Eduardo Gosson e Paulo Jorge Dumaresq, para a UBE-RN) pelo escritor Manoel Onofre Júnior, ao longo dos seus quase 50 anos dedicados às letras potiguares.


            Autor de cerca de 30 livros, entre contos, crônicas e ensaios, Manoel Onofre Júnior entrou ainda muito jovem para a História da Literatura Potiguar, ao participar da primeira antologia de contos do estado, organizada por Nei Leandro de Castro (1966), dois anos após sua estreia com o livro “Serra Nova”.  Algum tempo após o feito, nos presenteou com o livro “Estudos Norte-rio-grandenses”, recebendo o prêmio Câmara Cascudo do ano de 1975.

       Nas décadas seguintes Manoel Onofre Júnior continua produzindo intensamente e dá uma das suas maiores contribuições à ficção potiguar com o livro “Chão dos Simples”, uma importante obra regionalista, que viria, pioneiramente, tornar-se peça de teatro, através do diretor e ator Lenicio Queiroga (1997).

      Em 2004 é homenageado pelo escritor Francisco Fernandes Marinho, com a obra “Manoel Onofre Júnior 40 Anos de Vida Literária”, reunindo todo o seu material literário até aquele ano. Depois, Manoel Onofre Júnior continuaria contribuindo significativamente para a nossa cultura literária, com obras tais como: “Simplesmente Humanos”, “Portão de Embarque – Brasil - Brasis”, “Portão de Embarque 2 – Portugal”, “Conversa na Calçada”, e “Alguma Prata da Casa”.

      Ex-juiz de Direito, Desembargador aposentado, Manoel Onofre Júnior é membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras, ocupando a cadeira nº 05, cujo patrono é Moreira Brandão e teve, como primeiro ocupante, Edgar Barbosa.

As entrevistas reunidas neste trabalho, expressam o itinerário intelectual do escritor potiguar, no ensejo do seu setuagésimo aniversário natalício, mas, também, revelam, em boa parte, um painel da literatura e da vida literária no Rio Grande do Norte.




 O lançamento será dia 31/01 na livraria Nobel da Salgado Filho, das 18 as 23.


THIAGO GONZAGA




OUTROS: ARTIGOS 

sábado, 29 de dezembro de 2012



Viver

Natal, 29 de Dezembro de 2012 | Atualizado às 12:43

Cascudo: um poeta no inferno da biblioteca

Publicação: 29 de Dezembro de 2012 às 00:00
Tribuna do Norte
Yuno Silva - Repórter

Arquivo TNMesmo sem ter sido publicada, obra poética de Câmara Cascudo começa a ganhar novas conexões dentro do panorama do modernismo e autores latinos
Mesmo sem ter sido publicada, obra poética de Câmara Cascudo começa a ganhar novas conexões dentro do panorama do modernismo e autores latinos
Conhecido e reconhecido como professor universitário, escritor, historiador e pesquisador das manifestações culturais e tradições brasileiras, aos poucos uma outra faceta de Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) começa a ganhar holofotes: sua produção poética. Cascudo não só se aventurou pelos campos da poesia como foi além ao manter laços com o Modernismo e alguns de seus principais pensadores como Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Como se não bastasse incluir Natal no mapa intelectual brasileiro em plena década de 1920, quando a cidade tinha menos de 40 mil habitantes, Cascudo também foi responsável pela inauguração da poesia visual no Rio Grande do Norte em 1926 com "Não gosto de sertão verde" - um ano antes de Jorge Fernandes publicar "Rede". 

Vale salientar que a abordagem desse assunto, neste sábado dia 29, é proposital: Cascudo nasceu no dia 30 de dezembro há exatos 114 anos, e nada melhor que revelar um lado ainda pouco conhecido do mais importante intelectual potiguar do século 20 para manter aquecida a memória em torno de seu legado literário.

Curiosamente Cascudo não lançou livros de poemas, pelo contrário, escondeu de tudo e de todos, e até dele próprio uma obra que já tinha até nome: "Brouhaha". O fato é que sua produção poética, de vozes negras e índias, pode estar perdida em meio ao imenso acervo guardado (e ainda não organizado) no Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo; e é aí que entra o trabalho investigativo de Dácio Galvão, autor da tese de Doutorado "O poeta Câmara Cascudo: um livro no inferno da biblioteca". Para Dácio, um dos motivos que tentam explicar a não publicação do livro são as críticas feitas por Mário de Andrade aos quatro primeiros  poemas produzidos por Cascudo.

Dácio Galvão explica que o título remete a uma carta de Cascudo para Mário de Andrade, onde ele afirma que vai "colocar o livro no inferno da biblioteca", no limbo. "Uma atitude entre um agastamento, uma brincadeira e uma seriedade", aposta. "Quando Mário de Andrade leu os poemas fez algumas observações críticas que, dizem, podem ter desmotivado Cascudo, mas não acredito nisso. Mário era polemista, criticava todo mundo, prova disso é que 'Não gosto de sertão verde' (dedicado a Manuel bandeira) foi publicado tal qual havia sido escrito". Na época Mário co-editava a revista Terra Roxa e Outras Terras.

Galvão apurou, através da troca de cartas travada entre Cascudo e Mário, que o potiguar não aceitou as observações nem cedeu em nada do que havia sido proposto pelo colega paulistano. "Na verdade Cascudo demonstra uma grande consciência quanto as estripulias visuais de 'Não gosto...', que inaugura o poema visual no RN". Dácio verifica que a crítica de Mário de Andrade se mostra contraditória, pois o texto foi enviado para Manoel Bandeira com muitos elogios. "O próprio Bandeira também achou maravilhoso".

Júnior SantosDácio Galvão: trabalho lança luz a um Cascudo modernista e sintonizado com as vanguardas
Dácio Galvão: trabalho lança luz a um Cascudo modernista e sintonizado com as vanguardas
RELEVÂNCIA
A tese de Doutorado surge de uma preocupação pessoal de Dácio Galvão, que já havia estudado a poesia concreta e a Poema/Processo durante o Mestrado. "Nesse primeiro estudo, o recorte temporal limita-se ao intervalo entre os anos 1950 e 70. Senti necessidade de ir um pouco mais atrás (de 1922 a 50)", esclarece. Apesar da pequena amostragem, Galvão cruza uma série de informações aos nove poemas de Cascudo que contextualizam todo um panorama Modernista.

No estudo, as poesias são catalogadas em três ciclos: sertanejo, colonização e modernista. "Minha pesquisa confere uma outra maneira de olhar a produção poética de Cascudo. Ele estava antenado com o que estava acontecendo no resto do Brasil e não brincava em serviço", sentencia. Já o quarto ciclo do Cascudo poeta é sua verve como tradutor, sendo pioneiro na tradução do norte-americano Walt Whitman. Ainda há duas poesias inéditas, que só se tem conhecimento dos títulos: "Feitiço" e "Sentimental Epigrama para Prajadipock Rei de Sião".

De acordo com Dácio Galvão, a grande relevância da pesquisa é a possibilidade de revelar o Cascudo poeta, capítulo essencial para se compreender sua obra na totalidade. "Esse estudo lança luz sobre um poeta modernista, e me interessou demonstrar que o Modernismo estava presente no RN, caracterizado por ações difusas", avalia. A pesquisa em torno da poética cascudiana começou em 2004; e em 2005 é lançado o CD "Cascudo poeta e leitor de poesia".

Dácio obteve autorização da família de Mário de Andrade, em São Paulo, e da de Cascudo aqui em Natal para consultar o acervo. As cartas trocadas por eles entre 1924 e 44 foram organizadas em um livro, por Marcos Antônio de Moraes, que acabou ganhando o Prêmio Jabuti na categoria Teoria/Crítica Literária.

Novidades para 2013 e acervo digital disponível em fevereiro
A pista para encontrar o livro de poemas "Brouhaha" foi revelada, agora resta encontrar o material no meio dos cerca de 10 mil documentos que ainda faltam ser organizados e digitalizados pelo Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo. "Ninguém nunca encontrou este livro, e acabei com a responsabilidade", disse a neta Daliana Cascudo, diretora do Instituto. "A possibilidade de se resgatar esse livro do 'inferno da biblioteca', como disse vovô na carta para Mário de Andrade, são reais, pois ele era muito cuidadoso, meticuloso com suas coisas, e acredito que ele tenha guardado, nem que esteja todo separado".
Aldair DantasDaliana Cascudo diz que livro poético ainda não foi resgatado, mas digitalização das cartas está concluída
Daliana Cascudo diz que livro poético ainda não foi resgatado, mas digitalização das cartas está concluída

Daliana adianta que, após disponibilizar para consulta o acervo com as 26 mil cartas digitalizadas, irá procurar o livro inédito. A previsão é que o material esteja disponível em fevereiro - foi montada uma sala com três computadores para atender pesquisadores interessados. O acervo não será publicado na íntegra na internet, justamente para gerar interesse e movimento no Instituto. Os cerca de 10 mil volumes da biblioteca particular de Cascudo também podem ser consultados. "O que está faltando é organizar os documentos, que contém recortes, manuscritos e originais datilografados. A expectativa é que o livro de poesias está nesse meio".

A neta de Cascudo informou que a Editora Global irá reeditar o livro "Folclore do Brasil", lançado em 1977. Também foi lançado este ano o livro infantil "Cascudinho - o menino feliz" e há outra pesquisa em curso sobre a troca de cartas entre Cascudo e o escritor pernambucano Joaquim Inojosa, sob os cuidados do professor Humberto Hermenegildo de Araújo, do Departamento de Letras da UFRN.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O NATAL DE SÃO FRANCISCO E DO POETA HORÁCIO PAIVA 

 -São Francisco refletia sobre as chagas de Jesus e a esperar se quedava transido de frio e jejum.
“- medito em profundo silêncio e solidão!
 
 -Que procurais São Francisco nesta noite de Natal? A quem chamais, pobrezinho na noite fria de Assis? 
“ - Procuro pelos desvalidos deste mundo”

 -Já não tendes o presépio e vossa fé bem plantada? Vosso bordão, vosso hábito e as vossas orações? 
“-Sim, tenho tudo isso. Contudo, preciso buscar a todos,
Para que não se perca nenhum”
 -As sete chagas chamais de Nosso Senhor Jesus Cristo profundo e simples quereis compartir a sua sorte. 
“-Sim, o Verbo é simples!”
 -Há uma estrela a guiar o caminho até as chagas há o sangue derramado sobre a neve sossegada. 
“- Sim,o seu sangue não foi em vão. Sobre a neve  nascerão rosas e Esperança”.

 (Horácio Paiva - Natal de 2012)
                (  Eduardo Gosson – Natal de 2012)

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


MENSAGEM DO PRESIDENTE DA UBE/RN - CRÔNICA DO NATAL
Por  Eduardo Gosson
                            
Em Natal tem um poeta – Joâo  Andrade – que nasceu no mês de dezembro; por isso, quando as luzes se acendem para reverenciar o  Menino Jesus, ele pensa que a cidade se enfeita para saudá-lo. Bom pensamento, meu poeta. Afinal, os poetas e Jesus merecem porque  ambos conseguem ver na escuridão, senão vejamos:
Poetas: “sou uma sombra/venho de outras eras/do cosmopolitismo das moneras” (Augusto dos Anjos)
Jesus: “o meu reino não é deste mundo”
Poetas: “Mas, ainda há tempo, ainda há planos de voltar ao ponto da estrada” (Lívio Oliveira)
Jesus: “larga tudo e siga-me”
Poetas: “morrer nesta vida não é difícil/difícil é a vida e o seu ofício” (Maiakoviski)
Jesus: “ no mundo tereis aflições”.
Poetas: “em vez do rosto viu a alegria no coração” (Gilberto Avelino)
Jesus: “para entrar no meu Reino, é preciso nascer de novo”
Poetas: “salto esculpido sobre o vão/de concreto e aço/ onde não permaneço  -
Passo” (Zila Mamede)
Jesus: “ Eu sou a resplandecente estrela da manhã”.
Meu caro leitor: que neste Natal coloquemos em definitivo a poesia e Jesus em nossas
Vidas.
É preciso tão pouco para ser feliz!
*Poeta, o resto é disfarce!

sábado, 24 de novembro de 2012

Luiz Gonzaga e outras poesias.


Zé Praxédi
por Leide Câmara
 
Foto capa livro/divulgação
Zépraxédi (O Poeta Vaqueiro) ao escrever “Luiz Gonzaga e outras poesias“ jamais pensou que entraria para história como autor da primeira biografia em versos do Rei do Baião. E disse bonito, bem ao seu estilo de poeta, que tão bem conhecia o Nordeste, Luiz Lua Gonzaga, o sertão, seu povo e sua gente. Com prefácio de Luiz da Câmara Cascudo e com o apoio de outro potiguar, João Café Filho (Vice-Presidente da República), a obra foi publicada pela Continental Artes Gráficas, de São Paulo/SP, em 1952.
 
Praxédi parecia adivinhar que  o ícone que Luiz Gonzaga mais tarde se tornaria, pois em sua última estrofe do  poema biografia finaliza assim “... Mas o TITO, que me abrange, minha arma, meu coração, foi dado pelo povo da praça e do meu sertão. É a voz do meu Brazí: GONZAGA O REI DO BAIÃO”. E foi mesmo consagrado pelo povo como a maior expressão da música nordestina. Luiz criou um estilo ao se caracterizar com a indumentária do nordestino e cangaceiro em suas apresentações. Transformou costumes com o xote e o baião e fez mudanças para estória da música brasileira divulgando o Nordeste e nacionalizando o forró. Imortalizou a trilogia do baião - Luiz Gonzaga, Zé Dantas e Humberto Teixeira, que até hoje é seguido por legiões de fãs que cultuam sua memória e sua obra, que é um patrimônio imensurável.
 
 
O Sebo Vermelho, leia-se Abimael Silva, para comemorar o centenário de nascimento do Rei do Baião (13 de dezembro de 1912 – 13 de dezembro de 2012) publicou uma edição Fac-similar do livro de Zépraxédi (O Poeta Vaqueiro) “Luiz Gonzaga e outras poesias”, uma obra rara que tem sessenta anos. O livro chegará a mãos de apreciadores tanto de Luiz Gonzaga quanto de Zé Praxédi.
 
Uma memória  histórica
 
José Praxedes Barreto nasceu na Fazenda Espinheiro, Angicos (RN), em 15 de novembro de 1916 e faleceu no Rio de Janeiro em 16 de março de 1982. Compositor, intérprete, escritor, poeta, radialista, cordelista e jornalista (filiado a Associação Brasileira de Impressa - ABI/RJ em 1955). Era o primeiro dos seis filhos do casal Francisco Praxédes Barreto (nasceu em Martins/RN e faleceu em Currais Novos/RN) e Maria Segunda Praxédes Barreto (nasceu em Martins/RN em dezembro de 1900 e faleceu em Natal/RN em 23 de junho de 1975).
 
José Praxédes casou em 1941 com Hilda Pinheiro Barreto, com quem teve um único filho, José Praxédes Barreto Júnior (Bahia/BA em 09 de novembro de 1947) que reside no Rio de Janeiro. Zé Praxedes foi morar no Rio de Janeiro em 1950 e no ano seguinte, com o patrocínio de João Café Filho, ele e Luiz Gonzaga fizeram uma consagradora apresentação no Teatro Copacabana.
 
Foi contratado pela Rádio Nacional, onde apresentou por muitos anos o Programa “Sertão é assim”, todos os dias às 6 horas da manhã, era um momento em que os nordestinos ausentes conseguiam matar a saudade de sua gente. O programa dava grande audiência e isso foi muito importante para conseguir patrocinadores e mantê-lo no ar. [com post na página do Sebo Vermelho]


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN.com em 11/24/2012 09:30:00 AM

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Carta-histórico da UBE/RN.


                               CARTA  NATALINA  AOS ESCRITORES DA UBE/RN (*)
                                             “quem faz aquilo que pode, faz o que deve” (Miguel Torga)

                                                                     Prezado (a) Confrade ou Confreira:

                                                           É com imensa alegria que me dirijo a Vossa Senhoria para avivar alguns fatos relacionados à história de representação  do órgão de classe dos escritores – UBE – que no dia 14 de agosto deste ano completou 53 anos de vida e ao final agradecer-lhe pela confiança em mim depositada.
                                                        O escritor Francisco Martins, pesquisando na biblioteca da Academia Norte- Rio-Grandense de Letras do RN, descobriu uma pasta com importantes documentos: ofícios, recortes de jornal, estatuto e um extrato de ata confirmando a data de 14 de agosto de 1959, às 20h50, no Instituto Histórico e Geográfico do RN  como a data oficial de fundação da União Brasileira de Escritores, secção do Rio grande do Norte. Portanto, há cinqüenta e três anos e não conforme livro de atas (segunda fase) que indicava 16 de novembro de 1984  no Salão dos Grandes Atos da Fundação José Augusto com a presença de Fagundes de Menezes. Assim, a UBE/RN  tem três fases:  1ª fase (14.08.1959), 2ª fase (16.11.1984) e 3ª fase (23.03.2006).
                                                     1ª fase. A idéia partiu do jornalista, escritor e magistrado Edgar Barbosa durante a Semana de Estudos Euclidianos, promovida em Natal/RN, com o apoio de diversas instituições. Na histórica reunião de 14 de agosto  de 1959, às 20h50, no IHGRN com a presença do escritor Umberto Peregrino,  Aldo Fernandes, Edgar Barbosa,  Alvamar Furtado, Grimaldi Ribeiro, Dióscoro Vale, Raimundo Nonato e Manoel  Rodrigues. A diretoria aclamada para a organização da UBE – Secção do  Rio Grande do Norte – ficou assim constituída: Raimundo Nonato – Presidente; Manoel Rodrigues de Melo, Vice-Presidente e Afonso Laurentino - Secretário . Essa Diretoria Provisória preparou o Estatuto e organizou o processo eleitoral em  14.11.1959, três meses depois, sendo eleitos os seguintes escritores para o biênio 1960/1961:
                                       (1ª Diretoria)

 Raimundo  Nonato da Silva, Presidente;  Paulo Viveiros, 1º Vice-Presidente; Manoel Rodrigues de Melo, 2º Vice-Presidente; José Saturnino de Paiva, 3º Vice-PresidenteAfonso Laurentino Ramos, Secretário  Geral; Berilo Wanderley, 1º Secretário; Leonardo Bezerra, 2º Secretário; Antídio de  Azevedo, 1º Tesoureiro; Jaime dos G. Wanderley, 2º Tesoureiro.
Conselho Fiscal:  Câmara Cascudo,Edgar Barbosa , Alvamar Furtado, Esmeraldo Siqueira e Américo de Oliveira Costa.
Vogais: Antônio Soares Filho, Vingt-un-Rosado,  Jurandir Barroso , Zila Mamede e Veríssimo de Melo.
               Através de um Comunicado endereçado ao Presidente da UBE nacional , escritor Peregrino  Júnior, datado de 19.11.1959, o presidente da UBE/RN, escritor Raimundo Nonato da Silva  comunica da eleição da 1ª diretoria da entidade, bem como solicita a filiação da UBE/RN à UBE, com sede no Rio de Janeiro.
                       Em 21.01.1960 foi fundada uma sub-seção da UBE/RN em Mossoró/RN: Jaime Hipólito Dantas, João Batista Rodrigues, Vingt-un Rosado e Manoel  Leonardo Nogueira.
                      Outra curiosidade: o Estatuto tinha 3 tipos de sócios:1. Sócios Efetivos (fundadores e efetivos). 2. Sócios Honorários e 3.  Sócios Beneméritos.

                                      2º fase. Inicia-se com a vinda de Fagundes de Menezes em 16.11.1984,   no Salão dos Grandes Atos da Fundação José Augusto, na presença de  18 intelectuais. Curioso notar que a escritora Zila Mamede  participou das duas fases, sendo inclusive  Vogal da 1ª Diretoria da UBE (1960/1961) e sócia fundadora na segunda fase. Outra curiosidade: Dom Nivaldo Monte também participou das duas fases.

                                       3ª fase. Inicia-se em 23 de março de 2006 com uma reunião de reorganização, na sede da Academia Norte -rio-grandense de Letras, contando com a presença de sete escritores e mais um na reunião seguinte; e vem até os dias atuais: Anna Maria Cascudo Barreto, Eduardo Antonio Gosson, Lívio Oliveira, Pedro Vicente da  Costa Sobrinho, Nelson Patriota,  Manoel  Onofre de Souza Júnior,  Racine Santos e Carlos Roberto de Miranda Gomes. Lívio ficou exatamente um  ano e nove meses até que, por motivos particulares, renunciou ao cargo de presidente. Nesse pequeno  tempo fez coisas relevantes, destacando-se o encaminhamento aos deputados José Dias e Fernando Mineiro de uma minuta da Lei do Livro (Lei nº 9.105/2008 - Henrique Castriciano) e que o governo passado e o atual  não implementaram. Em seguida, a direção passou para mim que, com valorosos companheiros, venho    navegando em mar revolto, sem ter medo de chegar.
                                                      Nesses cinco anos (2008/2009 - Diretoria Provisória; 2010/2011- Diretoria Eleita); 2012-2013- Diretoria Releita, reconstruí tijolo por tijolo a UBE/RN: 1. Legalização completa (registro cartorial, CNPJ, conta bancária, utilidade pública Municipal, Estadual e, em breve, Federal); 2. Realização do I, II, III,  IV e V Encontro Potiguar de Escritores;  3. Participação na elaboração da lei nº 9.169/2009 (lei das leituras literárias nas escolas públicas; 4. Campanha de Valorização da Literatura Potiguar (2010) em parceria com o Tribunal de Justiça do RN; 5. Criação do Prêmio Literário Escritor Eulício Faria de Lacerda 2011 (1ª edição) que premiou um jovem escritor Paulo Caldas Neto (1º) e  um escritor veterano Racine Santos(2º); 6. Criação do Plano Editorial 2012 que  previu a publicação de 12 obras durante o ano e a edição completa da obra do escritor Eulício  Faria de Lacerda, inclusive acrescentando o romance  A Terceira Manhã  que se encontrava perdido (dos 12 previstos publicamos 09) . 7. Realização da transferência do domínio do jornal O Galo da FJA para a UBE (aprovado na lei Djalma Maranhão está em fase de captação de recursos);  8. Criação do selo editorial Nave da Palavra; 9. criação de um site: www.ubern.org.br;  10. criação de um blog: blogubern.blogspot.com.br

                                                           Pode parecer pouco...  Mais não é: sobretudo num país onde a Cultura é um produto de elite e se luta por coisas básicas como a implantação do Plano Nacional de Cultura e por uma Proposta de Emenda Constitucional – PEC 150 – desde 2003.  O Fundo de Cultura, embutido nesta emenda,  define os recursos nas três esferas de governo (federal,2%; estadual,1,5% e municipal,1%). Para agilizar a sua tramitação foi criada a Frente Parlamentar da Cultura, que tem na presidência a deputada federal Fátima Bezerra.
                                            Chegar até aqui  para mim não foi fácil: perdi um filho tragicamente em maio deste ano,  agravamento da minha saúde (Mal de Parkinson), falta freqüente de medicamentos na UNICAT, dificuldades financeiras geradas por medicamentos caríssimos (os três medicamentos que tomo custam R$  1.400,00 ). Apesar das pedras no caminho, julgo um ano vitorioso: a UBE cresceu (130 sócios), a UBE publicou 9 livros dos 12 projetados, realizei o V Encontro Potiguar de Escritores – V EPE (o melhor dos cinco em organização e freqüência) e agora na reta final de novembro haverá três lançamentos de livros: 27(Patronos Escolares), 28 (Memórias de uma Tríplice Jornada) e 29 (Cotidianas).
                          No dia 06 de Dezembro ainda realizarei um Ciclo de Estudos Bartolomeu Correia de Melo seguido de dois  lançamentos: 01.A Onça Braba e o Cachorro Velho - livro infantil de Bartolomeu ; e 2. Louvor de Bartolomeu Correia de Melo (fortuna crítica) organizado pelos escritores Nelson Patriota e Manoel Marques Filho.
                        Por último,  agradeço o apoio dos meus pares da Diretoria. Como ninguém é de ferro, no dia 13, às 18horas, no restaurante Mangai, farei a  CONFRATERNIZAÇAO NATALINA da UBE no sistema cada um paga o seu. Espero contar com o confrade e a confreira, para juntos, celebrarmos a vida! Desde já desejo UM FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO!
Um grande abraço do  Eduardo Gosson
(*) Texto republicado por conter incorreções

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Vovó Nati 

Poema de Paulo Alfredo Simonetti Gomes, filho do
 1º filho de Maria Natividade Cortez Gomes( 1914-1989), Cleando Cortez Gomes (1931-2008).

Ainda hoje, visitei a velha casa,
Da qual minha avó era senhora.
Ainda hoje...
Vem em mim um pensamento...
E do peito, um verdadeiro grito,
Sem choro e ainda mais violento,
Lembrar a figura forte,
Quase infinita,
Da minha vó no rumor do vento.

Qual o velho cajueiro,
Fostes árvore, galho e ninho.
Um diverso querer,
Um não desistir de tentar,
A fazer de certo, os tortos caminhos.

Ter tanto filhos,
Tantos desejos idos...
Diversos filhos,
Poesia pura.
Encontrar a força de seguir sozinha,
Ave que se aninha,
No tempo de viver, madura.

Em letras se fez criança.
Em si, infância perdida.
Esposa, mãe, mulher,
Escritora, avó e vida.
Envelheceu como forte árvore,
Frondosos galhos abrigando aves,
Vida e concerto de velhas cantigas.

Ainda hoje eu visitei...
Me lembrei...

Vendam esta casa vinda de outras eras,
Fantasma e lembranças,
Avó e recordações em purpurina.
Da sala de visita a sala de jantar,
Um piano toca até o fim dos tempos.
No quarto,
Uma mãe parindo sempre uma criança.
Lágrimas luminosas insistem em jorrar, onde não posso vê-las.
Dentro de mim,
Em um jardim de pedras.

Olhem esta casa...
Da qual minha já foi senhora.
Já foi grande
E agora se encontra em ruínas.
Um dia consolou os que padecem.
Hoje, encontrou uma outra sina.
Fortaleza, 28 de outubro de 2012.
Nati Cortez e as netas Aleika e Emanuele, no jardim de sua casa na rua Felipe Camarão, 453, Cidade Alta, Natal/RN.

QUARTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO DE 2012




INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE 
TEM NOVA DIRETORIA E CONSELHO FISCAL


Ontem, em reunião de Assembleia Geral Ordinária na sua tradicional sede da Rua da Conceição, 622 - Cidade Alta, presidida pelo Escritor Jurandyr Navarro da Costa, o IHGRN, por aclamação, elegeu a sua nova Diretoria e Conselho Fiscal para o triênio 2013-2915, assim compostos:


DIRETORIA:
1.Presidente: VALÉRIO ALFREDO MESQUITA; 
2.Vice-Presidente: ORMUZ BARBALHO SIMONETTI; 
3.Secretário-Geral: CARLOS ROBERTO DE MIRANDA GOMES; 4.Secretário-Adjunto: ODÚLIO BOTELHO MEDEIROS; 
5.Diretor Financeiro: GEORGE ANTÔNIO DE OLIVEIRA VERAS; 6.Diretor Financeiro Adjunto: EDUARDO GOSSON; 
7.Orador: JOSÉ ADALBERTO TARGINO ARAÚJO; 
8.Diretor da Biblioteca, Arquivo e Museu: EDGAR DANTAS RAMALHO DANTAS; 
CONSELHO FISCAL: 
1.EIDER FURTADO DE MENDONÇA E MENEZES, Membro titular; 2.PAULO PEREIRA DOS SANTOS, Membro titular; 
3.TOMISLAV R. FEMENICK, Membro titular; 
4.LÚCIA HELENA PEREIRA, Membro suplente.

A sessão cumpriu precisamente a Convocação publicada no Diário Oficial do Estado, edição do dia 31 de outubro do ano corrente, da Presidência, sob o fundamento das disposições combinadas dos artigos 11 e 15, “b” do Estatuto e ocorreu em total harmonia e confraternização. a posse ocorrerá no dia 29 de março de 2013, data de aniversário da Casa da Memória, em sessão solene na sede da Entidade, conforme oportunamente será divulgado, com a respectiva transmissão do cargo para o novo Presidente Valério Alfredo Mesquita.
Em breves palavras o Presidente Jurandyr Navarro da Costa agradeceu a presença de todos. 
Resposta rápida

sexta-feira, 2 de novembro de 2012


EU NÃO SABIA QUE DOÍA TANTO – 14
Por Eduardo Gosson

Hoje, no Calendário, comemora-se o Dia de Finados: 2 de Novembro. O Poder Público e a iniciativa privada preparam os Cemitérios para receberem as pessoas que vão referenciar os seus mortos. Os rituais mudam conforme as crenças.
Preparo-me e vou visitar os meus mortos já que “a morte existe, os mortos não” como bem definiu o  Mestre Cascudo. No Cemitério do Alecrim estão os restos mortais de: avô, avó, pai, tios; em Emaús, mãe e tios; em Nova Descoberta, ao pé das dunas, em silêncio profundo, sem direito ao sim e ao não, jaz o meu filho Fausto Gosson, arrebatado desta vida em 26 de maio deste ano de 2012.
Filho amado, tua mãe, filhas, eu e teu irmão gêmeo Thiago não sabemos medir a extensão desta dor. Por isso, levamos flores para enfeitar a tua nova morada. Em cada flor um simbolismo: as amarelas celebram a tua amizade; as brancas, o teu coração de paz; as azuis a tua solidão e as vermelhas a nosso amor. Descanse em paz meu menino, já que neste mundo a vida   foi-te  dura.Que a paz do Senhor esteja contigo por todo o sempre!
Eu não sabia que doía tanto!
(*) Poeta, preside a União Brasileira de Escritores – UBE/RN.

Em memória de Nati Cortez.


POR O SANTO OFÍCIO | 30 OUTUBRO, 2012 - EM MEMÓRIA DE NATI CORTEZ*

Flagrante de solenidade na Academia de Letras; ao microfone, Franklin Jorge
Essas coisas vos escrevemos, para que nossa alegria seja completa.
João, 1-4.
Senhoras e Senhores:
Animado pelo impulso da oportunidade, eis-me aqui, honrado com o convite feito pelo jornalista Luiz Gonzaga Cortez Gomes para prestar depoimento nessa celebração em memória de Maria Natividade Cortez Gomes, escritora natalense, vocacionalmente dramaturga e trovadora, uma dessas inteligências cheias de vida.
Tenho-a ainda muito viva na lembrança, sempre entusiasmada e cheia de fé, urdindo suas peças e escritos líricos. Perita na arte do bate-papo, às vezes se referia a alguém que tinha boa palestra, como um causeur. Amava a França e, como muitos franceses, tinha o espírito em alta conta. Era uma mulher muito prática que educou e formou seus filhos. E agora, já avó, quando a conheci, entregava-se aos deleites do pensamento.
Ainda me lembro perfeitamente de como a conheci, em fins dos anos 60 ou em princípios dos 70, antecipadamente, por informação de uma nossa amiga em comum, a escritora Maria Eugênia Maceira Montenegro, mineira de Lavras que se tornara norte-rio-grandense do Assu, uma constante e fiel divulgadora do teatro e das peças que escreveu – e em grande parte continuam inéditas – da nossa homenageada desta noite solene.
Voltava Dona Gena (Maria Eugênia) de Natal para o Assu, onde viveu por mais de 60 anos, e se mostrava encantada com a leitura de “A guerra dos Planetas”, peça então recém-escrita por Natí, que inaugurava-se assim como autora dum “teatro espacial” composto por outras peças do gênero, como “Diálogo das Estrelas”; enfim, como uma dramaturga que bebia e se nutria de sua paixão pelos estudos de Astronomia e Ufologia, temas recorrentes naqueles anos ainda próximos da conquista da Lua pelos americanos, em 1969.
Dona Gena não escondia seu entusiasmo – esse entusiasmo que para Baudelaire seria prova de talento – e, enquanto jantávamos em torno daquela comprida mesa patriarcal, fazia-me eu também, então um jovem melancólico e idealista, participante daquela euforia que costuma se manifestar em gente de categoria, e, naquele instante mágico, ao ouvir aquela bela senhora que reconhecia como amiga e mestra – exaltando o talento da amiga que viria a ser minha amiga também-, pensava gravemente nos antigos; esses sábios que consideravam os amigos indispensáveis à vida humana.
Sentia-me contaminado, sobretudo, por esse júbilo misterioso que produz o talento; o talento que Dona Gena exaltava em Natí Cortez, dotada, como poucos, para o teatro e –, virtude não menos preciosa –, abençoada com uma prolífica maternidade. Foi mãe de 24 filhos.
Assim, voltando eu para Natal, como o feliz portador das notícias de Maria Eugênia, que ficara no Assu, fui visitá-la à Rua Felipe Camarão 453, Cidade Alta, bairro em torno do qual surgiu nossa bela cidade natal. Um casarão recuado com alpendres, numa reminiscência sertaneja, para mim, empática e afetiva, pois lembrei-me imediatamente de minha infância no Estevam.
Logo, ao ver-me, surpreendendo-se com minha extrema juventude e fervor pela vida da inteligência, fez-se também minha amiga. De minha parte, encantou-me sua verve poética e a atenção que dispensava àquele jovem que fui, todo imbuído de literatura e utopias.
Lembro-me de Dona Nati em sua sala, onde havia um piano encostado na parede, como uma professora ou uma atriz em seus domínios, dramaticamente vivenciando seus relatos – os relatos de uma mulher que fora escolhida pelo teatro. Deliciou-me seu espírito, sua memória quase infinita, o enlevo com que evocava a crônica secreta de Natal e seu talento histriônico, essa verve com que insuflava vida em personagens que em seu tempo de menina viu e conheceu em trânsito pelas ruas de Natal; uma pessoa, repito, dotada daquela vontade de comunicação ilimitada que se traduz em talento.
Confesso publicamente minha dívida intelectual com essas duas mulheres às quais, aqui, tenho me referido: Natí Cortez e Maria Eugenia, ambas amigas de muitos anos, e eu – aquele jovem que estudava e sabia ouvir os mais velhos com atenção e proveito -, amigo delas.
Tínhamos em comum, Dona Natí e eu, a coincidência de termos nascido no mesmo dia 8 de Setembro, consagrado à Natividade de Nossa Senhora, uma data sublime para os católicos. Acrescente-se a esse simbolismo, no meu caso em particular, ter nascido no Ceará Mirim, aquele antigo burgo cuja paróquia é consagrada a Nossa Senhora da Conceição…
Natí Cortez abriu-me as portas de uma Natal pretérita e cheia de vida e acontecências que muito me encantaram e aguçaram em mim a curiosidade acerca de uma história que subjaz no imaginário coletivo da cidade. Por ela, soube histórias velhíssimas, curiosas e pitorescas, remanescentes de uma crônica que jazia esquecida nos desvãos e escaninhos de sua memória hospitaleira.
Quisera puder estender-me um pouco mais na evocação dessa escritora que se tornou testemunha generosa de seu tempo que se conta em oito décadas. Quero, porém, poupar-me do desgosto de, involuntariamente, provocar o sono em tão distintos pacientes. Concluo, pois, estas palavras citando uns versos de autoria de Ana Maria Cortez, uma das filhas de nossa homenageada, há muitos anos uma cidadã francesa:
“Através da vida de nossos mortos, vemos/ os trajetos e a morte inevitável. Estando em vida/ e sendo mortal, um ser procura estar em vida e nunca ser mortal” – In “A Poesia é uma História para Contar” (Editora Quarteto,Salvador, 2010).
MUITO OBRIGADO.

* Palavras lidas pelo autor [Franklin Jorge] na noite de 28 de Outubro na Academia Norte-rio-grandense de Letras, em Natal