quarta-feira, 11 de julho de 2012

Onestaldo de Pennafort, o poeta medieval.


 A POESIA MEDIEVAL NO BRASIL.
Onestaldo de Pennafort

ROMANCE DAS TRÊS IRMÃS OU MIRAMAR

                        C’erano tre zitellee tutti tre d’amore.



Nós éramos três irmãs
num castelo ao pé do mar.
A primeira era Marfida,
a segunda Guiomar.
A terceira por desgraça
Miramar se foi chamar.
Mira, mira, que remira,
Passa os dias a mirar
As ondas que vão e vem
Nas àguas verdes do mar.
Nós éramos três irmãs,
todas as três por casar..
A primeira tinha um colo
Para um punhal se cravar.
A segunda tinha uns braços,
Oh! quem m’os dera a abraçar!
A mais formosa de todas
Tinha os olhos cor do mar.
Logo por desgraça dela
Miramar se foi chamar.
Nós éramos três irmãs
Num castelo ao pé do mar,
Cavaleiros que passavam
No seu lindo galopar.
Cavaleiros que passavam,
Marfida que ia a espiar.
Tanto espiou, que algum dia
Um deles que ia a apear.
Tão bem que a mão lh’a pedia,
que ela a não soube negar.
Montou logo na garupa,
puseram-se a galopar.
Passava mais de ano e dia
que tinham ido a casar,
Ao derredor do castelo
se escuta um belo cantar.
O trovador que trovava,
Guiomar que ia a escutar.
A voz que entrava no ouvido,
A saia de lhe apertar.
Tão cheinha que ela estava
Das trovas de aquel trovar!
Chamam dois xastres, a saia
não n’a podem consertar.
Só um frade é que o podia,
Que o remédio era casar.
Chamam um frade, ali mesmo
Muito bem que os vai juntar.
Miramar, a mal fadada,
estava mirando o mar.
Passam dias, passam noites,
passam anos de contar,
Miramar, a malfadada,
estava mirando o mar!
Passam dias, passam noites,
Passam anos de contar,
Miramar, a malfadada,
Estava mirando o mar!
Arde o castelo com o fogo
Que o demo foi a atear.
Miramar, a malfadada,
estava mirando o mar!

Transcrito de página atribuída à publicação na revista Cigarra, sem data.


Miramar - a poesia medieval de Pennaforte.



Poema "Miramar" considerado um dos melhores poemas românticos de Onestaldo Pennaforte, carioca, nascido em 1902. A reprodução é de uma página da revista Cigarra, anos 30/40. Do caderno recortes e páginas de revistas e jornais com poemas preferidos por Nati Cortez.
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domingo, 8 de julho de 2012

Gracinha manda a 2ª Carta da Europa.

CARTAS DA EUROPA  2
(Nova Serie)
Por uma parte, a Inglaterra está em clima de festa devido a 2 fatores: os 60 anos do reinado da rainha (jubileu de diamente) e o início dos preparativos das Olimpíadas de 2012. Há festividades públicas e particulares para comemorar o jubileu. A tocha das Olimpíadas já foi acesa e vai sendo carregada pelo país até chegar a Londres no início de julho. Por outro lado, o clima financeiro não parece tão alegre, pois é de visível recessão; lojas são fechadas, o desemprego aumenta. No meio deste desconforto, vi a coragem de um empresário inglês da área têxtil em investir na Inglaterra para produzir seus artigos de modo a competir com sua própria fábrica na China. A dificuldade aqui de achar pessoal, treinar e produzir bem é enorme. Ele acha pouca gente que aceita trabalhar em fábrica, e, quando acha, poucos são os que permanecem no emprego. Máquina de costura industrial, mesmo a mais moderna, não atrai ninguém mais aqui.
Um evento que é a cara da Inglaterra acontece esta semana em Londres.É o show anual  de flores em Chelsea. O evento persiste desde 1913 e atrai umas 150.000 pessoas. Os ingleses em geral adoram jardinagem e é o sonho deles ir a um show como este que atrai figuras do mundo célebre como Michael Caine, Joan Collins e, claro, a Rainha.
Maio 2012
Um fato que é notícia freqüente hoje em dia na Inglaterra é a obesidade. Todo tipo de notícia sobre este tema aparece na mídia. A mais esquisita foi  sobre uma mulher que era tão obesa que, quando teve que ser atendida pelo hospital, teve que ter a porta da sua própria casa derrubada para dar passagem a ela, o que foi feito com a ajuda de 7 homens do serviço de saúde. O número de gordos e obesos só faz aumentar. Quem está tendo muita dor-de-cabeça com esta transformação popular são as linhas aéreas. A indústria de aviação Airbus ( consórcio europeu) já começou a fabricar assentos especiais para gordos que terão que pagar mais pelo privilégio de ter um assento com 5cm a mais do que o atual. Os assentos normais serão diminuídos em 2,5cm, e terão suas passagens reduzidas, conforme já adiantou a Easyjet (a maior companhia aérea da Inglaterra). O serviço nacional de saúde (NHS) já tomou medidas preventivas contra este problema que causa tantos males (hipertensão, diabetes, doenças coronárias, etc) e oferece planos gratuitos de “administração do peso”, que são obtidos através das farmácias ligadas ao sistema. Uma iniciativa louvável. Em princípio funciona assim: na primeira visita uma máquina eletrônica mede seu peso, altura e massa corporal. A pessoa começa depois a preencher um diário de tudo que ingere, que é semanalamente analizado por um profissional competente. Este então discute com o interessado, a estratégia da semana seguinte, numa conversa rápida de 10 a 15 minutos. Na volta, a pessoa é pesada. Eu já aproveito do plano e já diminuí 4.2kg em 5 semanas.
Junho 2012
Maria English (Gracinha)
Portsmouth, Inglaterra

110 anos do nascimento de Onestaldo Pennafort.(1902-1987)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Onestaldo de Pennafort

ARTE POÉTICA




Da janela de onde olha a paisagem lá fora,

a escutar o fluir da água que canta e chora,

por sob a ponte, sempre em mesmo diapasão,

como se o rio fosse a música do chão,

o poeta sonha...

Desce a sombra nas calçadas.

Alguém passa assobiando umas notas trinadas.

O ar amortece ...A brisa é terna como um beijo

nos olhos...E, ao sabor da brisa, sem desejo,

sem ânsias e sem pressa, erra o seu pensamento,

vadiamente, como um pássaro ao relento...

Pouco a pouco, porém, a doçura da tarde

que os contornos suaviza e que as folhas encarde,

e esse esparso langor da hora crepuscular

em que tudo parece estático, a cismar,

despertam na sua alma ignota melodia.

Memória... exaltação... delícia...nostalgia...

Silêncio. A natureza arfa e se exaure, lassa.

Fechar de asas e sons e ruídos em que passa

a eterna indagação do crepúsculo... E quando

no céu amplo e disperso

nasce a primeira estrela cintilando,

nasce o primeiro verso...







Onestaldo de Pennafort

Poesia (1987)

110 anos do nascimento do poeta Onestaldo de Pennafort.

ONESTALDO DE PENNAFORT
(1902-1987)
Onestaldo de Pennafort Caldas nasceu no Rio de Janeiro,  RJ,  onde cursou Direito, no Rio  por volta de 1918, que não chegou a concluir. Iniciou-se na poesia com o livro Escombros Floridos, publicado em 1921. Nos anos de 1920 a 1950 Foi um colaborador freqüente das revistas  Fon-Fon, Careta, Autores e Livros, Para Todos e O Malho. Traduziu diversas obras, entre elas Festas Galantes, de Paul Verlaine (1934) e Romeu e Julieta, de Shakespeare. Homenageado, em 1955, com o prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras para o conjunto de sua obra.
Obra poética, de tendência simbolista, os livros Perfume e Outros Poemas (1924), Interior e Outros Poemas (1927), Espelho D’água. Jogos da Noite (1931), Poesias (1957) e Poesia (1987). Para Andrade Muricy, "A obra de Onestaldo de Pennafort é de apurado requinte e característica do período já limítrofe com a arrancada modernista, demarcada pela busca de acabamento, possibilitado pelo adestramento da técnica do verso, que apresenta conotações evidentes com as de Eduardo Guimaraens, Cecília Meireles e ainda os gaúchos Reynaldo Moura, Athos Damasceno Ferreira e Teodemiro Tostes, e foi representativo do final do movimento simbolista, que, aliás, não vedou o caminho para as aventuras de vanguarda.". (Extraído de www.astormentas.com,  com modificações).  
ONESTALDO DE PENNAFORT

Capa de livro publicado no
ano do falecimento do Autor.

Hora Azul

Hora azul. No parque, o ocaso
tem sugestões de pintura.
Crescem as sombras e a alvura
dos cisnes, no tanque raso.

O velho jardim de luxo
parece um vaso de aromas.
Harmonias policromas
sobem dágua do repuxo.

A tarde cai dos espaços
como uma flor, a um arranco
do vento, cai aos pedaços.

E a noite vem... No jardim,
o luar, como um pavão branco,
abre a cauda de marfim.


Noturno

Lá vem ele a guiar o seu rebanho.
Cada pedra que encontra em seu caminho,
ele transforma em dócil cordeirinho.
E lá vai a guiar o seu rebanho...

Quando ele passa erguendo o alto cajado,
pastor sem gado chamam-lhe os pastores.
Mas crianças dizem que são flores
que ele vai a guiar com o seu cajado...


Canção

Quando murmuro teu nome,
a minha voz se consome
em ternura e adoração.

Quando teus olhos me olham,
parece eu se desfolham
as rosas de algum jardim>

Ò meu amor, se é preciso
eu direi que o teu sorriso
é doce como um olhar.

Mas é preciso que eu diga,
ó minha suave amiga,
isso que sinto e tu vês,

mas é preciso que eu diga?


Predileção

Amo os gestos estáticos, plasmados
numa atitude lenta de abandono;
certos olhares bêbedos de sono
e a poesia dos muros desbotados...

Amo as nuvens longínquas... o reflexo
na água dos foscos lampiões... as pontes...
a sufocação ríspida das fontes
e as palavras poéticas sem nexo.

Mas, sobretudo, eu amo esses instantes
em que, côo dois pesos foragidos,
os meus olhos se embrenham, distraídos,
na natureza — como dois amantes...


Cavaleiro andante

Se vais em busca da Fortuna, pára:
nem dês um passo de onde estás. . . Mais certo
é que ela venha ter ao teu deserto,
que vás achá-la em sua verde seara.

Se em busca vais do Amor, volta e repara
como é enganoso aquele céu aberto:
mais longe está, quando parece perto,
e faz a noite da manhã mais clara.

Deixa a Fortuna, que te está distante,
e deixa o Amor, que teu olhar persegue
como perdido pássaro sem ninho.

… Porém, ó negro cavaleiro andante,
se vais em busca da Tristeza, segue,
que hás de encontrá-la pelo teu caminho!

Página publicada em dezembro de 2008

Ele era conhecido como Pena Forte e um dos maiores poetas brasileiros dos anos 40/50/60. Maria Natividade Cortez Gomes deixou um caderno grande, de capa grossa, com muitos poemas de Penna Fort transcritos manuscritamente.

domingo, 24 de junho de 2012

Agora Felinto Lúcio vai ser ouvido na universidade.

Tribuna do Norte

Natal, 24 de Junho de 2012

Jornal de WM

por Woden Madruga

 



Tocando com os passarinhos

24 de Junho de 2012

“Eu tinha que fazer música na imaginação, porque não havia luz elétrica, não havia nada. Eu tocava com os passarinhos. Eu pegava mamona no mato, cortava, fazia as flautas, e tocava debaixo das árvores para os passarinhos. E eles vinham todos, assim que eu dava a primeira nota. Eles enchiam os galhos das árvores. O meu público eram os passarinhos e os sapos. Eu sei tocar para os animais, de acordo com os animais. Eu sei como dominar a técnica, não a técnica física – a técnica espiritual, a técnica da percepção, a técnica da imaginação para falar com eles, com a aura deles. Consigo falar com eles por intermédio do pensamento. Através do pensamento, olho para eles. No caso do sapo, você não vê o sapo na lagoa, você pensa, imagina isso”

Quem fala essas belezas todas é Hermeto  Pascoal, um dos gênios criadores da música brasileira. Ele vai no rasto das lembranças do menino pobre, albino, de Lagoa da Canoa, interior de Alagoas (“Até os 14 anos de idade eu era um homem do mato”).  Está contado assim no livro Os Sorrisos do Choro, da flautista norte-americana Julie Koidin, editado pela Global Choro Music, de São Paulo, e que deverá ser lançado em Natal no mês de julho. O livro foi tema de uma reportagem de Yuno Silva, publicada no Caderno Viver, edição  da TN do dia 8, com o título “Antologia põe potiguares no panteão do choro”. É que nas entrevistas (são 52) dois dos entrevistados por Julie são os músicos potiguares: João Juvanklin e Carlos Zens. A autora andou por Natal no ano 2002, enturmou-se com os chorões daqui e chegou a dar aulas na UFRN.

Julie Koldin é fascinada pelo  chorinho. Em suas andanças pelo Brasil esteve no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Fortaleza, Recife e Natal. Foram quase 10 anos ouvindo chorinho, tocando choro, conversando com os melhores músicos, compositores, arranjadores, pesquisadores, críticos musicais. Muito bate-papo, muitas madrugadas de anotações. Tem um timaço na sua seleção: Altamiro Carrilho, César Faria, Sivuca, Henrique Cazes, Joel Nascimento, Maurício Carrilho, Paulo Moura, Guinga, Yamandu Costa, Proveta, Alexandre Maionese, formando uma verdadeira enciclopédia sobre a mais brasileira das músicas. Alguns depoimentos são verdadeiras sinfonias. E o nosso Rio Grande do Norte muito bem colocado nesse universo maravilhoso. Volto ao Hermeto Pascoal:

- O som está sempre perto da gente, estou sempre rodeado de som. Porque eu não me inspiro na música para fazer música. Se você se inspira em uma música para fazer música é como repetir, repetir, repetir. Eu me inspiro numa viagem, olhando para uma árvore, ou no som de um automóvel, por exemplo (...) Tudo para mim é natureza, pois a natureza é diferente. É o som de um  carro, o som de um avião, o som de um boi, de um cavalo (...) Eu me inspiro naquilo que poderia – para as escolas – não ser música. Eu me inspiro nas coisas que poderiam não ser música, mas, para mim, tudo é música, tudo é som. Qualquer coisa tem a ver com música, e a música tem a ver com qualquer coisa.

A nossa Ademilde Fonseca é citada por Sivuca, quando o genial paraibano discorre sobre as origens do samba, do forró, do chorinho: “O choro é um ramo da música instrumental carioca. O forró instrumental vem do choro, mas o baião não é instrumental, sempre tem  letra.  Houve uma tentativa de colocar letra em choro, existe uma cantora famosa, Ademilde Fonseca, que cantou choros com letra. Mas o choro é instrumental, pelo menos para mim. Hermínio Bello de Carvalho colocou letra em “Lamento”, e alguém colocou letra em “Brasileirinho”, em “Tico-Tico”, e Ademilde Fonseca gravou. Mas prefiro ficar com o choro instrumental.”

Li o livro de Julie Koidin, emprestado por Yuno, de  duas tacadas, ouvindo a passarinhada de Queimada de Baixo. Aqui e acolá, o alvoroço dos gansos e o grito estridente dos pavões, o fraquejar dos guinés, o gorgolejar dos perus, o canto da seriema, o mugido das vacas e dos bois, o berro dos bezerros, o balir das ovelhas, o rincho dos cavalos, os latidos de Condessa. Sons, muitos sons, muita música, tudo muito bem orquestrado. Faltando apenas  chover,  bendito som da chuva.

Música no Seridó

No meio da semana, a boa notícia: o Seridó vai ter o seu curso superior de Música. O aval é da Universidade Federal do Rio Grande do Norte que atende, assim, a uma velha reivindicação dos músicos da região, seus regentes de bandas, um pessoal da melhor qualidade, cujo DNA passa, por exemplo, por um Tonheca Dantas, um Felinto Lúcio, duas legendas. Sua bandeira é desfraldada, hoje, pelo maestro Humberto Dantas, o grande Bembem, o cara da Filarmônica de Cruzeta.

São muitos nesta empreitada. Gente que realiza certamente um dos mais importantes projetos culturais do Estado, cujas raízes estão fincadas nas “bandas de música do interior”, formadoras de grandes músicos. A partir de agora a garotada não precisa sair de seus terreiros para avançar no estudo da música, se deslocando para Natal ou outros centros. A UFRN vai implantar seus cursos médios já a partir deste ano no chão seridoense. Viva! Bravos!

Quando soube da notícia, Jesus de Miúdo, seridoense do Acari, escriba de bom tutano, soltou foguetões e me mandou o seguinte imeio:

“Ô, velho Woden, no berço de Felinto Lúcio, Tonheca Dantas, Marciano de Florânia, Pinta do Acari, Caçote de Currais Novos e tantos outros, isso é tão festejado quanto um ano bom de inverno. Fiquei feliz feito golinha ou um papa-capim bicando a fruta de um xique-xique”.

A poesia de Nei

Anoteaí em sua agenda: dia 5 de julho, uma quinta-feira, lua cheia, tem o lançamento do livro Nei Leandro de Castro – 50 Anos de Poesia, numa bela edição da Editora Jovens Escribas. Nele estão reunidos 87 (será que contei certo?) poemas selecionados de sete livros que Nei publicou de 1961 (sua estreia com O pastor e a flauta, aos 21 anos de idade) a 2008 (Autobiografia). O lançamento será na Pinacoteca do Estado.

Poema Encontro

Sales Felipe, na esquina do Carneirinho de Ouro, todo de preto, como gosta de se vestir, terno de listras, chapéu de feltro bem posto na cabeça. Tira do bolso do paletó um poema de Maria José Mamede Galvão e recita como se estivesse no palco do Teatro Alberto Maranhão:

“Procurei você/ em caminhos que não eram os meus. / Vaguei pelas veredas / que me levaram a tempos e lugares cheios de saudades, ilusões... /Pelas sombras de veredas/ reverdecidas / adormeci. // Sonhei em tempos de águas claras. / E sonatas de pássaros tenores/ onde, em nosso amanhecer / apenas, espelho / diminuto espelho refletia nosso amor.”


domingo, 17 de junho de 2012


Foto: página pedra do sertão

Há um
Turbilhão de pensamentos
Dentro de mim
Querendo uma rede
De meio dia!
Um balancinho apenas:
Um prá lá,
Um prá cá...
E o pé na parede
Para deixar escapar
A certeza da rigidez
Que comprime uma mente acelerada.


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Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 6/17/2012 11:13:00 AM

Resolução nº 02/2012 da UBE/RN.

                              União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte - 
                                                                   UBE/RN
                                                   RESOLUÇÃO Nº 02/2012   

Institui nova Coleção para o Plano Editorial Semestral da UBE/RN, e dá outras providências.
A Diretoria Executiva da União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte - UBE/RN, no uso de suas atribuições que lhe confere o parágrafo único do art. 36 do Estatuto, em consequência da necessidade de complementar a normatização dos trabalhos para o Plano Editorial Semestral da UBE/RN,

R E S O L V E:

Art. 1º. Fica instituída dentro do Plano Editorial da UBE/RN, em complementação ao que foi criado pela Resolução nº 01/2012 da UBE/RN, datada de 09 de fevereiro de 2012, uma nova Coleção, assim denominada:

I - Coleção Poetisa Nati Cortez, no segmento "Literatura infanto-juvenil".

Art. 2º. O Regulamento da nova Coleção seguirá a mesma orientação de que cuida a referida Resolução nº 01/2012 no tocante às condições de participação e seleção dos trabalhos.

Parágrafo Único. Fica outorgada à Comissão Permanente de Seleção a competência para elaboração do Regulamento de que cuida o art. 2º desta Resolução.

Art. 3º. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

Natal/RN, 14 de junho de 2012

Presidente: Eduardo Antonio Gosson.
1º Vice-Presidente: Jurandyr Navarro da Costa
2º Vice-Presidente: Anna Maria Cascudo Barreto
Secretário-Geral: Manoel Marques da Silva Filho
1º Secretário: Paulo Jorge Dumaresq Madureira
2º Secretário: Francisco Alves da Costa Sobrinho
1º Tesoureiro: Jânia Maria Souza da Silva
2º Tesoureiro: Aluizio Matias dos Santos
Diretor de Divulgação: Lucia Helena Pereira
Diretor de Representações Regionais: Joaquim Crispiniano Neto
Diretor Jurídico: Carlos Roberto de Miranda Gomes

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Cópia desta Resolução foi entregue ao filho de Maria Natividade Cortez Gomes (Nati Cortez), Luiz Gonzaga, na noite de 5ª feira, 14, na ANLRN.


Nos tempos do AI-5, ainda
se fazia poesia em Natal

Luiz Gonzaga Cortez


Nos anos sessenta, isto é, em pleno regime militar que restringiu a liberdade de expressão e criação artístico-literária no país, em Natal, foram editados  diversos jornais e boletins sobre o movimento poético natalense. No interior, em Mossoró e Caicó ocorreram algumas publicações de pequenas tiragens que deverá ser motivo de abordagens por outros pesquisadores dessas localidades, polos da economia potiguar. A Diocésia era um jornalzinho com impressão tipográfica feita pessoalmente por João Carlos Vasconcelos, que residia na rua Mipibu, Cidade Alta. Conheci-o no Instituto Histórico e Geográfico, na rua da Conceição, assim como a sua “gráfica”, com o meu amigo Francisco de Assis Varela Barca, o popular Chico Canhão. João Carlos custeava integralmente a publicação, especializada em notícias dos nossos intelectuais, principalmente a produção dos trovadores. O baixinho João Carlos era um Hércules, fumando ou não um charuto. Após o AI-5, ele ainda publicou  A Diocésia, fundado em 1964, “órgão da Academia Diocésia”, com periodicidade anual, que deveria ser tema de tese de mestrado de alunos do curso de letras de alguma das universidades que proliferam em Natal. O “Jornal Jovem”, de Rossini Ferraz e Francisco Elias, também circulou após o AI-5, conforme o nº 6 da edição publicada em 6 de julho de 1969, quatro meses depois das cassações dos irmãos Alves, Aluízio (este pertencia aos quadros da Arena-2, a verde),  Garibaldi e Agnelo.
O “Jornal Jovem”, um tablete de quatro páginas tinha cobertura publicitária do comércio de Natal e publicava notícias sobre cinema, os avanços da ciência, futebol e notícias curtas numa coluna intitulada “Natal em Foco”. Muitas empresas que anunciavam no jornalizinho sumiram do mapa comercial, como a Casa Ruby, Posto Prudêncio, “Fernando Bezerril – Corretagem e Representações”, “A Nova Paris”, “Transrádion”, “Farmácia Menezes”, “Casas Cebarros” , “Café Vencedor” , “L.A. Medeiros”, “Bateria Moura”, de Nazareno Costa,  “Studio Braulycollor” , “Lojas Ideal” , “Casas Sem Nome” – o nome da sua casa de tecidos”. Os eslogans publicitários podem ser, hoje, simples e modestos. Por exemplo um anúncio das Lojas Ideal dizia o seguinte: “Uma firma que está embalada no comércio de móveis e eletro-domésticos. LOJAS IDEAL   - está abafando! Preços que “vou te contá”!!! (sic) – Rua Amaro Barreto, 1244 – Alecrim”. É, parece que está embalada mesmo, pois ainda abre as portas no mesmo endereço. E sobre as baterias Saturno e Heliar: “Duram até se acabar!!! Mas, se nunca se acabam de tanto durar?” Já o anúncio de Nazareno Costa garantia que “Ela é boa demais. Ela é A”.
Numa matéria sobre futebol assegurava “ABC: Pra frente a todo vapor”, o melhor  e qualquer time da região Nordeste poderia vencê-lo, que estava em franca e espetacular ascensão e que “ o seu ídolo – Alberi – está tomando gosto pela situação e vem crescendo assustadoramente de produção, ele, que no início, não estava rendendo nem trinta por cento do portentoso futebol que apresentou no ano passado”. Já sobre Esquerdinha, que aqui chegou com fama de craque, o redator registrava que o jogador apresentou “pose, pinta, bossa, menos futebol”.
Pois é caro leitor, muitos antes de “A Trombeta”, de Sebastião Soares, “Tao”, de Edílson  Freire Maciel,  e “Germinal”, de Rodrigues Neto, que desapareceram nos anos 80/90, divulgando trova e poesia , circularam muitas publicações “oficiais” e “alternativas” na antiga taba de Poty. Faltam as pesquisas sobre essas publicações. Faltam as pesquisas sobre a “Escola de Jovens Poetas Natalenses”, que promoveu a IIª Exposição de Poesias, na Galeria de Arte de 25 a 31 de maio de 1968. A Galeria de Arte ficava na praça André de Albuquerque, Centro de Natal, defronte a uma lateral do antigo Palácio Potengi, desnecessariamente demolida na gestão do prefeito Vauban Bezerra de Faria, que não tinha nenhum compromisso com a cultura natalense. Os jovens poetas realizaram uma tertúlia no  Instituto Histórico e Geográfico do RN, sob a batuta dos poetas Jayme dos G. Wanderley e Roberto Lima de Souza e Nadja Maria Fernandes de Alencar (por onde anda essa poetisa? E o “Grupo Forte” fraquejou e morreu?). Roberto Lima está aí novamente se destacando como um grande nome na música regional brasileira. Na 1ª Semana de Artes da E.J.P.N., Roberto apresentou os poemas Ciranda do amor que vai morrer de velho e nascer criança, Poeta, A estátua desaparecida, Cigarra, Coqueiros, Minhas Miragens, Conversa com a chuva e “Perna de Pau”, além de Canção das cantigas de minha terra. Foi uma semana de muita cultura, homenagem a C. Cascudo, com a participação da Academia de Trovas do RN, de Enélio Petrovich, Maria Eugênia Maceira Montenegro, das irmãs de Roberto, Nalba e Regina Lima de Souza, Naide Palhano Moreira, Maria de Fátima Fernandes, Nair Freire Damasceno, Olinto de Medeiros Rocha, Maria Elisabete Andrade, José de Arimatéia Soares, Maria Natividade, Safira Fernandes, Arnaud Barros e Jaime de Medeiros Filho.
Havia o policiamento e a censura federal para castrar a produção poética. Roberto Lima teve problemas com a polícia porque fez um poema sobre a favela de Mãe Luíza, hoje um dos celeiros de delinqüentes, traficantes e assaltantes da província potengina. Mas isso é outra história.


Luiz Gonzaga Cortez é jornalista e pesquisador.
Revisado em 22.07.2008.
Republicado em 17.06.2012.

sábado, 16 de junho de 2012

Em pleno verão de 1922, os dias 13, 15 e 17 de fevereiro foram os mais efervescentes a ponto de alçar a cultura brasileira a uma nova estatura, cuja proposta de torná-la original, aproveitando-se dos elementos essenciais à nossa identidade cultural
Tupi or not Tupi? Marcar um país em busca de uma identidade cultural não parecia se tratar de tarefa fácil; mesmo se, esse país fosse o Brasil, pouco menos de cem anos após tornar-se independente da metrópole portuguesa e outros poucos mais de trinta de uma nação republicana. Coube aos filhos dos representantes da aristocracia paulistana o repúdio à influência francófona em pleno verão de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.



Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Paulo Prado, Patrícia Galvão (Pagu), Menotti Del Picchia e Plínio Salgado organizaram a Semana de Arte Moderna de 1922 sob a responsabilidade de introduzir os valores culturais brasileiros nos moldes do Modernismo. A antropofagia arrastou todos os elementos que podiam estar ao alcance daqueles que ambicionaram mostrar o caráter do povo tupiniquim.

A poesia concreta adornada de seus elementos imagéticos e polifônicos vinham a reboque de um conceito literário pré-estabelecido nos anais burgueses de Paris dos séculos XVIII e XIX. Em busca de um tempo perdido, Oswald voltou de uma temporada europeia aonde foi tomado por ideias fervilhantes; deu voz a uma certa sociedade pau-brasil. Ainda no campo literário, Mário de Andrade, publicou, em 1928, sua obra de maior repercussão – Macunaíma - narrativa estrutura sobre um retrato expressionista sobre o anti-herói brasileiro.

Com a força do clima tropical, da mistura de povos e da estrutura econômica predominantemente rural, as artes visuais apoiaram-se nos seus pilares antropofágicos de Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. A expansão cafeeira no interior paulista e os resquícios do regime escravagista para os trabalhadores das plantações foram panos de fundo para as pinturas mais emblemáticas do movimento, como A Boba e Tropical, de Anita e Abaporu, de Tarsila.




Heitor Villa-Lobos, nosso maestro mais prestigiado, encerrou a Semana com a apresentação de sua obra Bachianas Brasileiras nº 5, misturando a erudição com a liberdade do cancioneiro popular brasileiro. Foi mal entendido pelo público, que, ora o vaiou, ora o aplaudiu ao final da apresentação.

São Paulo já era economicamente a capital mais próspera e independente do país naquela época, suficiente para organizar um marco cultural. Paulo Prado, grande cafeicultor e intelectual influente, patrocinou o movimento sabido da ambigüidade manifesta – a convicção de uma expressão originalmente brasileira, mas, sobretudo, a dúvida da extensão de tal projeto, o qual, admitamos, esboçou ser pretensioso para o período.



Diante das contradições deixadas pelas apresentações dos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, fica a precisão do processo de formação criativa de um país que incorpora tão bem a convivência e fusão de povos e, principalmente, de manifestações artísticas. Melhor dizendo – o jeitinho brasileiro de fazer arte e cultura. 
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