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Espaço para as publicações de Maria Natividade Cortez Gomes e da cidade onde nasceu e faleceu, além de notícias e artigos sobre os bairros da Ribeira, Rocas e do seu entorno.
domingo, 3 de junho de 2012
Livros dos tempos dos essênios?
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Amigos
O site da Biblioteca Nacional com jornais antigos tem um novo enderêço. Por sua importância para as nossas pesquisas informo a todos.
Vale a pena excursionar por ele. É uma viagem ao passado. Muitas histórias que nos chegaram distorcidas por cronistas tem outras versões nesses jornais. A política era braba como agora. Dependendo do dono do jornal, como hoje, as versões são as mais diversas.Santos viram diabos e o contrário.
http://memoria.bn.br/hdb/ periodicos.aspx
O site da Biblioteca Nacional com jornais antigos tem um novo enderêço. Por sua importância para as nossas pesquisas informo a todos.
Vale a pena excursionar por ele. É uma viagem ao passado. Muitas histórias que nos chegaram distorcidas por cronistas tem outras versões nesses jornais. A política era braba como agora. Dependendo do dono do jornal, como hoje, as versões são as mais diversas.Santos viram diabos e o contrário.
http://memoria.bn.br/hdb/
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Saudade.
Saudade.
De Nati
Cortez para Celina. *
Estás
longe de mim, sinto saudade,
Uma
saudade amarga, bem cruel,
Estás
curtindo esta dor, noutra cidade,
Com ressaibos
transcendendo fel.
Onde está aquela felicidade
Quando
nos teus lábios parecia mel?
Tudo acabou
por conta da maldade,
Que
tudo transformou num aranzel.
Choras...
Choro... O coração partido,
Esperando
que Deus conserte tudo,
Quando
chegar o dia prometido.
Então
acabará toda tristeza,
O céu
ficará uma beleza,
Quando
Jesus gritar: “eu não sou mudo”!
Natal, 25,10.
1981
Nati
Cortez.
·
Dona
Celina Maia, tinha dois filhos quando morava na rua José Pinto, Cidade Alta:
Marco Aurélio, professor do IFRN, e Pedro. Era uma grande amiga de Maria
Natividade Cortez Gomes e da família. Reside no bairro de Neópolis, em
Natal/RN.
Outra amiga dela era dona Lilia
Galvão que foi morar no Rio de Janeiro. Nati e Lilia mantiveram vasta
correspondência desde os anos 50. Encontramos várias cartas e poemas de dona
Lilia, datados de 1959.
Em 16 de janeiro de 1959, Nati
Cortez escreveu “És tão feliz!...”
És tão feliz!...Sorris a toda
hora.
E a sorrir meu coração consolas,
Antes, sofria, sorrindo vivo
agora,
Não tenho mais aquelas mágoas
tolas.
És tão feliz! Teu coração
palpita,
Só de amor, de amor e de amor.
Neste jardim és a rosa mais
bonita,
Foi nesta rosa que eu afoguei a
minha dor.
És tão feliz! Sorris até demais,
Antes, sozinha, em cada canto,
Agora, alegre, deixaste para
trás
As tuas dores, as lágrimas do
teu pranto.
Se és feliz, em também sou,
Lilia.
Canta-se, eu também canto com
calor.
Quem nos uniu, por certo, foi
Maria,
Somos felizes, vamos vier para o
amor.
***
“Versos dedicados a amiga Lilia
Galvão, em resposta dos que ela me ofertou”, escreveu Maria Natividade Cortez
Gomes, em Natal, 16 de janeiro de 1959, no original manuscrito. Dias antes,
dona Lilia, escreveu “Sofra com amor”:
Sofra com fé! Sofra com amor.
Lembre-se que Jesus sofreu
também na cruz.
Se hoje você sofre e sente tanta
dor
Amanhã vai morar ao lado de
Jesus.
Sofra com fé, lembre-se de Jesus
Ele sofreu por nós, por nosso
amor
Porque não carregarmos também a
nossa cruz?
Se por todos nós ele sofreu
tamanha dor?
Sofra com fé, lembre-se de Maria
Que mais sofreu vendo o filho na
cruz
Se hoje você sofre, se sente
tanta agonia
Um dia você vai morar ao lado de
Jesus.
Amém. “Lilia”.
sábado, 19 de maio de 2012
MEMÓRIA.
Quiseram queimar livros de Cascudo.
Luiz Gonzaga Cortez.
Luiz Gonzaga Cortez.
Nos anos 60, em Natal, houve duas tentativas de
queima de livros, artigos e revistas com
textos do folclorista integralista Luís da Câmara Cascudo. Uma foi abortada por
populares, em 1962, em plena rua João Pessoa, nas proximidades da praça da
Imprensa, esquina com a avenida Rio Branco, hoje denominada praça Presidente
Kennedy. No local, a Prefeitura Municipal de Natal estava realizado uma Feira
de Livros, com várias barracas e estandes instalados pelas poucas livrarias da
cidade e instituições públicas e privadas. A idéia do prefeito Djalma Maranhão
era prestigiar a cultura local e nacional, com a presença de escritores e
intelectuais de renome nacional. O Governo do Estado era parceiro do evento cultural.
O governador Aluizio Alves mandou convidar Cascudo, um dinartista juramentado,
a participar do encontro de escritores. Cascudo relutou, mas terminou indo para
a feira do livro, uma verdadeira festa popular. A feira durou vários dias com
exposições, palestras, espetáculos artísticos-musicais variados e o povão
lotava o cruzamento do centro da cidade.
Mas enquanto as pessoas
compravam livros, revistas e discos e se divertiam com os espetáculos, um grupo
de estudantes contestadores articularam a instalação de uma grande fogueira no
Grande Ponto. Comandavam o incendiário grupo: Manuel Filgueira Filho, vulgo Pecado, Francisco Canindé do
Nascimento, vulgo Pelé, Hélio Lins,
vulgo Hélio Brucutu Ao invés de paus
e toras de lenhas, o grupo reuniu diversos livros de Luís da Câmara Cascudo e
colocou-os defronte a loja de Nestor, um comerciante magro e alto, já falecido,
dono de um ponto comercial (lojinha de artesanato) na “Galeria do Grande Ponto” ( no primeiro
andar funcionou o Comitê Eleitoral de Djalma Maranhão, na campanha de 1960), o
primeiro centro comercial de Natal. Enquanto colocavam os livros para serem
queimados em praça pública, os estudantes, também conhecidos como anarquistas,
comunistas ou, pra usar um termo mais moderno, porra-loucas, faziam discursos
inflamados contra o nazi-fascismo, os gorilas, a extrema-direita, o escambau. E
diziam que Cascudo tinha sido integralista,
“uma doutrina fascista”, etc, etc, e que os seus livros deveriam ser
queimados. E tome falação. Outros gritavam, açulados pelos promotores do
evento, “queima! “, “queima! “.
O aposentado João Pegado de
Oliveira Ramalho, ex-funcionário dos Correios de Natal, estava na feira do livro e viu toda a
movimentação e correu para o local onde o exótico grupo de protestos berrava
contra a obra literária de Câmara Cascudo. Outra testemunha: o aposentado
Gilson Guanabara de Souza, 58, o popular “GG”, irmão do ex-comunista Gileno
Guanabara de Souza, que residente no conjunto Candelária. Gilson não se lembra
da data, mas João Ramalho disse que era o dia dos estudantes, 11 de agosto de
1962, e que uma passeata tinha acabado de chegar ao local para os discursos
tradicionais. Ramalho lembra que muitos alunos da Escola Técnica de Comércio,
fundada por Ulisses Celestino de Góis, estavam na passeata. “Estavam lá, Gilson
Guanabara, “Galego da Cimaferro”, Ivan, sargento da Aeronáutica e outros cujos
nomes não me recordo. Os estudantes queriam queimar as obras de Cascudinho,
tenho certeza absoluta. Os discursos eram inflamados, onde hoje é a Praça Kennedy,
mas que tinha outro nome. Surgiram vozes contra essa idéia , as coisas
esfriaram, novas vozes surgiram e o ato não foi concretizado. Eu mesmo disse:
“Isso não é maneira de protestar”. Pelo que eu pude constatar, queimar os
livros de Cascudo porque ele tinha sido integralista”. Eu achei um absurdo”,
disse João Pegado de Oliveira Ramalho, pesquisador da história do seu
município, Campo Grande.
Já Gilson Guanabara que
apontou Pelé, Hélio Brucutu e Pecado como os responsáveis pelo atiçamento dos
estudantes para a queimação, em meados de maio, no dia 5 de junho de 2.000 já
mudava a sua declaração, no sentido de que a manifestação foi heterogênea e
“não deu para se saber quem foi que deu a idéia de queimar livros de Cascudo e
os de autores considerados subversivos da feira”patrocinada pela Prefeitura
Municipal. Mas confirmou a participação do trio no evento. “Sou contra queimar
qualquer livro. Arrependi-me de ter enterrado muitos livros no quintal da minha
casa, na rua Gonçalves Ledo, depois do golpe militar de 64. Perdi-os todos.
Quanto a esse episódio na feira do livro, havia um clima de apreensão naquela
época, pois temia-se que a direita queimasse a exposição e os estandes todos e
culpar os comunistas depois. Então, elementos da esquerda ficavam de prontidão lá
para evitar isso. Mas considerei uma afronta querer queimar livros de Cascudo”,
disse Gilson Guanabara. Ex-aluno da Escola Técnica de Comércio, Gilson disse
que chegaram a queimar uma árvore natalina, armada pela Prefeitura, no Grande
Ponto, nas caladas da noite, e duas palhoças da campanha “De Pé no Chão Se
Aprende a Ler”em Brasília Teimosa e na avenida Bernardo Vieira.
Apesar de Câmara Cascudo já
ser considerado um nome de importância na cultura nacional, o ato dos
estudantes não redundou em luta corporal, pois, após os discursos de alguns
líderes estudantis de esquerda, todos foram para as suas casas. A manifestação
juvenil não provocou aquilo que alguns escritores achavam, isto é, que qualquer
palavra contra Cascudo gerava uma forte reação contrária, como pensava o
falecido jornalista e escritor potiguar Genival Rabelo que escreveu que “Nísia
Floresta e Cascudinho são os maiores símbolos da inteligência potiguar” e “...
dizer qualquer coisa contra Cascudinho é sujeitar-se a sair apanhando”
(Françoise, p. 175, edição do autor, Rio de Janeiro, 1993).
Segundo tentativa
Ao longo de 1968, o ano das
manifestações estudantis e das passeatas de protestos nas principais capitais
do Brasil, no já chamado ensaio geral para a resistência armada ao regime
militar, diversos poetas e artistas plásticos natalenses atuavam no “ movimento
do poema/processo”, dando seguimento a inusitada manifestação realizada pelo
caicoense Moacy Cirne e um punhado de poetas de vanguarda, defronte ao Teatro
Municipal do Rio, na Cinelândia. Os poetas concretistas rasgaram livros de
poetas consagrados, “como protesto contra a mesmice lírica da poesia brasileira
e para lançar de maneira radical o movimento do poema/processo”, relembra o
jornalista Dailor Varela, natalense radicado em Monteiro Lobato, São Paulo.
Em Natal, a imprensa deu
cobertura às pretensões dos nossos poetas concretos que anunciaram a realização
de um ato de protesto igual ao da Cinelândia, aqui apelidado de happening
(uma gíria americana que eu não sei e não quero saber traduzir), em pleno
Grande Ponto. “Iriamos promove-lo nos mesmos moldes e objetivos de espantar pela radicalidade, rasgando poetas
potyguares e nacionais consagrados. O anúncio provocou um tumulto cultural na
aldeia literária e cultural de Natal como jamais houve qualquer evento cultural
que explodisse, espantasse toda a cidade. Guardadas as devidas proporções e
época: como a Semana de Arte Moderna de 1922, em Sampa. Nosso happening
derrubou as prateleiras culturais da cidade. Tanto que se fala nisso até hoje”,
afirma Dailor Varela ( por escrito, lembre-se).
O bafáfá foi grande. A
cidade entrou em polvorosa. A conservadora Natal agitou-se. O jornalista
Sanderson Negreiros, um misto de neo-liberal e conservador, admirado do
folclorista Luís da Câmara Cascudo, escreveu um artigo no Diário de Natal
contra a anunciada manifestação radical. “Baixei o pau neles e considerei aqui
uma maluquice sem pé nem cabeça que terminou não dando em nada”, disse
Sanderson Negreiros. O evento foi
anunciado por Dailor, Falves da Silva, artista plástico e gráfico, Anchieta
Fernandes, cinéfilo, Alexis Gurgel, jornalista, Marcos Silva, pintor e
compositor (hoje professor da USP), Moacy Cirne, poeta,que vivia entre Natal e
o Rio de Janeiro (ele é de uma abastada família de comerciantes de Caicó e
Natal) e outros “poetas de vanguarda”. Conta Dailor, que a imprensa badalou a
intenção dos poetas durante vários dias. Ele trabalhava na “Tribuna do Norte” e
era editor de cultura, onde publicava matérias com temas de vanguarda, como a
legalização da “cannabis sativa”. “O uso da maconha foi eu quem defendi”.
Pelas suas posições
avançadas, Dailor diz que foi ameaçado de morte em pleno Grande Ponto pelo
falecido poeta místico Walfran Queiroz, e foi objeto de uma matéria publicada
na edição de 8/2/1968, em TN, com o seguinte título: “Poeta quadrado”ameaça de
morte queimador de livros”. (Infelizmente, eu não li essa matéria porque estava
prestando serviço militar obrigatório noExército).
“Aí um dia, eu fui chamado
para uma “conversa” com o delegado Hernani Hugo, que me parece que era
secretário de Segurança Pública ou coisa assim ( não, Dailor, era delegado do
DOPS, Delegacia de Ordem Política e Social). Ele era na época um tipo
cinematográfico que andava de branco. Fui lá e ele foi gentil comigo,talvez
pelo fato de eu ser um jornalista conhecido. Me falou do happening e que não
iria admitir que se queimasse obra do Mestre Cascudo e que se isso acontecesse
todo mundo iria em cana. Aí expliquei pra ele: jamais a gente tinha anunciado
que iria queimar obras de Cascudo. Mesmo porque não tinha sentido. Nosso
objetivo era esculhambar com poetas líricos e decadentes e Cascudo era um
folclorista, um estudioso da cultura brasileira”, afirma Dailor Varela. E tudo
terminou nesse dia. Não houve o fogaréu boatado pelos editores. “A gente
resolveu que o happening em si já tinha acontecido. Com mais espanto do que se
ele tivesse sido realizado mesmo. O auê que a gente queria aconteceu, espantou
a cidade”.
Atualmente editando um
bonito e articulado jornal literário em São José dos Campos/SP, o jornalista
Dailor Varela disse que nenhum poeta de vanguarda de Natal declarou que iriam
queimar obras de Cascudo e que isso foi invenção dos jornais “para vender mais
jornal, por lenha na fogueira e deixar a cidade revoltada contra nós”.
O gráfico e poeta Francisco
Alves da Silva, Falves, contou-me outra versão na noite do dia 7.6.2000, no Bar
de Lula, em Candelária: “De fato, não via motivo para queimar livros de
Cascudo, que nunca foi poeta. Mas o delegado Ernani Hugo disse pra gente que
podiam fazer o ato de protesto no Grande Ponto que ele garantia a segurança.
Quer dizer, o nosso movimento chegou a sensibilizar parte da polícia, ao ponto
do delegado dizer que garantiria a manifestação”, disse Falves. O encontro
casual com Falves foi-me duplamente proveitoso, pois me informou que a festa de
encerramento das atividades do famoso cabaré “Francesinha”, nas Rocas, ocorreu
na noite de uma sexta-feira do inicio de junho de 1968. Eu estava lá com
Luciano Cordeiro e mais alguns amigos e vi a exposição de obras de artes dos
artistas e poetas concretos de Natal sendo observada e curtida por dezenas de
prostitutas que lotaram o salão animado por uma orquestra que tocou o seu
último baile. O cabaré foi demolido e no local foi construído o motel “Jóia”.
Luiz Gonzaga Cortez é
jornalista
Pesquisador e sócio do
Instituto Histórico e Geográfico do RN.
Ntas: Gilson Guanabara, Hélio “Brucutu” e Dailor
Varela são falecidos. Este artigo foi escrito há mais de dez anos. Natal, 19.05.2012.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Manuscritos inéditos de "O Pequeno Príncipe" são encontrados na França
As duas páginas descobertas devem ser leiloadas ainda em maio
REDAÇÃO ÉPOCA
Publicado em 1943, O Pequeno Príncipe é um clássico da literatura universal. Para surpresa dos leitores, duas novas páginas da obra foram descobertas na França. Parte de um conjunto de manuscritos do autor Antoine de Saint-Exupéry, os textos inéditos estavam em posse de um colecionador, e foram entregues a uma casa de leilões francesa que, a princípio, não sabia o que continham: “A caligrafia dele [Exupéry] é terrível, mas conseguimos decifrá-la e então descobrimos que essas duas páginas eram material inédito de O Pequeno Príncipe”, disse Benoît Puttermans, do departamento de livros da casa de leilões Artcurial, ao jornal britânico The Guardian. O material deve ser leiloado no dia 16 de maio.
Uma das páginas fornece uma nova versão para a passagem em que o Pequeno Príncipe chega ao planeta Terra, no capítulo 19. A segunda página, no entanto, apresenta uma personagem inteiramente nova – um homem apaixonado por palavras-cruzadas. Descrito como “o embaixador do espírito humano”, ele é a primeira pessoa que o príncipe conhece ao chegar à Terra, e não pode conversar por estar muito ocupado com seu passatempo. Falta a ele uma última palavra, de seis letras, que começa com a letra “g”. A página acaba sem que a palavra seja revelada. Mas se supõe que seja “guerre”, guerra em francês.
“Os manuscritos de Saint-Exupéry são raros, mas os manuscritos de O Pequeno Príncipe, o livro francês mais vendido em todo o mundo desde 1943, são ainda mais”, informa a Artcurial em seu site. Estima-se que as páginas atinjam um valor em torno do 50 mil euros (cerca de R$ 125 mil ). Ao longo de 63 anos, o livro vendeu mais de 140 milhões de cópias em todo o mundo, e foi traduzido para 260 idiomas. De acordo com a fundação Saint-Exupéry, trata-se da obra mais traduzida depois da Bíblia.
Uma das páginas fornece uma nova versão para a passagem em que o Pequeno Príncipe chega ao planeta Terra, no capítulo 19. A segunda página, no entanto, apresenta uma personagem inteiramente nova – um homem apaixonado por palavras-cruzadas. Descrito como “o embaixador do espírito humano”, ele é a primeira pessoa que o príncipe conhece ao chegar à Terra, e não pode conversar por estar muito ocupado com seu passatempo. Falta a ele uma última palavra, de seis letras, que começa com a letra “g”. A página acaba sem que a palavra seja revelada. Mas se supõe que seja “guerre”, guerra em francês.
“Os manuscritos de Saint-Exupéry são raros, mas os manuscritos de O Pequeno Príncipe, o livro francês mais vendido em todo o mundo desde 1943, são ainda mais”, informa a Artcurial em seu site. Estima-se que as páginas atinjam um valor em torno do 50 mil euros (cerca de R$ 125 mil ). Ao longo de 63 anos, o livro vendeu mais de 140 milhões de cópias em todo o mundo, e foi traduzido para 260 idiomas. De acordo com a fundação Saint-Exupéry, trata-se da obra mais traduzida depois da Bíblia.
Praticamente desconhecido antes do livro, Exupéry morreu um ano depois de sua publicação, em um acidente de avião enquanto servia a força aérea francesa durante a Segunda Guerra Mundial em 1944.
RC
07.05.2012.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Blecaute,"eternamente flâneur, terá sido o último dandi de Natal".
Por FraFranklin Jorge*
O crescente interesse que desperta a vida de
Blecaute entre os jovens atuais merece reflexão e análise ou, simplesmente,
alguma espécie de questionamento necessário. Começou com a sua morte trágica,
súbita, brutal, quando fazia um biscate, consertando a fiação de uma
residência, sem nenhuma precaução ou equipamento. Morreu eletrocutado. Agora,
pintam-no como um herói. Um herói literário que assombra o oficialismo de
Natal. Já quiseram até degluti-lo, entronizando-o, post-mortem, num Dia da
Poesia, mas se engasgaram.
Imolado pela arte, Edgar Borges – seu nome civil –
vem se tornando o símbolo de algo que nos incomoda. – É, sobretudo, o símbolo
da contracultura militante entre nós. Um ícone, enfim, contracultural, por
excelência; alheio a privilégios, nadando contra a corrente, em permanente
corpo a corpo com a vida mesquinha, foi sobrevivendo na província hostil e
canibalesca, curtindo internações psiquiátricas e sevícias, até o choque final.
Um ser inusitado, esse Blecaute, que nasceu e viveu em Natal, vacinado contra o
convencionalismo, contra a regra, contra o reducionismo pseudo-burguês que
afligiu em seus versos desconexos ou surreais. A bem da verdade, em matéria de
produção, só produziu efetivamente uma espécie de mal-estar moral, ao externar
a sua confiança na vida e seu desejo de viver.
Não é, como escritor, relevante. Porém possuía
múltiplos talentos em estado selvagem, entre os quais a poesia, a pintura, a
comunicação e, por fim, nas quais se realizou integralmente, as performances
que deram notoriedade ao seu jeito gauche e excêntrico de ser, mal assimilado
pelas forças de segurança, ás vezes apenas para gozo da perversidade de alguns
policiais, ou, por idiossincrasia, discordarem do seu gosto por “modelitos”
compostos segundo um viés estético personalíssimo, algo assim como uma grife by
Blecaute.
Eternamente flâneur, terá sido o último dandi de
Natal. Presente em toda a parte, sempre estiloso e elegante made in Blecaute; fazedor de
surpreendentes modelitos, fazendo-se notar por sua maneira ousada e nada
convencional de se vestir, ao combinar com inteligência e ousadia elementos,
padronagens, cores, texturas e adereços capazes de chamar a atenção, inclusive
da policia que fazia-lhe o buillyng moral, na época, ainda não reconhecido como
tal nem criminalizado. A escolha dos adereços, óculos, colares, cintos,
chapéus, bonés, pulseiras, anéis, lenços, sapatos. Essa profusão de detalhes
deixavam a policia em alerta. Queriam sempre saber como, vivendo de biscates,
vestia-se tão bem e ostensivamente exibia a sua personalidade gritante. Nunca a
mesma combinação todos os dias, rezava a cartilha do esteta e estilista
Blecaute. O mundo era, para Blecaute, uma permanente novidade.
Um verdadeiro horror, recordava–se, conversando em
minha sala no Solar Bela Vista. Uma vez chorou contando-me o que de humilhações
e sevícias sofrera nas mãos de um delegado que o prendera por destoar da moda e
estar tão bem vestido quando aparentava ser um duro contumaz.
Recebia-o toda vez que me procurava e, das nossas
conversas e de suas pungentes confissões extraí um capitulo do “Spleen de
Natal” [1996, livro reeditado em 2001 pela Editora da Universidade Federal do
Rio Grande do Norte e inspirador, desde então, de uma rica e crescente “fortuna
crítica”, teve apenas o seu primeiro vvolumm publicado ate agora...], que se
tornou muito lido entre os novos iconoclastas. Blecaute, se me perguntam, era
um negro bem apessoado, magro, elegante, expressando-se bem, viveu uns tempos
com Gardenia, que dizia ser nome de mulher e de flor. Apresentou um programa de
rádio que dava conta das atividades culturais da cidade, comentava e criticava.
Por algum tempo, teve audiência cativa nas noites de sábado.
Quando morreu, ninguém lhe reclamou o corpo, exceto
o jornalista Flávio Rezende, e ele ficou na geladeira do necrotério por vários
dias, morto insepulto. Foi ele, Flávio Rezende, que levou a peito a tarefa de
organizar-lhe funerais cristãos dignos. E o fez, movendo céu e terra em Natal,
para homenagear esse rei vagabundo que por algum tempo reinou sobre a cidade,
curiosamente, no entanto, sempre em busca de trabalho e ocupação. Sobrevivendo
numa cidade que o teria deixado “pirandélico”, transitando entre a sua casa, em
Mãe Luiza, e as celas do hospital psiquiátrico. Porém sem perder o estilo
jamais.
*Texto publicado em sua
coluna no NOVO JORNAL
--
Postado por AssessoRN - Jornalista Bosco Araújo no AssessoRN em 5/01/2012 11:18:00 AM
Cometa, um poema de Didi Câmara.
Luiz Gonzaga Cortez
Pegando carona nas crônicas publicadas na imprensa natalense,
andei procurando nos meus papéis velhos, alguma coisa sobre a poetisa Didi
Câmara. Encontrei pouco, mas continuo procurando as cartas que ela teria
enviado para a minha mãe, Maria Natividade Cortez Gomes, sua amiga de infância,
em Natal. Irmãos mais velhos me informaram que elas se corresponderam muito há
30/40 anos atrás. Didi Camara no Rio de Janeiro e Nati Cortez, como era mais
conhecida, na Rua Felipe Camarão, Cidade Alta, em Natal. Quando menino, eu
ouvia falar sobre duas amigas de minha mãe: Lilia Galvão e Didi Câmara. Dona
Lilia eu conheci, morou em frente à nossa casa. Eu não me lembro de dona Didi
Câmara, mas há quem afirme que ela visitou mamãe, aqui, na província potengina.
Já achei várias cartas remetidas para ela (Nati), mas não achei as de Didi
Câmara. Entretanto, encontrei uma edição incompleta da revista JURITI, editada
por Aluizio Macedônio Lemos, chefe integralista de Ceará-Mirim/RN, com um poema
de Didi Câmara. A revista não tem páginas numeradas nem a data da edição, mas,
presumo, que seja de novembro ou
dezembro de 1938, pois traz uma notícia sobre as comemorações do 1º aniversário
do golpe de estado que implantou a ditadura do Estado Novo em 10 de novembro de
1937.
Chama-se “COMETA” o poema de Didi Câmara, oferecido ao Padre
Luiz Gonzaga do Monte. Transcrevo, conforme o original publicado, o poema escrito décadas antes do nascimento
do compositor e cantor Raul Seixas e do movimento dos ufologistas.
“Nasci numa longínqua
nebulosa,
Há milhares de séculos passados,
Em pleno céo aberto e infinito.
Sou filho vagabundo dos espaços
E irmão das estrelas.
Percorro lesto distancias inauditas,
Dentro do caos profundo deixo rastros
De luz e uranolitos.
Se o que vi podesse, eu vos diria,
Dentro de minha vida luminosa,
Desde que vim da erma nebulosa,
Que já nem sei onde está...
E que foi o meu berço colossal,
Feito de ouro, verde e cor de rosa:
Em volteios gracis, qual fulgurante
Aza ciclópica de gigantesca ave.
Pelos espaços vi alviçareiros mundos,
Que giram sobre, e pelos céos profundos,
Da estrada eterna a interminável senda:
Globos acesos e volteando aos pares
Quais falenas de prata, aos milhares,
Numa dansa fantástica de luz
Toquei o solo rubro de estrelas,
Onde colhi encantos de mil cores,
A corôar minha cabeça e onde puz
Mais formosos matises, como flores.
Vi delírios de fogo, altas chamas,
Tempestades astrais, igneas tragedias,
Onde desapareceram de repente,
Os mais lindos sois.
Contemplei as batalhas siderais,
Onde cada soldado é uma estrela,
Que disputa um sistema em formação...
E seguirei sempre aventureiro de luz,
Pelos espaços infindos, eternamente abertos
Pelos céos de safira sempre azuis...
Até que um dia nessa marchar exul,
Possa tomar-me um sol no seu bojo de chama
E sepultar-me a fluida cabeleira,
Numa formosa e rubra sepultura,
Que ao choque de meu corpo ainda mais se inflar
Em torrentes de fogo pela altura!”.
Notas: As expressões “ lesto”, “exul” e “gracil” não são
erros de revisão. Estão registradas no “Aurélio” há décadas, informa Nei
Leandro de Castro. Eu desconhecia, mas lesto significa rápido, ligeiro,
ágil grácil é o mesmo que delicado, delgado, fino, sutil. Exul, o mesmo que exule, é exilado,
desterrado. Creio que o final do bonito
poema seja “Em torrentes de fogo pelas alturas!”. Franklin Jorge escreveu que
esteve no Rio de Janeiro, em 1970, num dia de jogo da seleção brasileira e
encontrou Didi Câmara com várias amigas e que não deu importância ao visitante,
mas lembra-se de que falou sobre Natal e Nati Cortez, tendo dona Didi comentado
que isso é coisa muita antiga, que já passou, etc. Tudo bem, está certo Franklin quando diz que
ela não o recebeu bem. Já a minha irmã, Cecília, que reside no Rio de Janeiro
desde 1974, disse-me que naquele ano, visitou Didi Câmara com mamãe e que ela
recebeu muito bem, tomou chá com a gente, que riu muito quando conversaram
sobre Natal da infância delas. “Pareceu uma mulher muito simpática, risonha e
era amiga de amãe. Só a vi uma vez, apesar de morar bem pertinho, na Tijuca. Na
ocasião, ela estava com uma filha e uma neta,que devem morar aqui ainda, mas não me lembro do endereço
dela”, disse Cecília Cortez Gomes. Didi Câmara foi da juventude feminina integralista, em Natal/RN.
Luiz Gonzaga Cortez Gomes, jornalista e pesquisador.
Texto redigido em
17.04.2010.
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